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Economia

Taxação do governo deve aumentar preço dos colchões em até 20%, diz associação

Gestão petista afirma que medida é necessária para proteger a indústria

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, no I Encontro Internacional da Indústria de Colchões, ocorrido em junho de 2024 | Foto: Cadu Gomes/VPR
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, no I Encontro Internacional da Indústria de Colchões, ocorrido em junho de 2024 | Foto: Cadu Gomes/VPR

A imposição de novas tarifas antidumping sobre o poliol, composto químico essencial na fabricação de espumas, pode aumentar em até 20% o preço dos colchões no curto prazo. A estimativa é da Associação Brasileira da Indústria de Colchões (Abicol). O governo oficializou a medida na última sexta-feira, 4, conforme publicação no Diário Oficial da União.

A decisão estabelece sobretaxas às importações de polióis poliéteres provenientes da China e dos Estados Unidos, com validade inicial de até cinco anos. A cobrança atinge inclusive cargas já embarcadas ou em processo de liberação alfandegária.

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Governo defende medida como proteção à concorrência

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a iniciativa visa combater práticas desleais de comércio, em linha com a legislação nacional e acordos internacionais. O dumping ocorre quando empresas vendem produtos a preços artificialmente baixos para ganhar mercado, prejudicando a indústria local.

Ainda segundo o MDIC, o Brasil conta atualmente com apenas um fabricante de poliol. Trata-se da Dow, empresa de capital estrangeiro. Informações sobre a capacidade produtiva da companhia, no entanto, são confidenciais e acessíveis apenas às partes envolvidas no processo.

A Abicol contesta a decisão e afirma que não há comprovação de que a produção da Dow seja suficiente para suprir a demanda nacional. Hoje, mais da metade do poliol utilizado no país é importada. O insumo representa até 55% da composição das espumas e até 35% do custo final de um colchão.

A associação alerta que a medida também pode afetar outros setores, como o de móveis estofados e o automotivo, uma vez que espumas são amplamente utilizadas em assentos e acabamentos. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), segundo o jornal Folha de S. Paulo, informou que ainda não discutiu o tema internamente. Dessa forma, a entidade disse não dispor de estimativas sobre eventuais impactos nos preços.

Entidade fala em concorrência desleal

Segundo a Abicol, a investigação conduzida pelo próprio MDIC concluiu, em maio deste ano, que houve prática de dumping por parte de empresas estrangeiras, com margens superiores a 100% na maioria das análises. A Dow não quis comentar o caso.

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