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Política

'O Brasil se tornou um adversário' dos EUA, diz Mauricio Galante

Vereador brasileiro no Texas explica sanções impostas a Moraes

Mauricio Galante é vereador em Arlington, no Texas | Foto: Arena Oeste
Mauricio Galante é vereador em Arlington, no Texas | Foto: Arena Oeste

O vereador da cidade de Arlington, no Texas, Mauricio Galante, afirmou em entrevista ao programa Arena Oeste nesta quinta-feira, 31, que o Brasil “se tornou um adversário geopolítico” dos Estados Unidos.

Segundo o brasileiro, o governo Lula tem adotado posturas que ameaçam a segurança regional e violam tratados democráticos, o que motivou sanções comerciais e medidas individuais com base na Lei Magnitsky.

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Galante explicou que as tarifas impostas por Washington não são arbitrárias, mas consequência direta da deterioração das relações bilaterais. “Esse governo 2.0 do Trump entrou para fazer o que ele não fez no primeiro governo”, afirmou.

O vereador ainda destacou que os EUA não aceitarão mais relações comerciais assimétricas ou com países que não respeitam compromissos multilaterais. “Todos os países do mundo foram taxados”, lembrou. “O Brasil ficou fora, 10% apenas. Por quê? Porque a balança comercial EUA e Brasil tem superávit de US$ 4 bilhões por ano.”

Apesar de uma parcela de produtos brasileiros ter sido isentada das tarifas, Galante interpretou o gesto como um recado temporário. “Ficou claro pra todo mundo que os EUA deixou algumas portas abertas”, ressaltou. “Sancionou um ministro [do Supremo Tribunal Federal], mas podia ter sancionado 11”, disse.

O vereador também citou que a política externa brasileira tem favorecido regimes rivais de Washington. “Quando o Brasil se alinha a países adversários, e não colabora com a segurança do hemisfério, ele realmente está ameaçando a segurança interna dos EUA”, considerou.

Moraes é o primeiro cidadão do Brasil a ser alvo da Lei Magnitsky

Além das tarifas comerciais, o governo Trump aplicou sanções individuais ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, com base na Lei Magnitsky, legislação norte-americana voltada a violações de direitos humanos e corrupção em escala global.

Galante afirmou que a medida se deu através de investigações conduzidas por instâncias legislativas dos EUA. “O presidente Trump não está agindo sozinho”, garantiu. “Essa lei não está sendo aplicada ao Brasil, já foi aplicada a vários países: gente do Gabão, da Venezuela, do Irã, da Rússia.”

Ele explicou que os efeitos da Magnitsky são amplos: “A pessoa punida, que seja no Brasil, na Venezuela, no Irã, na Rússia, não consegue fazer transações comerciais em lugar nenhum no mundo.”

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Segundo Galante, o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e os presos do 8 de janeiro é considerado ilegal por autoridades norte-americanas. “Foi muito claro que esse processo é ilegal, tá muito claro na carta dele [Trump]“, destacou.

Ele argumentou que a prisão de opositores políticos fere cláusulas dos tratados da Organização dos Estados Americanos, assinados pelo Brasil. “O Brasil tem a obrigação de não perseguir opositores políticos”, afirmou. “E como não está fazendo isso, […] os EUA estão usando o poder econômico que eles têm para forçar o Brasil a cumprir o que está no contrato.”

Aproximação com o Irã preocupa os EUA, diz Galante

Durante a entrevista, Galante listou diversas ações recentes do governo brasileiro que, segundo ele, causaram irritação em Washington. Entre elas: recepção a aviões e navios iranianos, importação de petróleo da Rússia, proximidade com Nicolás Maduro e manutenção de laços com o Hamas.

O brasileiro destacou especialmente a recusa do governo Lula em classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas transnacionais. “Tem quatro brasileiros presos na fronteira do Texas, no meu Estado, que são do Comando Vermelho, também com armamento e cocaína”, relatou.

O vereador relatou que a comunicação entre os chanceleres brasileiro e norte-americano está rompida. “O chanceler brasileiro deveria viajar para Washington e ir lá cumprimentar e apertar a mão dele”, afirmou. “O Itamaraty não tem interlocução.”

Lula e Alexandre de Moraes; segundo a oposição, discurso é aliança política travestida de soberania | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Lula e Alexandre de Moraes; segundo a oposição, discurso é aliança política travestida de soberania | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Sobre a visita de senadores brasileiros a Washington durante o recesso do Congresso norte-americano, foi direto: “Vejo essa visita como uma verdadeira pataquada”, criticou. “Você não tem planejamento, você não tem interlocução.”

Galante alertou para o risco de novas punições econômicas ao Brasil caso o governo não mude de rumo. “Essa questão do diesel russo, […] vai ter ramificação internacional”, acredita. “A OTAN já avisou: vai dar 100% de tarifa no Brasil se o Brasil continuar comprando diesel.”

Ele afirmou que, apesar de manter negócios e investimentos no Brasil, vê-se mais útil no exterior: “Hoje me vejo mais útil nos EUA do que em qualquer outro lugar”, considera. Ao comentar uma eventual candidatura política no Brasil, reagiu com humor: “Você é meu amigo ou meu inimigo pra me desejar um negócio desse?”

Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste

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