O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes (PL-RJ), recorreu ao empresário Ricardo Magro, dono do Grupo Refit, para conversar sobre a vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU), em virtude da aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz. O magistrado deixou a Corte há duas semanas.
Como informou Oeste, Altineu e Magro se encontraram em 20 de fevereiro no restaurante JNcQUOI Avenida, um dos mais conhecidos de Lisboa. A reunião ocorreu fora da agenda oficial. Ao ser indagado, Altineu respondeu que estava em Portugal para celebrar o aniversário de casamento. Magro não respondeu aos contatos.
Receba nossas atualizações
A cadeira disponível no TCU será preenchida por escolha da Câmara, em votação secreta entre os parlamentares. É necessária uma maioria simples de votos para ser indicado ao cargo, em uma votação que deve reunir ao menos 257 deputados presentes.
Dono da Refit é amigo da família Cedraz
No ano passado, Aroldo esteve em um evento realizado em Nova York patrocinado pela refinaria Refit, controlada por Magro. Na ocasião, o ministro sentou-se à mesa com o empresário. Ao lado deles estava o advogado Tiago Cedraz, filho do ministro e convidado para palestrar.
No meio jurídico, Magro mantém proximidade com Tiago. O advogado já foi alvo de denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que o acusou, juntamente do pai, de tráfico de influência no TCU por receber recursos de empreiteiras para intervir em julgamentos da Corte. A acusação mencionava contratos bilionários e pagamentos registrados em Brasília e São Paulo. O Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, rejeitou a denúncia.
Rede de relações no Rio
Magro também mantém interlocução com autoridades no Rio de Janeiro. Tiago, por exemplo, ajudou a emplacar o diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Daniel Maia, que é seu concunhado. O grupo de relações inclui ainda o procurador-geral do Estado, Renan Miguel Saad, e o secretário estadual de Fazenda, Juliano Pasqual.
O dono da Refit conseguiu renegociar parte da dívida que mantém com o governo estadual, comandado por Cláudio Castro (PL). O passivo total com o Rio de Janeiro supera R$ 11 bilhões. Interlocutores do setor de combustíveis afirmam que Magro deve se beneficiar em breve de um programa estadual destinado a reduzir débitos fiscais.
+ Saiba mais sobre os bastidores da política em No Ponto
Magro controla o conglomerado responsável pela antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. A Receita Federal considera o grupo o maior devedor do país, com débitos que ultrapassam R$ 25 bilhões. O empresário também é dono de uma refinaria no Texas, nos Estados Unidos, e de uma empresa de consultoria em Portugal.
Em 2025, Magro se tornou alvo principal da Operação Carbono Oculto, investigação que apura suspeitas de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Disputa política pela vaga no TCU
Na Câmara, a vaga aberta no TCU já mobiliza diferentes grupos políticos. O deputado Hélio Lopes (PL-RJ), conhecido como Hélio Negão e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciou em fevereiro a intenção de concorrer ao cargo de ministro da Corte. Em publicação nas redes sociais, afirmou que pôs o nome à disposição depois de conversas com lideranças do campo bolsonarista, incluindo o próprio Bolsonaro. Negão disse que já reuniu mais de 80 assinaturas de apoio de deputados.
A bancada do PL formalizou, antes da conversa entre Altineu e Magro, o apoio ao deputado. O líder da legenda na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que a decisão foi resultado de um “alinhamento” dentro do partido.
A disputa envolve também outros nomes, como o deputado Odair Cunha (PT-MG), apontado como favorito em parte do Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria prometido apoio ao petista durante negociações políticas ligadas à eleição para o comando da Casa em 2024. Outro possível candidato é Danilo Forte (União Brasil-CE), cujo nome circula entre parlamentares de centro e centro-direita. Parlamentares do centrão avaliam que a candidatura de Hélio Lopes pode acabar beneficiando o petista Odair Cunha, por dificuldade de atrair votos fora do campo bolsonarista.
A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].
É A RADIOGRAFIA DAS RELAÇÕES ESPÚREAS DE BRASÍLIA !
ATITUDES CORRIQUEIRAS DENTRO DA DEVASSIDÃO EM QUE VIVE O PODER ATUAL…BANALIZAÇÃO DO MAL…
POR ISSO BOLSONARO ESTA PRESO !
INCOMODOU DEMAIS O SISTEMA QUANDO NÃO PERMITIU ESSE TIPO DE CANALHICE !