Livro de George Orwell, 1984 é sobre liberalismo, diz diplomata russa

Maria Zakharova acredita que o Ocidente vive de fantasias
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Livro 1984 de George Orwell
Livro 1984 de George Orwell | Foto: Reprodução/ Flickr

A distopia 1984, de George Orwell, descreve os perigos do liberalismo ocidental, e não do totalitarismo. A fala é da diplomata russa Maria Zakharova, durante uma palestra no sábado 21, na cidade de Yekaterinburg, no leste da Rússia.

“Essa é uma das maiores falsificações globais”, disse Maria. “Orwell escreveu sobre o fim do liberalismo e como essa filosofia política levaria a humanidade a um beco sem saída.”

Publicada em 1949, a obra foi interpretada como um alerta para as consequências do totalitarismo e da vigilância estatal sobre a sociedade, traços característicos de uma ditadura. Para Maria, o autor não descreveu a União Soviética.

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Segundo ela, no livro, o autor discorre sobre a sociedade em que viveu, em meio ao colapso das ideias do liberalismo. Dessa forma, os russos foram levados a acreditar que Orwell se referia a eles.

Durante o evento, um ouvinte perguntou a Maria como ele poderia explicar a amigos que a Rússia não está vivendo a distopia de Orwell. “Os ocidentais vivem em um mundo de fantasia, onde uma pessoa pode ser cancelada”, rebateu a diplomata.

Essa não é a primeira vez que as autoridades russas criticam o liberalismo. Em 2019, o presidente Vladimir Putin declarou ao jornal britânico Financial Times que o liberalismo é “ultrapassado”.

Propaganda russa

Ao justificar a invasão russa à Ucrânia como um meio de “libertar” o país, a campanha midiática do Kremlin foi comparada à frase mais memorável de 1984: “Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força”.

Recentemente, as vendas da obra aumentaram 75% na Rússia. Também existem relatos de que soldados russos estariam lendo a obra de Orwell. Ao retornar para casa depois de um mês, um casal ucraniano observou que uma cópia de 1984 estava aberta em cima do sofá, sugerindo que os soldados o leram.

George Orwell 1984
Livro 1984, de George Orwell, edição da Via Leitura | Foto: Rute Moraes/ Revista Oeste

De acordo com o jornal britânico The Guardian, Viktor Golyshev, o tradutor de 1984 do inglês para o russo, contrariou a afirmação de Maria. “É um romance sobre um estado totalitário”, disse Golyshev. “Quando Orwell o escreveu, os Estados totalitários já estavam em declínio, mas entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, metade da Europa tinha governos totalitários. Na época, não houve declínio do liberalismo.”

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7 comentários Ver comentários

  1. Todos jovens tem glamour pelo socialismo, ao lerem 1984 e Revolução dos Bichos do próprio autor, terão visão mais ampla da democracia ou capitalismo segundo a cartilha do socialismo, tão execrada pela esquerda caviar.

  2. Círculos da elite nos EUA e Europa, juntamente com seus think tanks, refinaram métodos para impor uma nova tirania a países da Ucrânia ao Egito, Líbia e além. O objetivo é usar as aspirações democráticas de pessoas comuns, muitas vezes jovens, para derrubar regimes que resistam ao que David Rockefeller uma vez chamou de Governo Mundial Único, uma tirania corporativa global. Daí, ONGs seletas falam sobre liberdade, direitos humanos, democracia para trazer guerra, violência e terror. Sem o entendimento desses mecanismos fica muito difícil perceber como somos manipulados nas nossas escolhas, nas nossas opiniões e até no nosso paladar. George Orwell no seu magistral romance de um estado que impõe dissonância cognitiva a seus cidadãos para controlar sua percepção da realidade, foi praticada pelas agências de inteligência dos EUA, incluindo a CIA e o Departamento de Estado, em colaboração com as tais ONGs de “democracia” que desenvolveram e refinaram as técnicas de duplipensamento orwelliano. William Casey, diretor da CIA no governo Reagan, foi quem levou à criação dessas ONGs para manipular secretamente as aspirações de liberdade e democracia da Polônia e outros países comunistas no final da década de 1980. O refinamento do que veio a ser chamado de ‚Revoluções Coloridas‘ nos primeiros anos de 2000 na Ucrânia, Geórgia e mais tarde com a ‚Primavera Árabe‘ orquestrada pelos EUA, são exemplos recentes dessa manipulação.

  3. Formei-me em uma universidade pública e, bem no início do meu curso, foi-nos sugerida a leitura de 1984 (como fichamento). A despeito do absoluto simbolismo e conexão com a realidade de países fascistoides-socialistas, todos os “intelectuais discentes” apontavam, pasmem, para uma suposta crítica do capitalismo por Orwell.
    Essa jogada semiótica da esquerda em distorcer a realidade a seu bel prazer, justamente para encobrir a quantidade de M que já fizeram na história é ensaiada e reproduzida na cabeça da população (em especial, novamente, nas escolas e universidades públicas).

  4. Distorcer a realidade é exatamente o papel do comunismo. Dizer que branco é preto e que o preto é branco e o povo tem que ser enxovalhado com isso até que comece a achar que ele, o povo é que está equivocado.

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