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Saúde

Pacientes do SUS esperam em dobro por diagnóstico e tratamento do câncer

Estudo mostra que média nacional de atendimento ultrapassa limites do que manda a lei de prevenção e controle da doença

SUS
Sistema Único de Saúde (SUS) | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Um levantamento inédito do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) aponta que pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam uma demora acima do permitido em lei para acessar exames e iniciar o tratamento oncológico. O estudo mostra que a média é de 50 dias até a confirmação do diagnóstico e 75 dias até o início da terapia.

A Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC), em vigor desde 2023, estabelece prazos menores: até 30 dias para a realização de exames e 60 dias para o começo do tratamento. Na prática, pacientes chegam a esperar mais de um mês além do previsto na norma. A organização do 12º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer divulgou os dados nesta terça-feira, 16. 

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Situação de pacientes expõe desigualdades

O levantamento cruzou informações do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Além disso, contou com registros via Lei de Acesso à Informação (LAI). Os números englobam 21 estados, o Distrito Federal e 12 capitais, entre elas, Belo Horizonte, Recife, Manaus, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Mais de um terço das gestões, no entanto, não respondeu no prazo legal. 

Para a médica sanitarista Catherine Moura, CEO da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) e líder do TJCC, os dados expõem desigualdades no país. Segundo ela, Sul e Sudeste apresentam indicadores mais próximos do que prevê a lei, enquanto Norte e Nordeste concentram os maiores gargalos.

A propaganda do governo

Em maio deste ano, o governo federal fez propaganda para divulgar parceria com estados e municípios em torno do lançamento do programa  “Agora Tem Especialistas”. A promessa era de ampliar o acesso da população a consultas, exames e cirurgias. 

Conforme o Ministério da Saúde, a ideia é usar toda a estrutura de saúde do país, pública e privada, para aumentar a capacidade de atendimento nas redes locais. A expectativa era de reduzir o tempo de espera dos pacientes. O problema, no entanto, persiste. O programa prometia avançar no tempo de atendimento em especialidades prioritárias, como oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia. 

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