O programa Novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal como uma das principais apostas para melhorar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda não produziu efeitos perceptíveis para a maior parte da população.
Segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10, 88% dos entrevistados afirmam não ter sido beneficiados diretamente pela iniciativa, enquanto apenas 10% dizem ter obtido alguma vantagem com o programa.
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O levantamento foi realizado presencialmente entre 6 e 8 de junho, com 2.004 entrevistados. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais.
Anunciado em 4 de maio, o Novo Desenrola Brasil foi apresentado pelo governo como uma medida para reduzir a inadimplência e ampliar o acesso ao crédito. O programa permanecerá em vigor por 90 dias e contempla pessoas físicas, estudantes, pequenas e microempresas e produtores rurais.

Os participantes devem procurar diretamente os bancos e as instituições financeiras com os quais possuem dívidas para negociar novos termos de pagamento. Diferentemente da primeira versão do programa, não há uma plataforma centralizada para adesão.
O principal eixo da iniciativa é o Desenrola Famílias, destinado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos. A modalidade permite renegociar dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.
Estão incluídos débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Os descontos variam de 30% a 90%, e os juros podem chegar a quase 2% ao mês. O pagamento pode ser parcelado em até 48 meses, com parcelas mínimas de R$ 50. O limite de renegociação é de R$ 15 mil por pessoa em cada instituição financeira.

O governo também autorizou o uso de até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — ou até R$ 1 mil, o que for maior — para amortizar as dívidas renegociadas.
Outra frente do programa envolve estudantes com contratos do Fies. Nesses casos, o governo prevê descontos sobre juros e multas, com abatimentos que podem alcançar até 99% do valor devido.
Novo Desenrola prevê renegociação para empreendedores e setor rural
Para microempreendedores e pequenas empresas, a proposta consiste em substituir dívidas consideradas mais caras por linhas de crédito com condições mais favoráveis, além de ampliar prazos e flexibilizar critérios de acesso.
No setor rural, o programa busca regularizar passivos de agricultores familiares para permitir a retomada de atividades produtivas.

Também houve mudanças nas regras do crédito consignado. A margem total de comprometimento da renda foi reduzida de 45% para 40%, enquanto os prazos de pagamento foram ampliados.
Beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social poderão quitar contratos em até 108 meses. Para servidores federais, o limite será de até 120 meses, com carência de até três meses.
No último dia 15, o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, informou que o banco havia renegociado R$ 820 milhões em dívidas por meio da nova fase do Desenrola. Na mesma semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que o volume total de renegociações já se aproximava de R$ 1 bilhão.
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