Emenda para proibir aborto é rejeitada em referendo no Kansas

No Estado de maioria conservadora, a decisão da maioria foi por continuar permitindo o procedimento
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Cartaz da campanha antiaborto, que acabou derrotada
Cartaz da campanha antiaborto, que acabou derrotada | Foto: Reprodução/Redes sociais

Os eleitores do Estado norte-americano do Kansas rejeitaram com ampla vantagem, na terça-feira 2, uma emenda para retirar da legislação a permissão ao aborto prevista na Constituição estadual. A vitória do movimento pró-aborto é significativa, porque é a primeira depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou, em junho, a sentença do caso Roe vs. Wade e deixou aos Estados a competência para decidir sobre a regulamentação do aborto.

A decisão do Kansas, de maioria conservadora, mas atualmente governado pela democrata Laura Kelly, vai ao encontro da posição dos democratas e do presidente Joe Biden, que criticaram a decisão da Suprema Corte e têm tentado encontrar formas de garantir o aborto. O resultado do referendo também poderá ter peso nas eleições legislativas, em novembro.

Analistas políticos já davam como certa a aprovação da emenda, uma vez que os apoiadores do Partido Republicano costumam comparecer em maior número às eleições primárias estaduais nos EUA, onde o voto não é obrigatório. No entanto, o comparecimento dos demais eleitores foi maior do que o esperado.

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Com 98% dos votos apurados, 59% dos eleitores votaram pela manutenção do aborto, contra quase 41% que apoiaram a emenda chamada de Value Them Both (Valorize os Dois). O resultado ainda impede que os legisladores do Estado — na maioria, republicanos — aprovem restrições ao que já está previsto na legislação do Kansas, que se tornou um dos principais locais de acesso à prática no centro-oeste norte-americano.

Moradoras do Texas, Oklahoma, Missouri e de outros Estados onde o aborto foi proibido depois da decisão da Suprema Corte têm ido ao Kansas para realizar o procedimento. Uma clínica em Wichita relatou que 60% das pacientes são de outras regiões. Muitas empresas também decidiram patrocinar viagens de funcionárias para fazerem abortos em Estados onde a prática segue permitida.

A votação no Kansas foi a primeira de várias consultas eleitorais que devem ser realizadas neste ano nos EUA. Os Estados da Califórnia, Kentucky, Vermont e, provavelmente, Michigan deverão incluir o tema em suas votações nos próximos meses.

O presidente dos EUA, Joe Biden, disse que o resultado do referendo mostrou que “a maioria dos norte-americanos concorda que as mulheres devem ter acesso ao aborto”.

“Terra do aborto irrestrito”

A porta-voz de uma associação antiaborto chamada Pro-Life America Susan B. Anthony, Mallory Carroll, considerou a derrota da emenda uma “grande decepção” e criticou os defensores do aborto, por abafar a “verdade” com “mentiras”.

“A perda desta noite é uma grande decepção para os canadenses e norte-americanos pró-vida em todo o país”, disse Mallory. “A mensagem do lobby do aborto aos eleitores estava repleta de mentiras que acabaram por abafar a verdade. Por causa dos resultados desta noite, o Kansas poderá em breve se tornar a terra do aborto irrestrito sob demanda — mesmo aborto tardio sem limites, pago pelos contribuintes. O povo e seus legisladores eleitos agora não têm recursos para usar as ferramentas da democracia para promulgar leis que reflitam o consenso.”

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