A cantora Adele, também vítima da cultura do cancelamento | Foto: Reprodução/Instagram
A cantora Adele, também vítima da cultura do cancelamento | Foto: Reprodução/Instagram

A hipocrisia da cultura do cancelamento

Há um esforço global para derrubar espaços exclusivamente femininos e acomodar uma agenda radical de gênero que promova ideologias anticientíficas como verdade

A demoníaca cultura do cancelamento fez — ou pelo menos tentou fazer — outra vítima. Desta vez foi com Adele, a cantora britânica mundialmente reconhecida. A vencedora de mais de uma dúzia de Grammys cometeu o crime hediondo de defender o sexo feminino na premiação anual de música da British Phonographic Industry

Os organizadores do BRIT Awards anunciaram pela primeira vez que sua premiação seria “sem gênero”. A mudança, alegaram, pretendia mostrar o “compromisso da organização em evoluir para ser a mais inclusiva e relevante possível”. Em vez disso, enterrou as realizações de artistas conceituadas como Adele, que veem sua feminilidade como um ativo no mercado. Ao receber o prêmio de melhor artista do ano, Adele resolveu dizer o óbvio: que as mulheres não querem e não devem ser apagadas em nome de uma suposta “inclusão”. “Entendo por que o nome deste prêmio mudou, mas eu amo ser mulher e ser uma artista feminina — eu amo, eu amo!”

Boom. Os comentários de Adele receberam mais atenção do que a excepcional qualidade de sua música e de seu trabalho. No dia seguinte, muitos meios de comunicação destacaram vários tuítes de “influencers” da comunidade LGBT difamando a “Artista do Ano” como uma “feminista radical trans-excludente”, ou “TERF”, nome pejorativo dado a mulheres que, supostamente, não apoiam as causas trans. Os intolerantes do bem do teclado criticaram Adele por ela receber o prêmio e — pasmem! — não usar a baboseira da tal linguagem neutra em seu discurso. Mas não há nada de errado no comentário pró-mulher da cantora; muito pelo contrário, a verdade é que as mulheres podem — e devem — falar quando espaços dedicados a nós são arrancados em nome de uma suposta “inclusão”.

Há um esforço global para derrubar espaços exclusivamente femininos e acomodar uma agenda radical de gênero que promova ideologias anticientíficas como verdade. E isso está acontecendo em escolas, prisões, esportes e no mundo do entretenimento. Crianças e adolescentes com idades entre 4 e 18 anos estão aprendendo em muitas escolas públicas dos Estados Unidos que podem trocar seus pronomes, a aparência e até suas partes íntimas, dependendo de como se sentem. Essas mesmas escolas, financiadas com o dinheiro dos pagadores de impostos, justificam permitir que meninos do ensino médio que se identificam como meninas entrem nos banheiros femininos, o que abriu a porta para agressões sexuais. Homens, alguns acusados de crimes sexuais contra mulheres, estão sendo transferidos para prisões femininas aqui na Califórnia e em outros Estados democratas simplesmente porque afirmam que são mulheres. Mesmo esportes universitários exclusivos para mulheres, que deveriam ser protegidos pelo Título IX (lei de 1972 que previne a discriminação de gênero no sistema educacional atlético dos EUA, dando a cada gênero direitos iguais a programas educacionais, atividades e assistência financeira federal), são ameaçados por homens biológicos que “se sentem como mulheres”, como a nadadora da Universidade da Pensilvânia Lia Thomas, e aliados radicais das políticas de gênero na NCAA (Liga Universitária Americana).

Identidade de gênero como ideologia

Adele não é a primeira celebridade feminina a ser cancelada pela turba que jura por tudo que é mais sagrado proteger as minorias e as mulheres. Em 2019, J.K. Rowling, autora da série Harry Potter, saiu em defesa de uma mulher britânica que foi demitida de seu emprego por postar em suas redes sociais que “homens não podem se transformar em mulheres”, uma visão que muitos chamam de transfóbica. Como resultado, fãs furiosos tacharam a autora de TERF, queimaram seus livros e até enviaram ameaças de morte. Rowling saiu em defesa de Maya Forstater, que apenas disse o óbvio: que existem somente dois sexos biológicos. A bilionária do mundo literário também acrescentou em uma entrevista que “muitas mulheres estão preocupadas com os desafios aos seus direitos fundamentais que estão sendo colocados em xeque por certos aspectos da ideologia de identidade de gênero”. Logo após o episódio, Rowling se envolveu em uma outra “polêmica”, depois de criticar um artigo que usava o termo “pessoas que menstruam” em vez de “mulheres”.

