Os Estados Unidos (EUA) exigem que o Irã desmonte seus três principais complexos nucleares, Fordow, Natanz e Isfahan, e transfira parte do seu estoque de urânio enriquecido para fora do país. Durante a terceira rodada de negociações em Genebra, nesta quinta-feira, 26, um integrante do alto escalão iraniano afirmou que um acordo é possível se as questões nucleares e não nucleares forem tratadas separadamente.
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O encontro, na Embaixada de Omã na Suíça, reuniu, entre outros, os representantes dos EUA, Jared Kushner e Steve Witkoff, e o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Al Busaidi.
Hamidreza Azizi, pesquisador do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP), em Berlim, declarou, segundo a Newsweek, que Teerã pode oferecer concessões maiores do que nas negociações anteriores, inclusive antes da guerra de 12 dias com Israel. Tudo dependerá do tipo de alívio de sanções que os EUA estejam dispostos a conceder.
As negociações foram descritas como “intensas e sérias”. De acordo com interlocutores, nenhuma proposta extremada está prevalecendo. O Irã reiterou que um acordo depende da distinção entre temas nucleares e não nucleares. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, negou que o governo do Irã tenha oferecido suspender o enriquecimento e disse que os EUA não pediram para zerar a produção.
O histórico do programa nuclear iraniano ainda gera suspeitas. Em junho de 2025, ataques ordenados pelo presidente Donald Trump atingiram Fordow, Natanz e um centro de pesquisa perto de Isfahan. Trump afirmou que os ataques “aniquilaram” o programa nuclear iraniano, embora a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) tenha registrado que grandes quantidades de urânio permanecem no país.
Dias antes dos ataques, o Irã havia enriquecido 972 libras de urânio a 60% de pureza, próximo do nível necessário para armas nucleares (90%), ante 605,8 libras em fevereiro de 2025. A ação dos EUA complementou uma sequência de bombardeios israelenses a instalações iranianas, iniciados em 12 de junho daquele ano.
Na ocasião, a Defesa dos EUA estimou que o país poderia produzir urânio suficiente para sua primeira bomba em menos de uma semana, embora a fabricação completa de um artefato nuclear leve mais tempo. O Irã, por sua vez, diz que seu programa é pacífico. Imagens de satélite de janeiro mostram construções sobre estruturas danificadas em Natanz e Isfahan, possivelmente para proteger o material restante.
EUA e o acordo anterior com o Irã
Desde o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), de 2015, o Irã deveria limitar o estoque de urânio e permitir fiscalização da Aiea em troca de alívio de sanções. Com a retirada de Trump do acordo em 2018, que incluía potências da Europa, e sanções severas, o país retomou e intensificou o enriquecimento. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que o Irã representa uma “ameaça muito grave” devido a suas ambições nucleares e capacidades militares.
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Segundo Azizi, Teerã poderia suspender seu programa de enriquecimento por alguns anos, ampliar a fiscalização da Aiea e até transferir parte do urânio altamente enriquecido a parceiros confiáveis, como Omã ou Rússia. Porém, a exigência de enviar todo o estoque para fora do país dificilmente seria aceita. O objetivo iraniano seria manter um programa simbólico. Inclusive para preservar a imagem do regime, dentro e fora do país.
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