Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam a extensão das relações entre o criminoso sexual Jeffrey Epstein e diversas figuras da elite francesa.
Um diplomata francês, citado mais de 200 vezes nos arquivos norte-americanos, é acusado de repassar informações confidenciais a Epstein. “Estupefato” com o caso, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, confirmou ter encaminhado os “fatos presumidos” à Justiça do país.
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Segundo a imprensa local, as autoridades identificaram o diplomata como Fabrice Aidan. Ele trabalhou na Organização das Nações Unidas (ONU) durante os anos 2010 e atualmente ocupa cargo executivo na Engie, empresa francesa do setor energético. Depois das revelações, a companhia anunciou a suspensão do funcionário.
De acordo com as reportagens do Mediapart e da Radio France, o FBI e a ONU investigaram Aidan em 2013 por acessar sites de pedofilia.
Na segunda-feira 9, antes de o governo francês reconhecer oficialmente o caso, o presidente Emmanuel Macron tentou minimizar a crise. Interpelado por um jornalista, afirmou que o caso “diz respeito sobretudo aos EUA” e que “a Justiça deve agir lá”.
A estratégia, no entanto, não funcionou — e a porta-voz do governo, Maud Bregeon, teve de se pronunciar. Nesse sentido, incentivou as vítimas a prestarem queixa, mas fez questão de ressaltar que o Executivo não deve interferir no Judiciário.
Epstein já mantinha vínculos com a França
O atual envolvimento de franceses com Epstein não é inédito. Ghislaine Maxwell, cúmplice do criminoso e condenada a 20 anos de prisão nos EUA, nasceu na França e circulava na alta sociedade de Paris.
Além disso, pelo menos dez mulheres francesas já relataram ter sido vítimas de Epstein. Em 2022, agentes encontraram o agente de modelos Jean-Luc Brunel morto em uma prisão de Paris.
As revelações ainda derrubaram o político Jack Lang, de 86 anos. Ex-ministro da Cultura e da Educação, Lang presidia até este fim de semana o Instituto do Mundo Árabe, fundação financiada pelo Estado francês.
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No dossiê, Lang aparece em um vídeo com Epstein diante do Museu do Louvre. Também veio à tona que sua filha era sócia do norte-americano em uma offshore em paraíso fiscal.
Ela alegou desconhecer a sociedade, mas renunciou ao cargo que ocupava em uma ONG voltada à militância LGBT. Lang afirmou estar “branco como a neve” e negou qualquer envolvimento ilegal.
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