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Eixo Pequim-Teerã

'O que se observa é o colapso de uma relação promíscua que serviu como motor de desestabilização da ordem liberal'

china irã pequim teerã - gemini
China e Irã são parceiros comerciais, sobretudo na compra e venda de petróleo | Foto: Montagem/Revista Oeste, via Gemini

A morte de Ali Khamenei, fruto de uma operação de precisão entre Estados Unidos e Israel, não é apenas uma decapitação política, é o ponto de inflexão de uma arquitetura geopolítica que vinha sendo desmontada pelo Ocidente nos últimos 13 meses. O que se observa é o colapso de uma relação promíscua que serviu como motor de desestabilização da ordem liberal: a aliança entre China e Irã.

A parceria entre Pequim e Teerã nunca foi ideológica — o ateísmo de Estado do Partido Comunista Chinês e o fervor dos aiatolás habitam lados opostos. Tratou-se de conveniência: a China garantiu energia barata de um fornecedor desesperado, enquanto o Irã obteve um “pulmão financeiro” para sustentar seu expansionismo. O acordo entre ambos, assinado em 2021, simbolizou esse ápice. Pequim acessou 1,5 milhão de barris diários via uma “frota fantasma” (bandeiras do Panamá e Palau) e sistemas de pagamento em yuan fora do alcance do sistema Swift, financiando tanto a repressão interna quanto redes de terrorismo regional.

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Diante deste cenário, iniciou-se um cerco energético e um desmonte geoeconômico. Enquanto a diplomacia ocupava as manchetes, uma estratégia de atrito era implementada. Os EUA tornaram-se o colchão de segurança energética global, atingindo a marca recorde de 13,6 milhões de barris por dia, superando Rússia e Arábia Saudita. Esse excedente permitiu absorver a remoção do petróleo iraniano sem choques.

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A captura de Nicolás Maduro interrompeu o envio de até 900 mil barris diários subsidiados para a China. Com os EUA assumindo a PDVSA e ajustando preços, a vantagem competitiva chinesa evaporou. Além disso, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros sancionou mais de 180 navios da frota fantasma, bloqueando 60% do suprimento das refinarias teapot de Shandong.

A situação do parceiro da China

A morte de Khamenei ocorreu sob debilidade militar absoluta. Em junho de 2025, a Operação Midnight Hammer — com bombardeiros B-2 Spirit atingindo Fordow, Natanz e Isfahan — atrasou o programa nuclear em dois anos e provou que a China não ofereceria proteção real. O silêncio de Pequim diante do ataque foi um recado amargo para outros aliados de Xi Jinping.

Para além disso, internamente, o Irã é um Estado falido. O rial perdeu 84% de seu valor em 2025 e a inflação de alimentos superou 70%. O colapso do Banco Ayandeh expôs os esquemas Ponzi da Guarda Revolucionária, cujas elites agora movem fortunas para Dubai enquanto a população clama pelo fim da teocracia.

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Pós-Khamenei, o Irã pode tender a uma vassalagem de sobrevivência sob domínio da Guarda Revolucionária, dependente da vigilância chinesa para evitar o colapso total. Contudo, há uma alternativa na mesa: as lideranças militares podem buscar um acordo pragmático com Washington — nos moldes da distensão promovida por Delcy Rodriguez na Venezuela — para preservar seu poder e recursos, isolando a influência clerical em Qom.

A aliança sino-iraniana revelou-se um eixo unido pela necessidade, não por valores. O fim da era Khamenei encerra o fôlego do sonho de hegemonia alternativa de Pequim, provando que a resiliência econômica e militar do Ocidente foi fatalmente subestimada.

Leia também: “A imprevisibilidade da guerra”, artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 313 da Revista Oeste

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