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Economia

Trump e o papel do dólar

É possível que o presidente dos EUA consiga seus objetivos, apesar da falta de confiança gerada

Estados Unidos O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante a cerimônia de posse do enviado especial Steve Witkoff, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC - 6/5/2025 | Foto: Kent Nishimura/Reuters
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante a cerimônia de posse do enviado especial Steve Witkoff, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC - 6/5/2025 | Foto: Kent Nishimura/Reuters

(*) por Antonio Carlos Porto Gonçalves

Uma exportação industrial europeia para os EUA é tarifada em 5%, digamos. Já uma exportação dos EUA para a Europa é tarifada em 25%. Em média, cinco vezes mais — e circulam muitos carros Mercedes nos EUA e poucos Cadillacs na Europa. Coisa similar acontece com outros países, com os produtos norte-americanos sendo mais taxados. Segundo Trump, isso gera desemprego nos EUA e um déficit comercial vultoso e contínuo nos últimos 70 anos. Mas por que o déficit crônico não gera uma contínua desvalorização do dólar? Porque o resto do mundo demanda essa moeda como divisa internacional: o maior “produto de exportação” norte-americano é a sua moeda.

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O dólar é exportado via déficit comercial dos EUA: o mundo envia bens e serviços com maior valor para os EUA e recebe, em troca, bens e serviços com menor valor, mais os dólares da diferença. Há também um déficit externo norte-americano em conta de capital, menos contínuo. Isso significa que, em média, os norte-americanos adquirem ativos valiosos no resto do mundo, pagando com dólares. Enfim, os EUA, ao emitirem a moeda cobiçada pelos demais países para compor suas divisas, recebem bens e serviços e adquirem ativos no resto do mundo, pagando-os com “papel pintado de verde”. Os outros países recebem dólares, em geral aplicando-os na compra de títulos do Tesouro Norte-Americano. A demanda é tão grande que os juros pagos pelos EUA são mínimos, ocasionalmente negativos, permitindo que a enorme dívida pública seja financiável.

Decisão de Trump pode dar certo

É o arranjo que o ex-presidente da França De Gaulle chamou de “privilégio exorbitante”: ser o país cuja moeda nacional é também a internacional. Manter esse privilégio depende do tamanho da economia norte-americana e também de ter instituições confiáveis, isto é, governo central democrático (eleições e oposição livres, mandatos definidos), Poderes independentes, governos provinciais fortes, Justiça seguindo regras prévias e assim por diante. São as garantias para os detentores de dólares; algumas grandes economias modernas, autocráticas, não as exibem.

Curiosamente, Trump vem tentando eliminar o déficit comercial e o investimento norte-americano no exterior sem considerar que correspondem à vantagem de emitir a moeda internacional. Alega que defende o emprego dos norte-americanos, numa ocasião de mínima taxa de desemprego nos EUA. Falta assessoria competente. Parece que não entende o que está fazendo, mas é possível que consiga seus objetivos devido à falta de confiança gerada.

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1 comentário
  1. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Vale a intenção. Mas alguns dogma. A teoria econômica e a prática liberal capitalista não está sendo avaliada em profundidade pelos comentaristas. Entre os gargalos dos métodos estatístico-matemáticos ajustados em intervalos de confiança exm funções atípicas. A China tem as maiores reservas cambiais em dólar no mundo, o que poderia ajudar na manipulação do dólar a nível comercial internacional. Ora, se os EUA são o “dono” da moeda, como a China tem atrapalhado a cotação, na média mundial? As tabelas do pacote de reciprocidade (e não guerra taifária), demonstra o túnel das diferenças gritantes apontadas até pelo texto aqui pyublicado. A intenção em equilibrar essa tarifas é uma lógica espacial, ou seja, atinge internamente e externamene o conglomerado de empresas que negociam em importações e exportações nos cinco continentes. Como os EUA tem uma economia gigantesca e influencia todo o complexo industrial, comercial e agrícola, o pacote avisa que está na hora de negociar. E quem deve reduzir as tarifas, pelo menos em parte, são os países que importam dos EUA. E olha que o Trump, como ele mesmo disse, foi bonzinho, pois não aumentou as tarifas nos mesmos picos dos parceiros. Diferenças de 5 para 90% é algo que só agora a gente percebeu. Também é necessário verificar a palavra “dólar supervalorizado”, pois uma redução pensada por Trump poderá ocasionar a diminuição dos custos e até mesmo da inflação em vários países. E, as empresas que formam parcerias com a China são as que mais estão desconfiadas, ou apavaradas, basta ver a contação de suas ações nas bolsas ao redor do mundo.

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