Revista Oeste - Eleições 2022

Brasil já teve presidente eleito com 99,7% dos votos

Washington Luís foi o vencedor com maior folga na história republicana, enquanto Dilma teve o triunfo mais apertado
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Washington Luís teve vitória mais folga, e Dilma o triunfo mais apertado
Washington Luís teve vitória mais folga, e Dilma o triunfo mais apertado | Foto: Reprodução e Agência Brasil

Os 133 anos de República já testemunharam presidente eleito com muito conforto em relação a adversários e outros vencedores que comemoraram resultados bastante apertados.

Muito coisa mudou entre a aclamação de Deodoro da Fonseca com 129 votos, em 1891, e o triunfo de Jair Bolsonaro (PL), hoje candidato à reeleição, com quase 58 milhões de eleitores, em 2018. No entanto, independentemente do contexto de época, as disputas sempre mexeram com a nação.

As disputas por meio de votação direta foram interrompidas em alguns períodos da história republicana, como na ditadura Getúlio Vargas (1930-1945) e durante o regime militar (1964-1985), com retomada em 1989, depois do amplo movimento do Diretas Já.

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Abaixo, Oeste apresenta a eleição mais desigual e a mais acirrada da história das disputas presidenciais brasileiras, com base no parâmetro porcentual, trazendo o contexto de cada um desses pleitos.

A vitória mais folgada

1926
Washington Luís (Partido Republicano Paulista): 99,7% – 688.528 votos
Joaquim Assis Brasil (Partido Republicano Democrático): 0,16% – 1.116 votos

Washington Luís foi o último presidente do domínio conhecido como “política do café com leite”, com alternância do poder entre nomes de São Paulo e de Minas Gerais, por meio da aliança entre o Partido Republicano Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM). Depois desse período, veio a ruptura, com a Revolução de 1930 e o início da ditadura de Getúlio Vargas.

A escolha do grupo dominante da época recaiu em 1926 sobre Washington Luís, nascido no Estado do Rio de Janeiro, mas então presidente de São Paulo, em cargo que equivale hoje a governador. O representante da política paulista sucedeu ao mineiro Artur Bernardes na Presidência, em disputa com o gaúcho Joaquim Assis Brasil, representando uma frente de oposição considerada pouco relevante naquele momento.

Apesar da vitória confortável, Washington Luís foi o presidente que amargou o encerramento de um período conhecido como República Velha (1889-1930), quando oligarquias controlavam a política nacional e também influenciavam os processos eleitorais. Na época, a decisão do presidente de romper com o rodízio com os mineiros, escolhendo o paulista Júlio Prestes como seu candidato a sucessor, acabou provocando crise interna no grupo dominante do poder.

Washington Luís foi deposto em 24 de outubro de 1930, 21 dias antes do término do seu mandato como presidente. A manobra se deu por um golpe militar liderado pelo general Tasso Fragoso, que passou o poder, em 3 de novembro, às forças político-militares comandadas por Getúlio Vargas, na denominada Revolução de 1930.

Depois do golpe, Washington Luís se exilou nos Estados Unidos e na Europa, retornando ao país somente em 1947.

Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), durante debate nas eleições de 2014 | Foto: Divulgação/Globo

A eleição mais apertada

2014
Dilma Rousseff (PT): 51,64% – 54.501.118 votos
Aécio Neves (PSDB): 48,36% – 51.041.155 votos

Em termos porcentuais, a vitória mais apertada foi a de Dilma Rousseff (PT), em 2014, quando a então presidente conseguiu a reeleição em disputa acirrada com Aécio Neves (PSDB). A petista levou a melhor, com vantagem de pouco mais de 3% dos votos.

Na oportunidade, o Partido dos Trabalhadores buscava o quarto mandato seguido, mas tinha a imagem desgastada pela sequência de escândalos, do Mensalão no governo Lula e, depois, com o Petrolão, já durante a gestão de Dilma. Nesse clima, o avanço das investigações da Operação Lava Jato acabou impulsionando a candidatura de Aécio na reta final de campanha.

Dilma teve 3,5 milhões de votos a mais do que Aécio, num universo de mais de 112 milhões contabilizados — incluindo brancos e nulos. Outros 30 milhões de pessoas não foram votar no segundo turno de 2014.

O artigo de Silvio Navarro na Edição 130 da Revista Oeste descreve os bastidores da apuração, com a aflição petista durante o período em que Aécio esteve na frente, antes da virada definitiva. Confira, abaixo, um trecho da reportagem:

“O roteiro da apuração terminou com suspense até a cena final. Por causa da diferença do fuso horário para o Acre, o resultado só começou a ser divulgado às 19 horas pela imprensa. Porém, como a contagem teve início às 17 horas, os resultados de muitos TREs (Tribunal Regional Eleitoral) já eram conhecidos. E a dianteira de Aécio era grande.

Com mais da metade dos votos apurados, às 18h30, o tucano tinha uma vantagem de 6,7 milhões para Dilma. A campanha tucana se agitou. (…) Do outro lado do campo, o clima no comitê petista era de tensão. Mesmo depois da divulgação do resultado final, os semblantes de Dilma, Lula e Rui Falcão, então presidente do PT, estavam apreensivos. Reeleita, ela permaneceu pálida ao agradecer ao eleitorado no discurso da vitória.”

Mesmo com a vitória, a turbulência político-econômica marcou a sequência de Dilma no poder. O segundo mandato da petista durou somente até meados de 2016, quando a presidente foi afastada do cargo por meio de processo de impeachment na Câmara, em razão de crimes de responsabilidade. Então, o vice Michel Temer (MDB) assumiu o comando do país.

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