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No Ponto

Encarceramento prolongado, limitação de visitas: dossiê revela abusos a presos do 8/1

Documento de comissão do Senado denuncia ainda superlotação, demora na progressão de regime e dificuldades para transferências

manifestações - cpmi do 8 de janeiro - impeachment
Manifestantes sobem a rampa do Congresso Nacional, em 8 de janeiro de 2023 | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

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Relatório sobre inspeções em presídios que abrigam condenados pelos atos de 8 de janeiro revela problemas na execução penal e dificuldades na manutenção de vínculos familiares

Nesta quarta-feira, 15, a Comissão de Direitos Humanos do Senado, presidida pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), divulgou um relatório de inspeções realizadas em presídios que abrigam condenados pelo 8 de janeiro.

O trabalho, que contém relatos de manifestantes em penitenciárias do Distrito Federal e do Paraná, aponta violações de direitos, entre eles entraves para progressão de regime e dificuldades para visitas de familiares.

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As inspeções foram realizadas depois de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O juiz do STF, contudo, permitiu apenas a presença de Damares, mais um asessor, e proibiu quaisquer registros audiovisuais. Além disso, limitou as visitas a três manifestantes por dia.

+ Moraes arquiva processo que concentrou prisões do 8 de janeiro

Conclusões do relatório sobre os presos do 8 de janeiro

O relatório evidenciou que parte significativa dos presos apresentava histórico de vida familiar e profissional estável antes das condenações.

O encarceramento prolongado, no entanto, tem produzido impactos que atingem também parentes, sobretudo filhos menores, cônjuges idosos e aqueles que dependiam financeiramente do apenado.

“A manutenção prolongada de pessoas que não apresentam histórico de violência, não integram organizações criminosas e não representam risco concreto à ordem pública em ambientes de encarceramento coletivo demanda reflexão à luz dos princípios da proporcionalidade, da individualização da pena e da dignidade da pessoa humana”, ressaltou o documento.

O dossiê recomendou às autoridades que analisem, “com a máxima brevidade”, a possibilidade de aplicação de medidas alternativas ao cárcere, quando juridicamente cabíveis, e avaliem pedidos de transferência para as unidades próximas às familiares.

Principais pontos da pesquisa

  • Relatos de superlotação em parte das unidades visitadas, com presos que dormem no chão;
  • Dificuldades relacionadas à progressão de regime e à aplicação da Lei nº 15.402/2026 (Lei da Dosimetria);
  • Pedidos de transferência para presídios próximos às famílias, especialmente nos casos de presos do Acre, Bahia e São Paulo;
  • Impactos psicológicos, familiares e profissionais decorrentes do encarceramento prolongado;
  • Recomendação para análise individualizada da situação de cada condenado, observando a retroatividade da lei penal mais benéfica;
  • Encaminhamento do relatório ao STF, CNJ, Ministério Público, Defensoria Pública da União, Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Conselho Federal da OAB e demais órgãos competentes.

Entre as recomendações, a comissão também solicitou autorização do Supremo para realizar novas diligências em presídios de outros Estados e uma audiência institucional entre Damares e Moraes para apresentação do texto.

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1 comentário
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Certamente mais um trabalho e um documento produzido para não resultar em nada. O ministro manda e obedece quem tem juízo. Em um país de bananas quem tem coragem é rei.

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