
“Estou muito indecisa se vou fazer o Enem, está mais para não do que para sim.” É nesse clima de insegurança que Ana Paula Santana, de 21 anos, está às vésperas da prova que acontece neste domingo, 17 de janeiro. Ela conta ter medo de contrair o novo coronavírus e contaminar a família.
A preparação para o exame deste ano de pandemia também não foi fácil. Ana Paula, que mora em Guaranésia, no interior de Minas Gerais, chegou a contratar uma plataforma de estudo on-line, mas não conseguiu focar inteiramente as aulas, justamente por causa da situação turbulenta.
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Assim como ela, quase 6 milhões de brasileiros se inscreveram para o “Enem da pandemia”. Inicialmente, a prova seria realizada em novembro de 2020, mas foi adiada devido à covid-19. No início deste ano, a Defensoria Pública da União chegou a pedir nova postergação, aumentando a insegurança dos estudantes, mas a demanda foi negada pela Justiça.
No Amazonas, a Justiça suspendeu a realização da prova em razão do avanço da pandemia.
O ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirma que os pedidos de adiamento do exame são feitos por uma minoria e que as medidas de segurança estão garantidas.
“Não vamos adiar o Enem. Primeiro, porque tomamos todos os cuidados de biossegurança possíveis. Queremos dar tranquilidade para você que vai fazer a prova”, disse o ministro à CNN Brasil na terça-feira 12.
O deputado Professor Israel Batista (PV-DF) é secretário-geral da Frente Parlamentar Mista da Educação e critica a extensão do tempo que as escolas ficaram fechadas. Ele destaca que a defasagem educacional entre ricos e pobres ficou ainda mais evidente.
“O Brasil vai pagar um preço muito alto por ter reaberto tudo e ter se esquecido das escolas”, destaca o parlamentar.
Estudo da Fundação Getulio Vargas, encomendado pela Fundação Lemann, mostrou que, considerando o pior cenário, tanto alunos dos anos finais do ensino fundamental quanto aqueles do ensino médio podem ter deixado de assimilar o equivalente a 72% do aprendizado de um ano típico, em língua portuguesa e matemática.
Datas e protocolo
Em 17 de janeiro serão aplicadas as provas de linguagens, ciências humanas e redação. Em 24 de janeiro, os estudantes farão questões de ciências da natureza e matemática.
O uso de máscara será obrigatório durante a prova. Ela poderá ser retirada para alimentação. A ocupação das salas será de, aproximadamente, 50% da capacidade, e a indicação é de possibilitar o máximo de ventilação natural.
Custos extras
A expectativa é que o exame deste ano tenha um gasto adicional de aproximadamente R$ 70 milhões por causa da pandemia, chegando à casa dos R$ 682 milhões.
O dinheiro será necessário para o aluguel de mais salas para garantir maior espaçamento entre os alunos, a compra de máscaras e material de segurança e a oferta de álcool em gel. No total, serão quase 500 mil pessoas trabalhando durante a aplicação do Enem.
Estudantes com covid-19
Quem estiver infectado pela covid-19 ou outras doenças infectocontagiosas nos dias do Enem poderá optar por realizar as provas em 23 e 24 de fevereiro.
Os candidatos nessas condições deverão comunicar a situação por meio da Página do Participante, antes da aplicação do exame, e apresentar documento que comprove a doença.
Enem Digital
Este ano terá, pela primeira vez, uma edição digital, mas se engana quem pensa que o exame poderá ser feito de casa. A realização ocorrerá em lugares e computadores definidos pelo Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação, com a mesma estrutura do Enem impresso: 180 questões e redação.
Este é o piloto de uma proposta que prevê que até 2026 o exame seja totalmente on-line. O Enem Digital será aplicado em 31 de janeiro e 7 de fevereiro de 2021 para cerca de 100 mil inscritos.
No Enem Digital 2020, aplicado em 99 cidades, as perguntas e o tema da dissertação serão diferentes, já que as provas vão ocorrer em datas distintas.





































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