Não entre em pânico

Não, não somos os únicos com a sensação de que o mundo está de cabeça para baixo. Estamos em tempos de tiranias governamentais e culturais. É fato que cada geração teve de lidar com suas próprias manifestações de bullying e vergonha pública. A década de 1950 viu o macarthismo, a perseguição política que expliquei em detalhes num artigo publicado aqui em Oeste e que voltou com tudo nesses tempos atuais de extrema polarização política. Na década de 1690, em Salem, no Estado de Massachusetts, a história testemunhou a caçada e os julgamentos de bruxas. Agora, estamos sofrendo com a digital perversa de nossa geração, que ficará marcada nos livros como a “cultura do cancelamento”. A vergonha pública do século 21, no entanto, não atinge milhares, mas dezenas de milhões e é capaz de fazer isso de maneira instantânea na internet e nas mídias sociais — com muita frequência, sob o manto do anonimato dos mascarados do Twitter, a cracolândia da internet.

A ruína de nossa geração é uma hidra de muitas cabeças, como o doxing (prática de descobrir informações pessoais sigilosas de uma pessoa e divulgá-las on-line), a exposição pessoal, a vingança e o cancelamento das carreiras de figuras públicas. As “manchas” são baseadas na suposição de que os alvos entrarão em pânico; eles se desculparão e buscarão penitência, reduzindo-se a ídolos tímidos e bajuladores da turba demoníaca. O objetivo é a trotskização eletrônica: fazer essa gente que ousa questionar a vil e segregacionista agenda identitária — pedindo desculpas ou não — desaparecer das telas dos computadores como se nunca tivesse existido.

Adele é uma mulher adulta que canta sobre suas experiências como mulher. Por que ela deveria se desarmar ou negar o que, essencialmente, é seu “superpoder”? Apesar de todo o lixo encontrado no Twitter, outras pessoas saíram em sua defesa — um sinal de que possivelmente estamos começando a emergir de um estado catatônico excessivo. Onjali Rauf, outra autora britânica de sucesso e fundadora da ONG Making Herstory, uma organização de direitos da mulher que combate o abuso e o tráfico de mulheres e meninas no Reino Unido, foi até a cracolândia da internet e disse: “Obrigado, Adele! Obrigado por falar duas palavras que estão sendo difamadas. Mulher. Feminino”. Um editorial da educadora Debbi Hayton, publicado pela revista Spectator, foi igualmente efusivo, agradecendo a Adele por se arriscar a ter o mesmo destino de J.K. Rowling e outras mulheres que “foram perseguidas, e perseguidas sem piedade, simplesmente por defender seu sexo. A mensagem de Adele para mulheres e meninas foi inspiradora”, disse Hayton. 

Trinta anos atrás, Kurt Cobain abriu a década de 1990 usando vestidos. Quem pensaria que o discurso de Adele, abraçando e afirmando sua feminilidade, seria considerado tão transgressor hoje em dia? Dizer em voz alta que você tem orgulho de ser mulher agora é ofensivo. Estamos realmente surpresos neste momento? Há uma década, se alguém dissesse que uma mulher seria criticada pelo crime de pensamento de dizer que gostava de ser mulher, teríamos caído em gargalhadas por uma piada tão ridícula. Mas agora é real. E a cultura do cancelamento não vai parar a menos que aqueles que estão sujeitos a ela revidem.

Kurt Cobain: show com roupas femininas | Foto: Reprodução

Adele, como nos ensina um dos maiores pensadores contemporâneos, Jordan Peterson, não pediu desculpas a uma turba sedenta de sangue e tampouco suavizou suas declarações. Toda vez que uma pessoa pede desculpas ou se ajoelha no confessionário dos jacobinos para algum tipo “reeducação”, os tubarões bradam: “Veja, nós fizemos isso!”. E isso não é apenas ideológico, é também pessoal. Muitos saem de suas obscuras tocas em tempos de julgamentos, como o das bruxas de Salem ou mesmo no reinado de terror da Revolução Francesa. Criaturas inúteis e parasitas de almas, essa gente mesquinha, no fundo, faria de tudo para trocar de lugar com os cancelados. Eliminando o brilho que incomoda, o ego dos abutres fica fortalecido. E sob o pretexto da justiça social, eles cometem ações irresponsáveis e até perigosas. Toda essa insanidade não vai parar até que lutemos e sejamos explícitos que não temos medo, que não vamos nos desculpar por quem somos ou por aquilo em que acreditamos. A cultura do cancelamento é uma ilusão que deve ser destruída.

