publicidade
Política

Organizações lançam manifesto contra os supersalários no funcionalismo

ONGs contestam projetos que tramitam no Congresso Nacional

juízes supersalários
Supersalários são salários pagos a servidores públicos que excedem o teto constitucional | Foto: Freepik

Dez organizações da sociedade civil divulgaram, nesta quarta-feira, 9, um manifesto conjunto em que se posicionam contra a aprovação do Projeto de Lei nº 2.721/2021, conhecido como PL dos Supersalários, proposto pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

O documento critica a proposta por “perpetuar e ampliar privilégios e desigualdades” no serviço público e alerta para um impacto fiscal estimado de R$ 3,4 bilhões apenas em 2025, caso o texto avance no Senado.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Segundo o manifesto, o projeto “legitima o pagamento de benefícios remuneratórios a título de indenização”, o que os tornaria isentos de Imposto de Renda e ampliaria o número de exceções ao teto constitucional de remuneração, atualmente fixado em R$ 46,3 mil.

A crítica central é que o projeto, aprovado na Câmara dos Deputados, “descaracteriza a proposta original” e, em vez de combater os chamados supersalários, “legitima a desigualdade dentro do serviço público e piora o atual cenário”.

Leia mais:

As organizações também destacam o contraste entre a percepção pública e a realidade da remuneração do funcionalismo. Embora 25% da população acredite que a maioria dos servidores públicos receba acima do teto, os dados mostram que metade dos servidores públicos recebe salários de até R$ 3,3 mil.

O manifesto diz que 93% dos brasileiros são contrários ao pagamento de supersalários, conforme pesquisa Datafolha. Ainda que representem apenas 0,3% do total de servidores públicos, magistrados e membros do Ministério Público são os principais beneficiários de remunerações que superam o teto. Em 2023, essas despesas ultrapassaram R$ 11,1 bilhões.

O valor, segundo o documento, poderia ser usado em áreas essenciais. A título de comparação, esse montante permitiria a construção de 4,5 mil unidades básicas de saúde; o atendimento anual de 1,36 milhão de famílias pelo Programa Bolsa Família; e a manutenção de 3,9 milhões de estudantes no ensino médio pelo Programa Pé-de-Meia.

Diante desse cenário, as entidades signatárias propõem a formulação de um novo projeto de lei que defina com mais rigor a natureza das verbas remuneratórias e indenizatórias, a fim de restringir os chamados “penduricalhos” e assegurar que apenas gastos de natureza reparatória, transitória e devidamente previstos em lei possam ultrapassar o teto.

A solução para os supersalários

  • Classificação precisa das verbas: com distinção clara entre o que é salário, indenização e vantagem.
  • Limitação de indenizações: devem ser esporádicas, justificadas e baseadas em despesas reais do exercício da função.
  • Transparência e controle: padronização e divulgação clara das remunerações, atualmente dificultadas por falta de uniformidade.
  • Fim do efeito cascata: vedação da vinculação automática entre subsídios de diferentes carreiras.
  • Tipificação de irregularidades: pagamentos acima do teto sem base legal expressa devem ser enquadrados como improbidade administrativa.

Além disso, o texto propõe a criação de barreiras legais para o pagamento de retroativos em períodos longos e a exigência de que qualquer adicional seja criado por lei ordinária aprovada no Congresso Nacional.

Entre os signatários do manifesto estão o Movimento Pessoas à Frente, Fundação Tide Setubal, Transparência Brasil, Plataforma Justa, Instituto Democracia e Sustentabilidade, Movimento Brasil Competitivo, Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, Associação Livres, Centro de Liderança Pública e Republica.org.

As organizações concluem que “é fundamental a valorização dos servidores”, mas ressaltam que isso deve ocorrer por meio de “salários justos, compatíveis com suas responsabilidades e com os resultados entregues à sociedade”, e não por exceções que beneficiam uma minoria à custa do Orçamento Público.

Leia também: “Contas públicas na beira do abismo”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 189 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. Ronaldo Assis
    Ronaldo Assis

    Entre os problemas do Brasil o funcionalismo está entre eles!!

  2. Inteligencia Artificial
    Inteligencia Artificial

    Tudo na perfeiçao, com o detalhe que o Brasil tem que acabar com a fabrica de parasitas e vagabundos, que passam toda a vida sugando os nossos impostos com auxilios para tudo : estudar, familia, casa……. no Brasil esta faltando mao de obra, simplesmente porque esses ineptos preferem ficar em casa cocçando o saco e fumando porcarias. Assistencialismo ao extremo, assim o Estado centralizador controla o Povo e cria a justificativa de mais aumentos de impostos. Empresaria em Holambra , conforme reportagem da Oeste retrata muito bem a verdadeira cara do Brasil Bostil, com uma lona um CIRCO, com um muro um HOSPICIO e com uma grandeeeeeee porta um PUTEIRO.

  3. Rômulo Costa e Rosa
    Rômulo Costa e Rosa

    É fundamental a valorização dos servidores”, mas ressaltam que isso deve ocorrer por meio de “salários justos, compatíveis com suas responsabilidades e com os resultados entregues à sociedade. Concordo plenamente.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.