As declarações do escritório da advogada Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o contrato com o Banco Master não convenceram a bancada do PL na Câmara dos Deputados. Um dos que se incomodaram com as explicações foi o deputado federal Bibo Nunes (PL-RS). A Oeste, ele contestou a nota divulgada nesta segunda-feira, 9.
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“As explicações dela são totalmente infundadas”, afirmou o parlamentar. “Especialistas de mercado dizem que os valores do contrato estão totalmente fora da realidade. Além dela, há dois filhos também no escritório. Sem fundamento algum.” Ele se referia a Alexandre Barci de Moraes e Giuliana Barci de Moraes, filhos do casal, que, ao lado de Viviane, atuam no escritório de advocacia da família.
Segundo Bibo Nunes, nas últimas semanas vem ocorrendo um acúmulo de fatos que têm afundado ainda mais a credibilidade do STF. “O STF nunca esteve tão desacreditado, tão maculado como agora, graças à atuação de alguns ministros totalmente politizados, que agem pela força política, e não pela força jurídica”, destacou Bibo Nunes. “E os principais destaques aí são Alexandre de Moraes e ‘Noites Toffoli’.” Com ironia, ele explicou a denominação que deu ao ministro Dias Toffoli. “Eu o chamo agora de Noites Toffoli, porque está escurecendo a vida dele.”
Os fatos a que ele se refere, que envolveram os ministros, vêm ocorrendo desde o fim do ano passado. Primeiro surgiu a informação de que uma empresa ligada a Dias Toffoli, então relator de processo relacionado ao Banco Master, negociou com um dos fundos vinculados à instituição. O ministro negou irregularidades.
Depois veio a suspeita de que Alexandre de Moraes trocou mensagens com Daniel Vorcaro, dono do Master, no dia da primeira prisão do banqueiro. Em seguida, foi divulgada a nota do escritório de Viviane Barci a respeito dos serviços prestados ao banco.
Na nota, foram descritos os serviços realizados, mas não os valores cobrados. Segundo o texto, a Barci de Moraes declarou que nunca conduziu nenhuma causa da instituição financeira de Daniel Vorcaro no STF.
O escritório delimitou sua atuação entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, quando o banco foi liquidado. Também relatou que a equipe era composta de 15 advogados. O jornal O Globo informou que o contrato estabelecia um valor de R$ 129 milhões por três anos, cifra que, segundo especialistas, estaria bem acima da média do mercado.
Master e CPMI do INSS
Bibo Nunes acredita que, mesmo pressionado em função das denúncias, Moraes vai manter sua postura no julgamento de recursos dos acusados de participar dos atos de 8 de janeiro. “Aliás, esses réus são inocentes”, ressaltou o deputado. “A questão dos escândalos do Banco Master e do Instituto Nacional do Seguro Social [INSS] é que envolve muito os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.”
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Outro ministro da Corte, Flávio Dino, intercedeu na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. Ele suspendeu a quebra de sigilos bancário e fiscal de investigados, entre eles Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do atual presidente da República, por entender que a comissão aprovou os requerimentos em bloco, sem fundamentação específica, o que travou a investigação parlamentar.
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