Os espaços femininos são projetados para fortalecer, proteger e celebrar as mulheres por suas realizações. Quando influências culturais, como prêmios e conquistas, abandonam o prestígio específico do sexo, eles acabam por tirar a honra e o respeito que vêm de ser uma mulher realizada. Apesar das tentativas do BRIT Awards, que segue a nefasta agenda de gênero neutro de apagar a importância do sexo, Adele orgulhosamente defendeu as mulheres e disse ao mundo que ama como foi criada. Ao final de seu discurso, ela afirmou: “Estou muito orgulhosa de nós. Estou realmente muito orgulhosa”.

Eu também, Adele. Eu também. 

Leia também “Este homem é uma lutadora”

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43 comentários Ver comentários

  1. Acho que chegamos no apogeu da mediocridade/vulgaridade iniciada nos governo do líder máximo da seita petista . Um sujeito sem escrúpulos , analfabeto, corrupto e vulgar que glamorizou a indecência , a vulgaridade , a cretinice . Um prato cheio pra gente igual a ele

  2. Querida. Hoje já é quinta-feira, 10h12min., mas quero deixar registrado o que penso da guerra. Trump acalmou o Putin, fez agrado nos chineses, conversou com o ditador da coréia do norte, buscou a paz entre Irã, Arábia e Israel, mas o consórcio norte-americano não quis ele. O Biden é o que promove o caos e dificulta a Paz Mundial. Nota: eu gostaria muito que o Bolsonaro na sua live pedisse aos cristãos muitas orações para que acabasse logo o conflito na Ucrânia. O pessoal da esquerda que tem dotes ateus e persegue os cristãos deve estar torcendo para o ditador russo. Até o Facihm que é comunista deve ter engolido a seco quando sisse que o TSE já estava em ataque de hacker russo (depois acrescentou macedônios e esqueceu de dizer que o pt também tem hacker). Agora, com o companheiro Putin agindo na Ucrania, o que ele pensa a respeito? E o outro comunista Lewandowiski que mandou os governadores do nordeste vacinaram o povo com a vacina spunik que até hoje não foi autorizada pela Anvisa?

  3. Este tipo de CANCELAMENTO e etc so tem aonde as pessaos tem tudo e tempo de sobra. Na Asia, Africa e boa parte das Americas aonda as pessoas tem que correr atars do pao de cada dia isto nao vinga.

    Alias, como seria o mundo daqui a algumas geracoes se nao tivermos mais mulheres e homens de vdd? Tipo raca sera exstinta …

  4. Já chegamos em um ponto em que um homem heterossexual (normal) dizer que não transaria com um travesti significa que é transfóbico.
    Viramos do avesso, da perseguição à aceitação para agora virar conversão incondicional e entusiástica em poucos anos.
    Há alguns anos eu dizia “vai dar mer…”
    Já tá dando. E o tsunami ainda nem chegou a praia.

  5. É a dialética reversa, aplicada as mulheres que não se aglutinaram a causa progressista, virarão alvo como se inimigos fossem. Me desculpem aos mansos mas diplomacia não irá impedi-los.

  6. Ana esta sede pelo cancelamento dos que não comungam da mesma opinião está a cada dia mais perigoso.
    No entanto, diversas empresas acordaram para a volta ao normal, pois a lacrolandia não suporta a necessidade de lucro das empresas…

  7. Minha cara Ana Paula.
    Cada dia se torna mais difícil a MULHER ser MULHER e o HOMEM ser HOMEM.
    O ROSA e o AZUL viraram crimes.
    Tentam transformar as crianças em COISAS, só que biologicamente só nascemos MENINOS ou MENINAS, não tem como ser diferente.
    Depois permitem que MARMANJOS pratiquem esportes em equipes femininas, só por se sentirem MULHERES.
    As vezes me sinto milionário, mas meu extrato do banco me trás a realidade, será que não há ninguém que mostre o “EXTRATO DO BANCO” para esses caras?

  8. por que os ditadores tanto se esforçam para alijar o povo das redes sociais onde pode opinar de forma livre e legal? pelo medo pois sabe bem que será o povo que punirá o ladrão criminosos que as cortes de forma tão absurda e criminosa impunizou … mas só idiotas imaginam controlar 210 milhões de vítimas e REPITO … é o POVO mesmo em urnas questionáveis punirá o ladrão de vez .. nada impedirá isto.

  9. Ana tem 1000% de razão: os fracassados e invejosos lançam mão de uma ideologia jurássica na tentativa de impor sua dominação sobre todos. Só terão esse poder se deixarmos.

  10. Tenham orgulho de ser Homens ; Tenham orgulho de serem Mulheres. Outros que querem ser diferentes, “trans” qq coisa, que sejam, mas não nos venham impor suas vontades ou modas idiotas.

