Cinco perguntas para a procuradora Thaméa Danelon

Ex-coordenadora da Lava Jato em São Paulo lamenta a saída de Deltan Dallagnol e dispara contra Aras: 'É apenas um chefe administrativo'.
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Para Thaméa Danelon, a PGR não deve interferir nas investigações porque procuradores são 'independentes e autônomos' | Foto: Reprodução
Para Thaméa Danelon, a PGR não deve interferir nas investigações porque procuradores são 'independentes e autônomos' | Foto: Reprodução | thaméa danelon, operação lava jato, combate à corrupção, augusto aras, pgr, unac

Ex-coordenadora da Lava Jato em São Paulo lamenta a saída de Deltan Dallagnol e dispara contra Aras: “É apenas um chefe administrativo”

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Para Thaméa Danelon, a PGR não deve interferir nas investigações porque procuradores são “independentes e autônomos” | Foto: Reprodução
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Na semana em que o coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, deixou a força-tarefa para cuidar de assuntos pessoais, várias dúvidas surgiram. Para responder a parte delas, Oeste fez cinco perguntas à procuradora Thaméa Danelon, que também já integrou o grupo que mudou o combate à corrupção no país.

Como a senhora enxerga a saída do procurador Deltan Dallagnol da Operação Lava Jato?

Ele saiu por questões familiares, mas por um lado não deixa de ser uma perda porque ele é um grande ícone no combate à corrupção, foi um dos grandes responsáveis por esse resultado todo que tivemos na operação. Contudo, não é fácil ficar por seis anos sendo atacado, perseguido, sendo pressionado por poderosos que não querem que o Brasil se transforme. É completamente compreensível a saída, primeiramente pelas questões familiares, ainda que, do meu ponto de vista, mesmo que não houvesse essa questão, acho que ele já deu uma imensa contribuição e penso que ele tem de descansar um pouco, dedicar-se à família, porque não é fácil ficar nesse front, lutando contra a corrupção, contra essas pessoas tão poderosas que se valem de injustiças de leis para tentar acabar com a Lava Jato e tentar prejudicar as pessoas que dela participaram.

A senhora acha que, além do problema de saúde da filha, pode ter havido algum outro motivo para a saída do procurador que ele não expôs?

Não, acredito que não. O Deltan [Dallagnol] sempre foi muito corajoso, muito combativo, luta pelos ideais, acredita que é possível melhorar o país. Eu também acredito. Foi o fator familiar somente. Ele já teve diversos problemas, ainda mais nesses últimos anos — muitas representações no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), ações movidas contra ele por corruptos —, e ele sempre continuou firme e forte. Foi mesmo essa questão desse probleminha de saúde da filhinha dele. Ele está certíssimo. Vai continuar trabalhando no combate à corrupção, evidentemente, com outras causas, mas tem de se dedicar à família e à filha. Quando a menininha ficar um pouquinho melhor, quando os tratamentos forem concluídos, ele pode voltar para essa batalha. Uma batalha que durará muitos anos ainda.

A saída dos procuradores da Lava Jato nesta sexta-feira em SP esvazia a força-tarefa no Estado?

Claro que, a princípio, nunca é bom que todos os integrantes queiram sair de uma vez só. No entanto, houve uma questão interna deles, teve alguns conflitos com a procuradora natural, que é a responsável dos feitos. Talvez tivesse sido melhor que eles tentassem entrar numa composição, para que os trabalhos não fossem prejudicados. Talvez agora o procurador-geral [da República, Augusto Aras] forme  outra equipe, a Unidade Nacional de Combate à Corrupção [e ao Crime Organizado, Unac, motivo pelo qual o PGR ameaça, inclusive, não dar continuidade a operações de combate à corrupção, como a própria Lava Jato e a Greenfield, por exemplo], para ser implementada.

Como a senhora vê a interferência da Procuradoria-Geral da República na operação?

Embora nós tenhamos o procurador-geral que é nosso chefe, superior, ele é um chefe apenas administrativo. Não é uma chefia hierárquica. Porque, nos termos da Constituição de 1988, todos os membros do Ministério Público são independentes e autônomos. Ou seja, trabalhamos e nos baseamos apenas na nossa convicção, na lei e na Constituição. Então interferências superiores, seja do procurador-geral, dos procuradores hierarquicamente superiores, isso não pode acontecer. Não me parece saudável que o procurador-geral queira interferir nos trabalhos, na atividade-fim. Isso não deve acontecer. Ele deve exercer apenas a chefia administrativa, e não hierárquica. Sou contra qualquer interferência no trabalho direto dos procuradores.

A senhora acredita na continuidade da Operação Lava Jato?

Sim, acredito. Há muito trabalho a ser feito ainda. Semanalmente há resultados. Podemos recuperar, na Lava Jato no Rio de Janeiro juntamente com a Procuradoria-Geral da República, que na semana passada ofereceu uma denúncia contra o governador do Estado [Wilson Witzel], porque ele tem foro prerrogativo. A Lava Jato de Curitiba também, ela oferece denúncias, celebra acordos de delação premiada e leniência, tem muita coisa a ser feita ainda. Acredito, sim, que vá continuar. Claro que é uma perda a saída do Deltan [Dallagnol], não há dúvidas, mas temos outros colegas competentes. Como o próprio Alessandro [Oliveira, substituto de Deltan Dallagnol como procurador da Operação Lava Jato em Curitiba], que assumiu, é superdedicado, capaz, muito profissional. Tenho certeza de que eles continuarão a fazer um excelente trabalho.

Não perca também: “Quem vai mandar na Lava Jato?”

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