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Quaest: Novo Desenrola alcançou apenas 10% dos brasileiros

Pesquisa revela que 88% dos entrevistados dizem não ter sido beneficiados pelo programa de renegociação de dívidas

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil, no Palácio do Planalto. Brasília - DF (4/5/26) | Foto: Montagem Revista Oeste/Ricardo Stuckert/PR/IA
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil, no Palácio do Planalto. Brasília - DF (4/5/26) | Foto: Montagem Revista Oeste/Ricardo Stuckert/PR/IA

O programa Novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal como uma das principais apostas para melhorar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda não produziu efeitos perceptíveis para a maior parte da população.

Segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10, 88% dos entrevistados afirmam não ter sido beneficiados diretamente pela iniciativa, enquanto apenas 10% dizem ter obtido alguma vantagem com o programa.

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O levantamento foi realizado presencialmente entre 6 e 8 de junho, com 2.004 entrevistados. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais.

Anunciado em 4 de maio, o Novo Desenrola Brasil foi apresentado pelo governo como uma medida para reduzir a inadimplência e ampliar o acesso ao crédito. O programa permanecerá em vigor por 90 dias e contempla pessoas físicas, estudantes, pequenas e microempresas e produtores rurais.

Desenrola 2.0: como funciona o novo programa do governo
Os interessados em aderir ao programa devem acionar diretamente os bancos e instituições financeiras nas quais possuam dívidas | Foto: Reprodução/Site do Governo Federal

Os participantes devem procurar diretamente os bancos e as instituições financeiras com os quais possuem dívidas para negociar novos termos de pagamento. Diferentemente da primeira versão do programa, não há uma plataforma centralizada para adesão.

O principal eixo da iniciativa é o Desenrola Famílias, destinado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos. A modalidade permite renegociar dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.

Estão incluídos débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Os descontos variam de 30% a 90%, e os juros podem chegar a quase 2% ao mês. O pagamento pode ser parcelado em até 48 meses, com parcelas mínimas de R$ 50. O limite de renegociação é de R$ 15 mil por pessoa em cada instituição financeira.

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O rotativo do cartão é uma das linhas de crédito mais caras do mercado | Foto: Reprodução/ Freepik

O governo também autorizou o uso de até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — ou até R$ 1 mil, o que for maior — para amortizar as dívidas renegociadas.

Outra frente do programa envolve estudantes com contratos do Fies. Nesses casos, o governo prevê descontos sobre juros e multas, com abatimentos que podem alcançar até 99% do valor devido.

Novo Desenrola prevê renegociação para empreendedores e setor rural

Para microempreendedores e pequenas empresas, a proposta consiste em substituir dívidas consideradas mais caras por linhas de crédito com condições mais favoráveis, além de ampliar prazos e flexibilizar critérios de acesso.

No setor rural, o programa busca regularizar passivos de agricultores familiares para permitir a retomada de atividades produtivas.

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 10 milhões de trabalhadores receberão o valor diretamente em suas contas bancárias cadastradas no aplicativo do FGTS | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Novo Desenrola permite usar até 20% do saldo do FGTS para amortizar dívidas | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Também houve mudanças nas regras do crédito consignado. A margem total de comprometimento da renda foi reduzida de 45% para 40%, enquanto os prazos de pagamento foram ampliados.

Beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social poderão quitar contratos em até 108 meses. Para servidores federais, o limite será de até 120 meses, com carência de até três meses.

No último dia 15, o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, informou que o banco havia renegociado R$ 820 milhões em dívidas por meio da nova fase do Desenrola. Na mesma semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que o volume total de renegociações já se aproximava de R$ 1 bilhão.

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