  11. Fantástica colocação. Preservar as liberdades. Devemos preservar a liberdade de quem pensa de forma diferente da nossa, mas sem permitir que nossa liberdade seja extinta por minorias.
    Hoje as minorias são maioria. Todos querem se encaixar em um grupo de minorias que os identifique, e obter vantagens dentro desse grupo. Infeliz realidade.

  12. Amo ser mulher e amo mais ainda ter que lutar por meus direitos. Esse momento horrível vai passar mas os jovens já foram afetados e isso é o pior de tudo.

  13. A imposição dessa agenda por minorias frustradas só vai parar, se nós, que somos a maioria e não compactuamos com essa palhaçada não nos acovardamos. Tenho orgulho de ser mulher e admiração pelas duas celebridades citadas no texto, que apesar do linchamento social se mantiveram em suas posições. Sabe-se o cancelamento, não vivo em rede social. Isso é para quem não tem vida .

    1. Sim estamos vivendo tempos de tirania,agora é proibido ser mulher e feminina? Ou ser homem e masculino?Volto aqui para lembrar que um pai de aluno foi retirado a força de uma reunião escolar por estar sem máscara,em uma escola em Nova York.Me lembrou o início da pandemia,onde mulher foi igualmente retirada de uma praça vazia por estar sem máscara.A tirania,a falta da liberdade de expressão e a repressão por qualquer opinião emitida não pode mais ser aceita por nós.

  14. Que bom não é Ana que ainda a maioria das mulheres tem orgulho de ser mulher. Não fosse assim qual o encanto de viver conforme a natureza nos criou? Sim, temos que ser tolerantes com quaisquer minorias, desde que não nos imponham suas irracionalidades.

  15. Obrigada Querida Ana Paula Henkel ! Eu também tenho orgulho de ser mulher! Parabéns Adele! Esse comentário não é repetido!

  16. Parabéns Ana Paula pela sua posição firme em defesa da sanidade social. A luta é insana mas, em momento algum, podemos arrefecer. Avanti! Forza!

  17. Baita artigo, encorajador Ana. Realmente é assustadora a realidade atual que vivemos, as vezes me pego meio niilista diante desse combo (politicamente correto + pandemia + ideologias). Já não me surpreenderia se Cristo descesse hoje pra levar a sua noiva com ele, porque parece que já estamos no Apocalipse. Mas sei que temos uma luta aqui na Terra. Cristo disse:
    “Mateus 10:34 Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada”
    Que Deus nós dê coragem e esperança pra ultrapassar esse período da história.
    Obrigado pelo texto Ana.

  18. Respeito a privacidade e os regimentos internos. Como não tenho contato com o pessoal aí da revista deixo apenas um toque. Agora, 17h20min. Recebi recado de amiga de um outro Estado (fazem uns 10 minutos atrás) que ela foi cancelada e descobrimos que o patrulhamento de máfias está começando em grande escala. Basta denunciar a pessoa, no facebook ou outra rede falando de alguma postagem considerada de ódio e pronto! Lá se vai mais uma conta. Ou seja, não é o face que diretamente censurou. Foi um dedo duro que já está vigiando e agindo.

  19. Penso que há ainda um outro aspecto a ser pensado na cultura do cancelamento. Tentar ferir uma pessoa destacada dá ao agressor uma sensação de poder. São, portanto, pessoas pequenas, inseguras e fracas, que tentam ganhar alguma satisfação. Seria como subir nos ombros dos gigantes, não para enxergar longe, mas para alcançar os holofotes.

  20. Foi dada a largada, agora não têm volta!! Serão os mimizentos dos politicamente corretos contra os originalmente concebidos, gerados naturalmente e satisfeitos e orgulhosos do que são.

  21. Mais um artigo maravilhoso seu Ana Paula ! Mas gostaria de corrigi-la num só caso , os julgamentos de Salem em Massachusetts não ocorreram na década de 1960 e sim na década de 1690 ,para ser exato entre 1692 e 1693 !Como consequência desse crime teológico 30 pessoas inocentes foram julgadas culpadas de feitiçaria e das quais 14 mulheres e cinco homens foram enforcados e um homem Giles Corey foi esmagado até a morte , mais cinco que morreram na prisão !

    1. Olá, João Carlos,

      É uma satisfação contar com assinantes atentos como você. Houve um erro de digitação, já corrigido no texto.
      Agradecemos seu contato e continue conosco!

  22. Querida Ana. Eu adoro a minha esposa. É uma Mulher marca 3B. E sou Homem desde 1949. Aqui no sertão profundo o nosso companheirismo é marca registrada de um casal que conhece o outro só pelo olhar e pelo perfume.

    1. Eu sou de 1950 e completo 42 anos casado com a minha italiana e feliz ,espero fazer bodas de ouro com ela ,minha amiga e companheira e principalmente amor da minha vida !

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