Estudo no Chile mostra que vacinados com CoronaVac têm baixa quantidade de anticorpos

Pesquisa apresenta dados sobre a resposta imune dos vacinados — o que, pelo menos agora, não foi divulgado pelo Instituto Butantan
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CoronaVac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, foi analisada em estudo no Chile
CoronaVac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, foi analisada em estudo no Chile | Foto: Adriana Toffetti/a7 Press/Estadão Conteúdo

Um estudo conduzido por pesquisadores chilenos e da Sinovac — laboratório chinês que produziu a CoronaVac, vacina aplicada também no Brasil — indica que as pessoas vacinadas com o imunizante desenvolveram anticorpos para a covid-19, mas em baixa quantidade. As informações foram publicadas pelo biólogo Fernando Reinach em sua coluna deste sábado, 3, no jornal O Estado de S.Paulo.

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Os dados coletados fazem parte dos estudos de fase 3 da CoronaVac no Chile e ainda são preliminares (clique aqui para ler o estudo). Dele participaram 434 pessoas, mas as análises de imunogenicidade foram feitas em apenas 190 voluntários. Destes, 173 tinham de 18 a 59 anos, e 17, 60 anos ou mais. Entre os mais jovens, 132 receberam a CoronaVac, e 41, um placebo. Entre os mais velhos, 14 receberam a vacina, e três, o placebo. A pesquisa apresenta dados sobre a resposta imune dos vacinados — o que, pelo menos até o momento, não foi divulgado pelo Instituto Butantan, que produz a vacina chinesa no Brasil.

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“Os cientistas mediram a presença de anticorpos neutralizantes, aqueles que são capazes de bloquear a entrada do vírus na célula humana. A CoronaVac também é capaz de gerar esses anticorpos tanto em jovens como em pessoas mais velhas, mas a quantidade gerada é muito baixa pois eles deixam de ser detectados se o soro for diluído mais do que 16 vezes”, aponta Reinach. “Os cientistas tentaram medir a resposta das células T em pessoas vacinadas, mas os resultados, apesar de positivos, não parecem ser suficientes para concluir que a CoronaVac produz uma resposta celular potente”, prossegue o biólogo.

“A conclusão é a de que os vacinados no Chile com a CoronaVac possuem os anticorpos necessários para combater o Sars-CoV-2, mas em baixa quantidade, o que está de acordo com a baixa eficácia da vacina (50%). Essa baixa quantidade de anticorpos também deixa em aberto a possibilidade de a CoronaVac ser menos eficaz, ou mesmo ineficaz, contra as novas variantes.”

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Em seu texto, Reinach também afirma: “O resultado que chama a atenção é que a CoronaVac não gera anticorpos contra a proteína N, apesar de essa proteína estar presente na vacina. Esses anticorpos são produzidos em abundância quando as pessoas são infectadas pelo Sars-CoV-2”. Ele explica: “Anticorpos contra a proteína N são os anticorpos medidos nos ensaios sorológicos para saber se uma pessoa já foi infectada. Não se sabe o papel desses anticorpos na proteção contra o vírus. De prático, isso significa que os testes sorológicos de rotina não são capazes de identificar pessoas que tomaram a CoronaVac”.

Reinach encerra o artigo ressalvando que “de qualquer modo, a CoronaVac é segura e, apesar dessas características, deve ser tomada por todos assim que possível”. “No futuro, ela provavelmente será substituída por vacinas que oferecem maior proteção”, finaliza.

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