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Queda de Maduro é mais uma derrota da esquerda na América do Sul

Prisão do ex-ditador venezuelano abre caminho para transição apoiada pelos EUA

Nicolás Maduro
Nicolás Maduro foi preso neste sábado, 3, depois de uma operação dos EUA na Venezuela | Foto: Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

A captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos neste sábado, 3, redefiniu o equilíbrio político da América do Sul. E representou mais uma derrota para a esquerda no subcontinente. Com o possível colapso do regime chavista na Venezuela, e a perspectiva de uma transição orientada por Washington, a região caminha para uma maioria de governos alinhados à direita ou ao centro-direita a partir de 2026.

Maduro está sob custódia federal em Nova York. Ele chegou ao Metropolitan Detention Center, no Brooklyn, na noite deste sábado, sob escolta reforçada de autoridades norte-americanas. O ex-ditador responde a acusações de narcoterrorismo e crimes relacionados a armas no Distrito Sul de Nova York.

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A queda do bolivariano encerra um ciclo iniciado em 2013. Durante mais de uma década, a Venezuela funcionou como eixo político, financeiro e ditatorial da esquerda latino-americana. Com Maduro preso e sem acesso a recursos, essa estrutura perdeu capacidade de influência regional.

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No momento, o futuro governo venezuelano ainda não foi definido — apesar de a vice de Maduro, Delcy Rodriguez ter sido nomeada presidente interina pelas Forças Armadas e pelo Poder Judiciário local. A expectativa, porém, é de que os Estados Unidos tenham papel central na condução da transição. Washington é hoje comandada por Donald Trump, presidente alinhado à direita, o que indica apoio à oposição venezuelana, historicamente situada no campo conservador.

Caso esse cenário se confirme, a Venezuela passará a integrar o bloco de países governados por forças de direita ou centro-direita. Isso elevaria esse grupo a sete na América do Sul, superando numericamente os governos de esquerda.

No Chile, a direita venceu a esquerda

Em dezembro, a eleição de José Antonio Kast no Chile, de direita, iniciou o realinhamento continental. Ele assume em 11 de março e encerra o mandato de Gabriel Boric. A campanha priorizou segurança pública e controle da imigração irregular, pautas conservadores.

Leia também: “Venezuelanos festejam queda de Maduro no Chile, Espanha e Argentina

Com Kast, o Chile se aproximou de outros países sul-americanos que já haviam migrado para plataformas conservadoras. Hoje, Argentina, Equador, Paraguai, Peru e Bolívia são governados por líderes de direita ou centro-direita. Brasil, Colômbia, Guiana, Uruguai e Suriname permanecem sob administrações de esquerda ou centro-esquerda. Há, ainda, a Guiana Francesa, território ultramarino controlado pela França, que Emmanuel Macron, de centro-esquerda, como presidente.

A possível incorporação da Venezuela a esse grupo ampliaria a vantagem conservadora no continente. O presidente da Argentina, Javier Milei, resumiu o momento em uma publicação nas redes sociais: “A esquerda retrocede. A liberdade avança”.

O cenário contrasta com o domínio quase absoluto da esquerda na década passada. A prisão de Maduro marca o ponto de virada mais simbólico desse ciclo e tende a consolidar uma nova correlação de forças na América do Sul.

Prisão em Nova York enfraquece ditadura de Maduro

Antes de seguir para o presídio no Brooklyn, Maduro passou por procedimentos formais em instalações da agência antidrogas dos Estados Unidos, em Manhattan. O deslocamento aéreo ocorreu sob forte aparato de segurança e teve acompanhamento de emissoras locais.

Além do ex-ditador, Cilia Flores, sua mulher, responde às acusações no mesmo processo. O Ministério Público norte-americano sustenta que o núcleo do antigo governo da Venezuela integrava uma rede internacional de tráfico de drogas. A denúncia também inclui Nicolás Ernesto Maduro Guerra, filho do casal preso nos EUA.

A operação aprofundou o isolamento do chavismo. Sem controle institucional e sem respaldo financeiro, a cúpula chavista deve perder a capacidade de coordenação dentro e fora da Venezuela. Trump afirmou que os envolvidos que o desafiarem enfrentarão “todo o peso da Justiça norte-americana”.

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