Shell concorda com mais impostos sobre a indústria petrolífera

Declaração foi feita em conferência sobre energia

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Mais impostos poderiam beneficiar os mais pobres, defende o presidente-executivo da Shell
Mais impostos poderiam beneficiar os mais pobres, defende o presidente-executivo da Shell | Foto: Reprodução

O presidente-executivo da multinacional britânica Shell, Ben van Beurden, defendeu nesta terça-feira, 4, o aumento de impostos sobre a indústria de petróleo e gás como uma forma de ajudar a proteger os consumidores dos preços mais altos da energia.

No Reino Unido, as contas de energia aumentaram muito neste ano, desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, e os aumentos podem passar de 80%. Para o executivo, o governo deve agir com ênfase na proteção das pessoas pobres, que usam gás, em vez de intervenção direta no mercado.

Em uma conferência sobre energia, Beurden também afirmou que um teto de preço do petróleo russo, que está sendo avaliado pelos governos ocidentais, pode ser difícil de implementar. Limitar o preço do produto — uma ideia defendida por autoridades norte-americanas e europeias — seria um “real desafio de implementação”, disse ele, acrescentando que tentar controlar os preços em mercados sofisticados de commodities traz riscos.

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As declarações são feitas algumas semanas depois de a Shell informar que Beurden vai se aposentar no fim deste ano, depois de quase quatro décadas na petrolífera londrina.

Sobre a internação do governo, com mais impostos, Beurden disse que essas medidas de “inevitáveis”. Ele acrescentou que os investidores da Shell atualmente são mais compreensivos do que nos últimos anos sobre os esforços da empresa para equilibrar a produção de petróleo e gás com sua estratégia de transição para mais fontes de energia renovável. Ainda assim, ele acrescentou: “Tenho de lembrar aos investidores que ainda estamos investindo uma quantia significativa de dinheiro em petróleo e gás”.

Beurden comentou, ainda, sobre os ataques aos gasodutos Nord Stream, sob o Mar Báltico, descobertos na segunda-feira 26. Segundo ele, a Europa deveria estar pronta para mais ataques às principais infraestruturas de energia, possivelmente colocando em risco o fornecimento e a distribuição de energia, e que mais esforços deveriam ser feitos para prevenir tais danos. “Acho que não podemos ser complacentes com isso”, disse ele.

Quatro vazamentos foram descobertos nas tubulações do Nord Stream, entre a Rússia e a Europa, e são considerados como resultado de sabotagem. Ainda não se sabe como os estragos foram feitos e quem os fez.

A conferência de três dias chamada de Fórum de Inteligência Energética, que se originou na década de 1980, tem como tema a geopolítica da energia, que envolve a guerra na Ucrânia e o aumento dos preços de energia. Os participantes, ao entrarem no hotel onde é realizado o evento, passaram por um grupo de ambientalistas que protestava contra a continuidade da produção de petróleo e gás.

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1 comentário Ver comentários

  1. Se os aumentos passarem de 80% haverá seguramente uma diminuição do consumo. As empresas já estão se preparando para pedir ajuda ($) ao governo para impedir que diminuam suas margens de lucro, mesmo com menor consumo. Em qualquer decisão, quem pagará a conta é o consumidor final, às vezes chamado de povo.

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