A cruzada da China contra Hollywood

Com o objetivo de reforçar a propaganda socialista por meio da indústria cinematográfica, Pequim rechaça filmes ocidentais
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A China está empenhada em impor os valores socialistas no cinema nacional
A China está empenhada em impor os valores socialistas no cinema nacional | Foto: Reprodução/Redes sociais

Com a intenção de reforçar a propaganda socialista por meio da indústria cinematográfica, o Partido Comunista da China (PCC) resolveu proibir a exibição no país dos três filmes lançados pela Marvel em 2021. Os títulos preteridos foram Shang-Chi e A Lenda dos Dez Anéis, Eternos e Viúva Negra.

Nem mesmo o constante diálogo da Disney (proprietária da Marvel) com as autoridades chinesas impediu que os filmes fossem rechaçados. Pequim argumenta que as produções ocidentais disseminam valores contrários à cultura do país. Mas não é só isso. As críticas veladas ao regime de Xi Jinping atrapalhariam o projeto chinês de uniformização da sociedade.

Os filmes da Marvel são historicamente lucrativos para a China. Vingadores: Guerra Infinita, lançado em 2018, faturou US$ 360 milhões no país. Apenas na estreia, Homem-Formiga arrecadou US$ 66,6 milhões, número superior ao observado em Pantera Negra (US$ 65,1 milhões) e Thor: Ragnarok (US$ 53,3 milhões). Ainda assim, o aspecto político suplantou o financeiro.

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No entanto, não foram apenas as obras cinematográficas da Marvel que perderam espaço. De acordo com a revista Variety, especializada em entretenimento, a participação total dos filmes norte-americanos na China caiu de 46%, em 2020, para 39%, em 2021. Dos filmes estrangeiros exibidos nos cinemas chineses no ano passado, apenas 28% foram lançados em 2021.

“Os líderes chineses estabeleceram uma meta para que o país se torne uma potência cinematográfica até 2035”, disse Aynne Kokas, professora assistente de Estudos de Mídia da Universidade da Virgínia, ao portal Axios. O PCC permite a exibição de apenas 34 filmes estrangeiros por ano no país.

Dos 200 filmes de maior bilheteria global no ano passado, 44 eram da China, enquanto 80 eram da América do Norte (especialmente Estados Unidos, Canadá e México) e 76 de outras regiões. A maioria dos 44 filmes chineses não obteve bons resultados financeiros quando exibidos no exterior.

Embora o cinema chinês não cative o público estrangeiro, a população local está empolgada com as produções nacionais. O filme de maior bilheteria na história cinematográfica do país, A Batalha do Lago Changjin, glorifica a luta do Exército de Pequim contra os militares norte-americanos na Guerra da Coreia. O longa-metragem arrecadou US$ 840 milhões em 2021.

Há ainda Embrace Again, filme lançado recentemente. A indústria de propaganda usou as estrelas de cinema mais populares da China para emplacar a narrativa preferida de Pequim sobre a pandemia: a luta de um povo corajoso contra um vírus mortal. Além de ocultar as falhas da ditadura comunista na condução da crise sanitária, Embrace Again dominou as bilheterias.

“A história da pandemia na China está sendo escrita pelos filmes apoiados pelo Estado, que têm todos os elementos técnicos de um blockbuster de Hollywood”, salientou Rebecca Davis, em entrevista ao portal Axios.

Leia mais: “Quando o cinema soviético tinha alguma liberdade”

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