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Política

Rogério Marinho critica prisão de Bolsonaro: 'Ultrapassa limites'

Em nota, líder da oposição no Senado afirmou que a medida tem caráter punitivo e representa ameaças ao Estado de Direito

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Senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou neste sábado, 22, que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro extrapola limites constitucionais e representa ameaça ao Estado de Direito. Em nota publicada no X, o parlamentar sustentou que a decisão tem caráter “punitivo” e antecipa pena sem base em atos concretos.

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Segundo Marinho, que é líder da oposição no Senado, a ordem de prisão adota uma “lógica de culpa por associação”, atribuindo responsabilidade a partir de vínculos familiares — prática que, segundo ele, é vedada pela Constituição.

O senador argumenta que conceitos como “risco democrático” e “abalo institucional” substituem os requisitos objetivos previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal.

A nota também critica o que o parlamentar chama de comprometimento da imparcialidade judicial. Para Marinho, manifestações anteriores do magistrado configuram “pré-julgamento” e invertem a presunção de inocência, validando uma narrativa prévia em vez de apurar os fatos.

O senador afirma ainda que a decisão representa a adoção de um “Direito Penal do Inimigo”, em que o foco deixa de ser a conduta e passa a ser a pessoa — modelo que, segundo ele, “corrói garantias fundamentais e ameaça todos os cidadãos”.

Leia a íntegra da nota de Rogério Marinho sobre a prisão de Bolsonaro

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O recém-empossado ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho (à esq), e o presidente Jair Bolsonaro, durante solenidade no Palácio do Planalto – 11/2/2020 | Foto: Adalberto Marques/MDR

A decisão que determinou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro ultrapassa limites constitucionais e ameaça pilares essenciais do Estado de Direito. Em vez de se apoiar em fatos e provas, adota uma lógica de culpa por associação, atribuindo responsabilidade criminal por vínculos familiares — prática vedada pela Constituição e incompatível com qualquer sistema jurídico democrático.

A prisão decretada tem caráter nitidamente punitivo, antecipando pena sem demonstração concreta de ato típico, ilícito ou doloso. Conceitos vagos como “risco democrático” e “abalo institucional” substituem exigências objetivas do artigo 312 do CPP, em contradição com a própria jurisprudência do STF. A imparcialidade objetiva, fundamento do juiz natural, é comprometida por manifestações anteriores que indicam pré-julgamento.

A presunção de inocência é invertida, e o processo passa a validar uma narrativa já estabelecida, não a esclarecer fatos. Trata-se, na prática, da adoção de um Direito Penal do Inimigo, em que não se julga a conduta, mas a pessoa. Esse modelo corrói garantias fundamentais e ameaça todos os cidadãos, não apenas o investigado.

O alerta aqui é institucional e histórico: quando o Direito é moldado para atingir um adversário político, deixa de proteger toda a sociedade. E quando a lei deixa de conter abusos, ela se converte em instrumento do próprio abuso.

ROGÉRIO MARINHO
Senador da República (PL-RN)
Líder da Oposição no Senado

Oposição vai tentar avançar com anistia

A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro desencadeou uma movimentação imediata dentro da oposição, que já trabalha para transformar o episódio em motor político para destravar a votação da anistia no Congresso. 

Conforme apurou Oeste com fontes, integrantes da oposição estão organizando uma reunião presencial nesta segunda-feira, 24, em Brasília, com presença dos principais nomes do PL e de partidos aliados.

Moraes reforça restrições e ordena vistoria em veículos na casa de Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, que foi ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, enquanto aguarda julgamento por uma suposta conspiração para anular as eleições de 2022 — Brasília (DF), 14/8/2025 | Foto: Adriano Machado/Reuters

Segundo parlamentares envolvidos na articulação, a ordem agora é clara: colocar a anistia de vez na pauta da Câmara. Eles avaliam que, embora a prisão tenha sido fundamentada por Moraes como tentativa de fuga, o episódio está diretamente ligado ao processo da suposta tentativa de golpe — o que, para eles, justifica acelerar a ofensiva política.

Interlocutores afirmam que a avaliação interna é de que “não há mais por que adiar”. O entendimento é que, diante do agravamento do cenário jurídico de Bolsonaro, a janela política para aprovar a anistia ou, no mínimo, reduzir drasticamente as penas dos condenados do 8 de janeiro ficou mais estreita — e, por isso mesmo, mais urgente.

Leia mais em: “Com prisão de Bolsonaro, oposição vai tentar emplacar a anistia”

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