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Política

Defesa de Bolsonaro pede conversão da prisão preventiva em domiciliar

Advogados ressaltam que o ex-presidente não chegou a tirar a tornozeleira eletrônica

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O ex-presidente Jair Bolsonaro ao chegar para depoimento na 1ª turma do Supremo Tribunal Federal — Brasília (DF), 10/6/2025 | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro defendeu, em manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF), a ideia de que, mesmo ao queimar a tornozeleira, ele não retirou o equipamento. Os advogados pediram, assim, a conversão da prisão preventiva, determinada na manhã deste sábado, 22, em domiciliar.

Na solicitação, protocolada neste domingo, 23, os advogados reforçaram o que havia sido dito pelo ex-presidente em audiência de custódia, apontando “efeitos colaterais em razão das diferentes medicações prescritas”. Segundo a defesa, isso levou a “pensamentos persecutórios e distantes da realidade”.

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“Conforme boletim médico divulgado pela imprensa pelos médicos responsáveis pelo acompanhamento do peticionário [Bolsonaro], este quadro de confusão mental pode ter sido causado pela interação indevida de diferentes remédios”, diz a defesa.

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Para os advogados Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser, o ex-presidente não tentou fugir. “Nada, na ação descrita nos documentos produzidos pela Seap [Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal], narra uma tentativa de fuga ou de desligamento da tornozeleira eletrônica”. afirmaram, na petição encaminhada ao STF. “Muito pelo contrário, expõe um comportamento ilógico e que pode ser explicado pelo possível quadro de confusão mental causado pelos medicamentos ingeridos por Bolsonaro, sua idade avançada e o estresse a que está inequivocamente submetido.”

A manifestação se deu em resposta ao ministro Alexandre de Moraes, que havia dado um prazo de 24 horas para que a defesa esclarecesse o episódio da queima da tornozeleira. Moraes foi o responsável por determinar a prisão preventiva do ex-chefe de Estado.

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O advogado Celso Vilardi, da equipe de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, durante sessão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, sobre a suposta trama golpista | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Visita dos médicos de Bolsonaro

O cardiologista Leandro Echenique e o cirurgião geral Claudio Birolini, que acompanham o quadro de saúde do ex-presidente, informaram ao STF que visitaram Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, na manhã deste domingo.

Segundo os médicos, no momento da avaliação, Bolsonaro encontrava-se estável e passou a noite sem problemas de saúde. E que, durante a visita, o ex-presidente relatou que na última sexta-feira, 21, apresentou “quadro de confusão mental e alucinações, possivelmente induzidos pelo uso do medicamento pregabalina, receitado por outra médica, com o objetivo de otimizar o tratamento.”

De acordo com os profissionais, esse medicamento foi receitado sem o conhecimento dos outros membros da equipe.

No documento enviado ao STF, os médicos afirmam que esse medicamento apresenta “importante interação com os medicamentos que ele utiliza regularmente para tratamento das crises de soluços”. Ainda de acordo com os médicos de Bolsonaro, o pregabalina tem efeitos colaterais como a “alteração do estado mental com a possibilidade de confusão mental, desorientação, coordenação anormal, sedação, transtorno de equilíbrio, alucinações e transtornos cognitivos”.

Por este motivo, segundo os médicos de Bolsonaro, o medicamento foi suspenso imediatamente e, por isso, não há mais sintomas, já que ajustes foram realizados. Por fim, os médicos informaram que seguem acompanhando a evolução clínica do ex-presidente, realizando reavaliações periódicas.

Leia também: “O sistema não quer a anistia”, reportagem de Silvio Navarro publicada na Edição 289 da Revista Oeste


Revista Oeste, com informações da Agência Estado

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