Entre os inúmeros objetos recuperados do Egito antigo, a mesa de oferendas de Defdji chama a atenção por seu visual pouco convencional e pela forma como revela a tecnologia ritual e a religiosidade dessa civilização.
O que é a misteriosa mesa de oferendas de Defdji?
A chamada mesa de oferendas de Defdji é um tabuleiro ritual feito para receber alimentos, bebidas e substâncias perfumadas destinados ao falecido Defdji, provavelmente um membro da elite egípcia. Hoje exposta em um museu europeu, a peça pertence ao universo funerário do Antigo Império e foi criada para garantir proteção e sustento ao morto na vida após a morte.
Esculpida em alabastro branco, a mesa tem forma circular e grande espessura, o que a diferencia das mesas retangulares mais comuns. A superfície reúne depressões arredondadas, pequenas plataformas elevadas e canais esculpidos com precisão, além de inscrições em hieróglifos que listam itens de consumo e fórmulas votivas.

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Por que a mesa de Defdji parece um painel de controle?
O desenho geral da peça lembra para o olhar do século XXI um painel de comando cheio de “botões” e “marcadores”. A combinação de formas circulares e retangulares, distribuídas de maneira geométrica, faz com que muitos observadores associem a mesa a um painel de aeronave ou de máquina industrial, algo explorado por correntes de arqueologia alternativa.
Essa impressão é explicada pela pareidolia, fenômeno psicológico em que vemos formas familiares em padrões abstratos, como rostos em nuvens. As cavidades podem ser vistas como “mostradores” e os relevos como “teclas”, enquanto os canais sugerem circuitos interligados. Do ponto de vista arqueológico, porém, tudo foi pensado para separar, conduzir e aproveitar óleos e libações sagradas, evitando desperdício.
Como funcionava a mesa de oferendas e os sete óleos sagrados?
Especialistas identificam a mesa de oferendas de Defdji como um modelo refinado de tabuleiro para os sete óleos sagrados, substâncias de alto valor usadas em rituais funerários. Em uma fileira na parte superior do disco, sete cavidades rasas recebiam diferentes tipos de unguentos, cada um com nome próprio e função simbólica específica.
Para entender melhor o uso desses óleos e da própria mesa, vale observar alguns pontos principais que os egiptólogos costumam destacar:
- Os óleos incluíam o sefet, o hekenu, o neshem, o tewat, o tejet e outros unguentos perfumados de origem resinosa.
- No ritual de Abertura da Boca, sacerdotes ungiam estátuas ou a múmia para restaurar visão, audição, respiração e capacidade de se alimentar no além.
- As depressões inferiores recebiam água, vinho ou cerveja, enquanto os canais recolhiam o excesso de líquidos para que nada se perdesse.
- Os retângulos com hieróglifos funcionavam como um “cardápio eterno”, registrando alimentos, bebidas e itens de purificação “para Defdji”.

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O que significam os hieróglifos e o símbolo central na mesa?
O centro da mesa de Defdji é ocupado pelo sinal hetep, hieróglifo que mostra uma esteira de junco com um pão sobre ela. Traduzido como “oferta” ou “estar em paz”, esse símbolo aparece em fórmulas rituais ligadas à tranquilidade do morto no outro mundo, especialmente na expressão ḥtp dỉ nsw, “uma oferta que o rei concede”.
Ao redor do hetep, pequenas janelas retangulares abrigam textos com nomes de pratos, bebidas e agentes de purificação, muitos deles identificados como “para Defdji”. O conjunto transforma a mesa em um texto visual poderoso, que combina imagem, escrita e substâncias aromáticas para garantir paz, proteção e abastecimento contínuo ao falecido na vida após a morte, mostrando como técnica e fé caminharam juntas no Egito antigo.









