A defesa de Débora dos Santos, de 39 anos, se manifestou, neste sábado, 29, sobre a cabeleireira ter deixado o Centro de Ressocialização Feminino de Rio Claro, no interior de São Paulo, para cumprir prisão domiciliar.
Em nota, os advogados Hélio Júnior e Tanieli Telles afirmam que a “soltura de Débora é o reconhecimento tardio de uma grave injustiça”. A trabalhadora deixou o presídio às 20h desta sexta-feira, 28, e já está reunida com seu marido e os dois filhos menores de idade em Paulínia, também no interior paulista.
Receba nossas atualizações
“Há mais de dois anos, Débora esteve privada de sua liberdade, afastada de seus filhos, do seu marido e de sua família, submetida a um processo marcado por arbitrariedades e desproporcionalidades”, destacou a defesa da cabeleireira. “Hoje, conseguimos um avanço, mas não podemos nos calar diante das severas restrições impostas, que ferem direitos fundamentais e demonstram que ainda há um longo caminho pela frente para a verdadeira justiça.”
+ Débora dos Santos deixa presídio, depois de 2 anos detida
Os advogados afirmam que, depois de uma longa espera, a cabeleireira “reencontrou sua família, mas sob condições rigorosas”. Débora conseguiu a prisão domiciliar mediante imposição de medidas cautelares pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“As condições incluem a proibição de se expressar publicamente, proibição de receber qualquer visita, exceto dos seus advogados e familiares mais próximos”, sinalizam os advogados. “Sob pena de revogação da liberdade e imediata nova prisão, o que reforça a tentativa de silencia-la de todas as formas.”

Hélio Júnior e Tanieli Telles declaram que seguem “firmes na luta” para defender seus direitos fundamentais e garantias constitucionais de Débora, assim como sua plena liberdade e pela restauração de seus direitos. Os advogados alertaram que vão tentar revogar as medidas cautelares impostas.
“A decisão de liberdade hoje é um passo, mas a nossa luta não termina aqui. Débora Rodrigues merece justiça, não apenas alívio”, prossegue a dupla. “É inegável que hoje Débora torna um símbolo nacional de que os presos e exilados políticos merecem a anistia, diante de tanta injustiça que ainda sofrem.”
Moraes concede prisão domiciliar a Débora dos Santos
Débora foi detida em 2023 por ter escrito com batom “perdeu, mané” na estátua da Justiça, que fica em frente à sede do STF em Brasília, durante os atos de 8 de janeiro.
Leia mais:
A decisão de Moraes seguiu o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou a favor da substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, destacou que Débora preenche os requisitos para a prisão domiciliar, mas não para a revogação completa da pena. A defesa argumentou que Débora é mãe de duas crianças menores de 12 anos, o que fundamentaria a substituição da prisão.
“Os requisitos estabelecidos no artigo 318-A do Código de Processo Penal estão atendidos, já que os crimes não foram praticados contra filhos ou dependentes da requerente e não há provas de envolvimento da ré em crimes contra a vida”, disse Gonet no parecer da PGR encaminhado ao STF.
Moraes acatou a recomendação e determinou: “Diante de todo o exposto, com fundamento no art. 318, V, do Código de Processo Penal, substituo a prisão preventiva de Débora dos Santos pela prisão domiciliar, a ser cumprida em seu endereço residencial, acrescida da imposição das seguintes medidas cautelares (art. 318-B, do Código de Processo Penal): (1) uso de tornozeleira eletrônica, nos termos do inciso IX do Artigo 319 do Código de Processo Penal, a ser imediatamente instalada como condição de saída da presa das dependências da unidade prisional”.
Leia também: “A marcha da insensatez”, artigo de J. R. Guzzo publicado na Edição 262 da Revista Oeste
A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].
Bolsonaro diz que prisão domiciliar de Débora Rodrigues foi ‘recuo tático’ da PGR
GloboNews justifica pena de Débora: ‘Não é apenas um batom’
Oposição comemora decisão que concede prisão domiciliar a Débora dos Santos
Pobre Débora. Finalmente no lar.
A desproporcionalidade das medidas e o excessivo empenho em impor o silêncio pode ser visto, não como um sinal de força mas, pelo contrário uma demonstração de fraqueza. Devem sentir-se ameaçados em seu aparentemente imenso poder por eventuais entrevistas e manifestações da cabeleireira. O castelo de ditadores tem alicerces de barro.
A crueldade contra Débora foi pelo menos arrefecida no momento que ela retorna ao lar mas segue presente diante de todas as restrições de liberdade que deve se submeter.