João Doria desiste de pré-candidatura à Presidência

Ex-governador anunciou desistência em pronunciamento, dizendo aceitar não ser 'a escolha da cúpula do PSDB'
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Doria não está mais na disputa pela Presidência da República
Doria não está mais na disputa pela Presidência da República | Foto: Governo do Estado de São Paulo

O ex-governador paulista João Doria anunciou nesta segunda-feira, 23, que desiste da pré-candidatura à Presidência da República pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Em pronunciamento transmitido por suas redes sociais, o vencedor das prévias tucanas comunicou que abre mão da disputa por não ser o consenso da sigla.

“Hoje, neste 23 de maio, serenamente, entendo que não sou a escolha da cúpula do PSDB”, afirmou Doria.

“Aceito esta realidade com a cabeça erguida. Sou um homem que respeita o bom senso, o diálogo e o equilíbrio. Sempre busquei e seguirei buscando o consenso, mesmo que ele seja contrário à minha vontade pessoal. O PSDB saberá tomar a melhor decisão no seu posicionamento para as eleições deste ano.”

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Doria fez um discurso breve, que evitou tom de conflito e exaltou realizações no período como prefeito de São Paulo e, posteriormente, no governo estadual. O presidente do PSDB, Bruno Araújo, esteve presente no evento, ao lado do ex-governador.

“Me retiro da disputa com o coração ferido, mas com a alma leve. Com a sensação inequívoca do dever cumprido e missão bem realizada”, declarou.

“Agradeço aos que sempre me defenderam, aos que foram leais e que defenderam a democracia interna do partido. Seguirei como observador sereno do meu país, à disposição para a guerra a que for chamado, seja na vida pública seja na privada. Até breve.”

Linha do tempo da pré-candidatura de Doria

Doria venceu as prévias do PSDB para as eleições presidenciais em novembro de 2021, com 54% dos votos, derrotando o então governador gaúcho Eduardo Leite e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio. No entanto, o partido pareceu jamais abraçar com convicção a pré-candidatura.

Sem decolar em pesquisas de intenção, o ex-governador paulista passou a ter o nome questionado dentro do PSDB. ‘Caciques’, como o mineiro Aécio Neves, articularam abertamente em favor de uma manobra para emplacar uma candidatura de Eduardo Leite.

Com esse ambiente interno em ebulição, o partido acabou se aproximando aos poucos do chamado bloco de centro democrático, em conversas a respeito de uma chapa de ‘terceira via’ com MDB, Cidadania e União Brasil — este último resolveu abandonar o grupo.

Mesmo com a indefinição, Doria deixou o governo de São Paulo em 31 de março deste ano, passando o bastão para Rodrigo Garcia, para cumprir norma eleitoral que exige que membros do Executivo saiam de seus cargos seis meses antes das eleições.

Neste período, um episódio emblemático do fracasso da pré-candidatura de Doria aconteceu com o rompimento público com Bruno Araújo, presidente do PSDB. Em abril, o dirigente foi trocado da coordenação do projeto por Marco Vinholi e usou as redes sociais para desabafar.

Já em maio, João Doria enviou carta à presidência do partido para denunciar ‘tentativas de golpe’ contra a sua pré-candidatura e sua vitória nas prévias.

A expectativa agora é que a senadora Simone Tebet (MDB-MS) seja a escolhida como a alternativa do bloco de partidos de centro para as eleições deste ano. O papel de Doria no projeto é ainda indefinido.

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