publicidade
Mundo

Filho de fundador do Hamas afirma que 'identidade palestina' não existe

Mosab Hassan Yousef, ex-agente do Shin Bet, se manifestou contra a intenção de países como Reino Unido, França, Canadá e Portugal de reconhecer o Estado Palestino

Mosab Hasan Yousef filho do fundador do Hamas
Yousef, filho do fundador do Hamas. se tornou colaborador de Israel | Foto: Reprodução/YouTube

O jornal britânico The Telegraph publicou na edição deste domingo, 21, um extenso perfil de Mosab Hassan Yousef, filho do fundador do Hamas, que se transformou em um crítico ferrenho dos palestinos e da ideia de um Estado da Palestina.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Receba nossas atualizações

Inicialmente envolvido com os terroristas do Hamas, Yousef foi detido por contrabando de armas na juventude. Depois desse período na prisão, decidiu colaborar secretamente com o serviço de inteligência israelense, Shin Bet, infiltrando-se na organização liderada por seu próprio pai durante quase uma década.

+ Filho do fundador do Hamas participa de evento em São Paulo e explica como foi sua transformação

Conhecido como Príncipe Verde, Yousef forneceu informações cruciais para Israel, revelando detalhes sobre atentados e ataques que marcaram um dos momentos mais violentos do conflito entre israelenses e palestinos. 

Desde então, tornou-se um dos principais críticos do movimento nacionalista palestino, e tem afirmado que a Palestina é uma “construção artificial” e que a identidade palestina teria se tornado um fardo para o próprio povo.

Críticas à identidade palestina e ao reconhecimento internacional

Enquanto países como Reino Unido, França, Canadá e Portugal se preparam para reconhecer formalmente a Palestina como Estado, durante a Assembleia Geral da ONU, que está sendo realizada em Nova York, Yousef insiste que essa entidade não existe de fato. 

Ele argumenta que o “palestinianismo” consiste em um movimento político violento, sustentado por pessoas que se beneficiam do conflito e defende que não há mais distinção entre Hamas e palestinos.

Yousef rejeita completamente a identidade com a qual cresceu e considera o ataque terrorista de 7 de outubro e o contra-ataque israelense a Gaza como consequências de uma cultura baseada em violência e vitimização. 

+ Filho do fundador do Hamas alerta: ‘Querem acabar com os judeus’

“A maioria dos estupros, atrocidades, decapitações, queima de pessoas, cadáveres em chamas. A maioria das atrocidades que aconteceram foram cometidas por civis de Gaza, não pela ala militar do Hamas. O Hamas não conseguiu controlar isso”, afirmou Yousef ao Telegraph.

Durante o período em que viveu na Cisjordânia, Yousef presenciou figuras como Yasser Arafat incentivando seu pai a intensificar a luta armada durante a segunda intifada, que resultou em mais de 4 mil mortes. Na prisão, lidou com documentos de Yahya Sinwar, que mais tarde arquitetou o massacre de 7 de outubro. Sua atuação como agente do Shin Bet é reconhecida por ter impedido dezenas de ataques e mortes de ambos os lados.

Filho do fundador do Hamas explica fanatismo e doutrinação na Palestina

O ex-espião vê o ataque de 7 de outubro como uma consequência inevitável de décadas de doutrinação e de exaltação do martírio. Ele considera que o fanatismo começou com líderes como seu pai, que, apesar das qualidades pessoais, cederam à lógica da violência. Amigos relatam que Yousef ficou profundamente abalado ao ver imagens do pai celebrando os ataques recentes.

Hamas Faixa de Gaza terrorismo
Hamas fez ataque terrorista contra Israel em 7 de outubro de 2023 | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

“Eles aceitaram a violência porque achavam que seria traição dizer ‘não’. Ninguém fala contra isso. Mesmo nas redes sociais, ninguém se manifesta. Parece que todos são cúmplices”, disse Yousef. Embora reconheça o sofrimento da população de Gaza e a possibilidade de crimes de guerra, ele atribui a tragédia a décadas de culto à violência e ao martírio.

Ao analisar a trajetória do Hamas, Yousef lembra que o movimento já protagonizou duas intifadas e, agora, aposta em uma destruição ainda maior, sacrificando civis em nome da causa. Para ele, a estratégia de Sinwar é levar a situação ao extremo, o que, segundo Yousef, explica os eventos recentes.

Exílio nos EUA

Seu histórico inclui críticas anteriores a Israel, mas depois de romper com a família e se exilar nos Estados Unidos, relatou sua experiência no livro “Son of Hamas”, publicado em 2010. O rompimento com os pais e irmãos foi definitivo, e Yousef admite que causou grande sofrimento à família, mas não se arrepende do caminho seguido, pois acredita que salvou vidas, inclusive a do próprio pai, hoje em liberdade.

Apesar do tom firme em debates públicos, pessoas próximas descrevem Yousef como generoso e não violento, alguém que busca uma solução para o conflito. O próprio Yousef destaca o princípio de salvar vidas como central em sua atuação, sem se preocupar com números exatos.

Ele declarou ao Telegraph: “O mais importante, eu salvei minha própria vida. Em segundo lugar, salvei a vida do meu pai. Terceiro, salvei, não apenas vidas civis, mas até mesmo algumas vidas de terroristas. Eu não queria me envolver em sangue. Eu pensei que a melhor maneira é salvar a vida, tanto quanto você pode em ambos os lados, porque você não pode dar errado salvando uma vida humana. Então, era uma questão de princípio, [embora] eu não tenho certeza sobre os terroristas agora”.

Sobre sua vida pessoal, Yousef foi apontado como convertido ao cristianismo, mas esclarece que não adotou formalmente a religião.

Leia também: O Ocidente é cúmplice na tortura de reféns pelo Hamas, artigo de Brendan O’Neil, da Spidek, publicado na Edição 283 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. Jonas Ferreira do Nascimento
    Jonas Ferreira do Nascimento

    Ótimo artigo. Louvável a coragem desse palestino.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.