Mais Brasil, menos Brasília

Aumento no valor do ‘fundão’ mostra que no país há muita democracia, muito Estado de direito, muita ciência política — só não há povo
-Publicidade-
Fundo eleitoral será de  quase R$ 6 bilhões em 2022
Fundo eleitoral será de quase R$ 6 bilhões em 2022 | Foto: Reprodução/Mídias Sociais

A Comissão Mista de Orçamento aprovou ontem, quinta-feira 15, o texto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2022, que determina metas e prioridades para os gastos do governo federal no ano que vem.

Um dos dispositivos incluídos pelo relator do projeto, deputado federal Juscelino Filho (DEM-MA), chama atenção: o aumento do fundo eleitoral. A ideia dos parlamentares é passar o “fundão” de R$ 2 bilhões, o valor atual, para mais de R$ 5,7 bilhões.

Os recursos do fundo eleitoral são divididos entre os partidos políticos para financiar as campanhas eleitorais. De acordo com o texto, a verba será vinculada ao orçamento do Tribunal Superior Eleitoral, prevendo 25% da soma dos orçamentos de 2021 e 2022.

-Publicidade-

A quase triplicação do valor do “fundão”, sobretudo em tempos de pandemia, mostra que no Brasil há muita democracia, muita instituição, muito Estado de direito, muita ciência política — só não há povo. Quem diz isso é J. R. Guzzo, em artigo publicado em Oeste.

Quem sustenta Brasília

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda domiciliar per capita no Brasil ficou em R$ 1.380 em 2020. O Distrito Federal é a unidade da Federação com o maior rendimento — R$ 2.475, quase o dobro da média nacional. No fim da lista está o Maranhão (R$ 676, menos da metade da média nacional).

O rendimento domiciliar per capita é o resultado da soma da renda recebida por cada morador, dividido pelo total de moradores do domicílio. O cálculo inclui pensionistas, domésticos e seus familiares.

Espalhadas pelos 26 Estados brasileiros, essas pessoas sustentam a maior parte do funcionalismo público do Distrito Federal, alimentado por cerca de 297 mil cidadãos — ou, ainda, 21% do total de empregados na região.

Como bem observa o economista Ricardo Amorim, o setor público brasileiro tira de todos para dar a quem está nele. É uma espécie de Robin Hood às avessas.

Leia também: “O orçamento da insensatez”, artigo de Ubiratan Jorge Iorio publicado na Edição 55 da Revista Oeste

Telegram
-Publicidade-
* O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias. Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais à equipe da publicação, a outro usuário ou a qualquer grupo ou indivíduo identificado. Caso isso ocorra, nos reservamos o direito de apagar o comentário para manter um ambiente respeitoso para a discussão.

2 comentários

  1. Para a classe política não há deveres. Só D-I-R-E-I-T-O. Direito de aposentar cedo, com um salário que os simples mortais pagadores de impostos jamais alcançarão. Direito de se eleger com o dinheiro do espoliado pagador de impostos, e nada devolver em troca. Direito de roubar, não ser preso, e, se preso, não devolver o produto do roubo. Direito de não aprovar o voto auditável, pois se o fizer jamais ganhará outra eleição. Direito de desviar dinheiro público para fins escusos. Direito de não prestar contas de seu mandato. Direito de rir e debochar de quem o elegeu. E vão mais direitos por aí afora.

Envie um comentário

Conteúdo exclusivo para assinantes.

Seja nosso assinante!
Tenha acesso ilimitado a todo conteúdo por apenas R$ 19,90 mensais.

Revista OESTE, a primeira plataforma de conteúdo cem por cento
comprometida com a defesa do capitalismo e do livre mercado.

Payment methods
Security site
Gostou da Leitura?

Seja nosso assinante!
Tenha acesso ilimitado a todo conteúdo por apenas R$ 19,90 mensais.

Payment methods
Security site