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Política

O embate político do adiamento do Enem

Cronograma está adiado, mas isso só ocorreu após Maia desdenhar de Weintraub, exigir posicionamento de Bolsonaro e bater de ombros a defesa feita por Arthur Lira, líder do Centrão

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (Dem-RJ)
Presidente da Câmara dos Deputados | Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

Cronograma está adiado, mas isso só ocorreu após Maia desdenhar de Weintraub, exigir posicionamento de Bolsonaro e bater de ombros a defesa feita por Arthur Lira, líder do Centrão

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (Dem-RJ)
Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

O debate sobre o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi marcado por embates nesta quarta-feira, 20, mas acabou em acordo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aguardou até o último momento a confirmação do presidente Jair Bolsonaro em bancar a prorrogação para retirar projeto que tratava sobre o tema da sessão plenária.

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Até o último momento, Maia mostrou disposição para manter a pauta que, se aprovada, adiaria o Enem. O demista chegou a dizer que não confia no ministro da Educação, Abraham Weintraub, e deu de ombros ao posicionamento do líder do PP e do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), que saiu em defesa do governo.

O presidente argumentou que não confiaria tirar a matéria de pauta enquanto o próprio presidente não se pronunciasse. Foi o que Bolsonaro fez. Pelo Facebook, o presidente se manifestou. “Por conta dos efeitos da pandemia da covid-19 e para que os alunos não sejam prejudicados pela mesma, decidi, juntamente com o Presidente da Câmara dos Deputados, adiar a realização do Enem 2020, com data ser definida”, avisou.

A conciliação sinalizada por Maia veio tarde e em meio a uma disputa com Lira. Em sessão plenária, Maia sinalizou que esperava um posicionamento do próprio presidente Jair Bolsonaro para retirar a matéria da pauta. Lira alertou que Weintraub anunciou a divulgação, mas o demista desdenhou. “Me desculpa, [mas] não posso acreditar nesse ministro”, respondeu o presidente da Câmara.

Mobilização

Só cerca de 1h30 depois do posicionamento de Bolsonaro que Maia selou o acordo, ao postar um comentário em seu Twitter. “O adiamento do Enem é uma vitória da mobilização da comunidade da educação, principalmente estudantes e professores da rede pública. Agora, teremos mais tempo para reduzir as enormes desigualdades no ensino trazidas pela pandemia”, declarou.

Cronograma

Pelas redes sociais, Weintraub comunicou a decisão de adiar o Enem de 30 a 60 dias em relação ao previsto nos editais. O cronograma atual prevê provas presenciais nos dias 1º e 8 de novembro e digitais nos dias 22 e 29 do mesmo mês. A informação foi oficializada em nota pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Foi com base no posicionamento de Weintraub que Lira e Maia divergiram em Plenário. “O que eu proponho é que a gente vote a urgência [do projeto] e espere a posição do presidente da República, até porque vamos ter que votar de qualquer jeito [para adiar]”, argumentou Maia. O líder do Centrão foi contrário ao que propõe o demista. “Vossa excelência tem todo o direito de esperar o presidente da República, mas, do ponto de vista da eficiência, não faz sentido votar alguma coisa que já está resolvida”, rebateu.

O choque entre Lira e Maia dá sinais da sinergia que governo e o Centrão começam a ter após o reposicionamento de forças do governo no Congresso. Nos bastidores, comentou-se que lideranças do Blocão tentaram barrar a votação e fazer valer a decisão do próprio Executivo sobre o tema.

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2 comentários
  1. Maristela Oliveira
    Maristela Oliveira

    Leiam a boa notícia nas entrelinhas: sabem aquele projeto que o Nhonho e o Alconhonho queriam pra ficar se reelegendo “ad aeternum”? Sem o Centrão não vai acontecer!
    Tchau Nhonho, você também vai passar!

  2. Fabricio
    Fabricio

    O Bolsonaro esta começando a jogar o jogo. Agora este adiamento do ENEM é de uma demagogia impressionante. Adiar o exame por 30 dias vai resolver o que? Não sabem nem quando as aulas vão voltar. Aproximadamente 60%, dos que farão a prova, formaram em 2019 ou antes. Os caras deixaram os governos de esquerda acabar com o ensino publico no Brasil e agora acham que 30 dias da para nivelar o ensino publico com o privado. Sem falar que as cotas fazem alunos de escola publica concorrer com alunos de escola publica no ENEM.

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