publicidade
Política

Ministros do STF mudam votos e beneficiam governo Lula

Corte dá sinais de aproximação com o petista

Em 9 de novembro, depois das eleições, Lula fez uma visita aos ministros do STF | Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Desde o início do governo Lula, dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) mudaram votos dados anteriormente. Os novos posicionamentos mostraram uma tentativa de aproximação com o governo petista. É exatamente o movimento contrário ao que ocorreu com Jair Bolsonaro, quando a Corte, atendendo a pedidos de partidos de esquerda e de organizações, anulou dezenas de leis e decisões do Executivo.  

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada na edição desta quarta-feira, 19, lembra que Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso mudaram votos, enquanto Luiz Edson Fachin e Dias Toffoli adotaram posturas para receber o agora ex-advogado de Lula, Cristiano Zanin, como ministro da Corte.

Receba nossas atualizações

Gilmar mudou o voto no julgamento sobre a instituição, por acordo coletivo, de contribuições assistenciais de empregados não sindicalizados. O STF, em 2017, tinha considerado inconstitucional esse tipo de contribuição. No governo Bolsonaro, Gilmar votou contra o recurso. Mas, agora, em abril, ele mudou de posição, justificando que foi convencido pela nova perspectiva sobre o tema apresentada por Barroso.

“Evoluindo em meu entendimento sobre o tema, a partir dos fundamentos trazidos no voto divergente [de Barroso] ora apresentado — os quais passo a incorporar aos meus —  peço vênias aos ministros desta Corte, especialmente àqueles que me acompanharam pela rejeição dos presentes embargos de declaração, para alterar o voto anteriormente por mim proferido”, citou a Folha.

O julgamento ainda não foi concluído, mas, se a tese de Barros vencer, os sindicatos terão aumento de receita.

STF absolve ministro de Lula

Lula Desenvolvimento condenado
Ministro de Desenvolvimento Regional, Waldez Góes | Foto: Reprodução

Outra mudança de “perspectiva” ocorreu no caso do ministro do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, que tinha sido condenado em 2019 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por peculato (desvio de dinheiro público). Inicialmente, o ministro Barroso votou contra o pedido de anulação do caso. Agora, em junho, no governo Lula, reviu a posição e votou de maneira a beneficiar o ministro de Lula. Waldez Góes foi absolvido.

Ex-governador do Amapá, Waldez foi condenado por desviar verba destinada a pagamento de empréstimos consignados de servidores estaduais para usar o dinheiro em outras despesas do governo. O Tribunal de Justiça do Amapá e o STJ mantiveram a condenação.

Integrantes da 1ª Turma do STF, Barroso e o então ministro Marco Aurélio votaram para rejeitar o recurso de Waldez. Agora, porém, Barroso mudou de ideia e alterou o voto para acompanhar o ministro Alexandre de Moraes, que entendeu que não houve dolo, uma vez que o dinheiro foi usado para contas do Estado. “Portanto, estou aqui me rendendo ao princípio da colegialidade. Até porque, verdade seja dita, quando votei pela condenação não o fiz com coração leve”, justificou Barroso, citado pela Folha.

Dança para acomodar Zanin

O advogado Cristiano Zanin e Lula | Foto: Reprodução/Ricardo Stuckert

Já o ministro Dias Toffoli fez um movimento interno em abril a fim de facilitar a indicação de Lula de seu advogado criminal e amigo pessoal Cristiano Zanin para o Supremo. Depois que Ricardo Lewandowski se aposentou, Toffoli pediu para mudar da 1ª para a 2ª Turma da Corte, que concentra os casos remanescentes da Lava Jato, evitando constrangimentos a Zanin.

Fachin também atuou de forma semelhante ao enviar para Toffoli um recurso de Lula contra a Lava Jato. O caso estava sob responsabilidade de Lewandowski e iria ficar com Fachin temporariamente até que tomasse posse o novo ministro. O magistrado, porém, entendeu que, como Toffoli mudou de turma, ele deveria herdar o caso. Se o processo caísse com Zanin, ele estaria impedido de julgá-lo, por ter atuado como advogado nele.

Leia também: A ‘randolfização’ da política, reportagem publicada na Edição 173 da Revista Oeste

20 comentários
  1. Marisa
    Marisa

    “Nós derrotamos o bolsonarismo” (Luís Roberto Barroso, ministro do STF).

  2. Isabelle Soares de Almeida e Silva
    Isabelle Soares de Almeida e Silva

    🤮 Não importa a dança das cadeiras ou das opiniões. São farinha do mesmo saco e ela está podre.

  3. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Manobras dignas de um quadrilha criminosa.

  4. Ricardo Fonseca Alves
    Ricardo Fonseca Alves

    O STF é o extrato do pó de 💩incluindo TODOS OS SEUS OCUPANTES

  5. José Antônio Batalha Zocccoler
    José Antônio Batalha Zocccoler

    A hora e a vez da bandidagem , ….

  6. Julio José Pinto Eira Velha
    Julio José Pinto Eira Velha

    Lula o PT devem ter muita informação comprometedora sobre esse bando, ou será mera conscidencia.

  7. Adolfo Calderan
    Adolfo Calderan

    Basta olhar a foto da matéria e ver o que temos de tão degradante nesta suprema corte. Mas que foto fofinha né.
    E todos olhando com seriedade pra o magnífico Lula, todos bem concentrados com olhar penetrante naquele que os indicou pra tão alto cargo, dos mais importantes do país e temos isto aí.
    Só uma palavra justifica tudo isto: DEGRADANTE SITUAÇÃO

  8. João José Augusto Mendes
    João José Augusto Mendes

    Alguém tem duvida de que estamos num mato sem cachorro?

  9. Gustavo de Carvalho Barcelos
    Gustavo de Carvalho Barcelos

    Afinal, segundo o próprio, amolado, (e ainda) ministro do STF Barroso, atualmente o STF é uma instituição política.
    Pior, é um poder político.
    Meu Deus…viva-se com essa.

  10. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Viva a corrupção desenfreada, bando de inúteis, se fosse só inúteis seria bom

  11. EZEQUIEL PENA VIEIRA
    EZEQUIEL PENA VIEIRA

    Tudo pelo bem da família (deles), só conivências pardas.

  12. julio bento da silva bento
    julio bento da silva bento

    Nessa mesa existe o pior que os seres humanos tentam eliminar. Só lixo tóxico!

  13. MNJM
    MNJM

    STF esgoto do Judiciário, mudam o voto de acordo com o cliente. Falta decência, Instituição desmoralizada.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade