ABP: faltam evidências sobre benefícios da maconha em transtornos psiquiátricos

Associação de Psiquiatria destaca que a substância pode desencadear ou piorar doenças mentais
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Uso e abuso de maconha pode ser gatilho para distúrbios como transtorno bipolar e esquizofrenia
Uso e abuso de maconha pode ser gatilho para distúrbios como transtorno bipolar e esquizofrenia | Foto: Reprodução/Flickr

Não há evidências científicas de que o uso de derivados da Cannabis sativa, a popular maconha, seja benéfico para o tratamento de doenças psiquiátricas. Este é o posicionamento oficial da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que publicou no último dia 17, em revista especializada, seu posicionamento sobre a indicação de derivados da planta psicotrópica para o tratamento de doenças mentais.

A ABP destaca que “diversas pesquisas realizadas no Brasil e em todo o mundo tentam descobrir se realmente há eficácia no uso de canabidiol (CBD) no tratamento de diversas doenças”, mas “não há evidências científicas suficientes que justifiquem o uso de nenhum dos derivados da cannabis no tratamento de doenças mentais”.

Muito pelo contrário. “Diversos estudos associam o uso e abuso de cannabis, bem como de outras substâncias psicoativas, ao desenvolvimento e agravamento de doenças mentais”, diz a ABP.

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A associação também lembra que as substâncias psicoativas presentes na cannabis causam dependência química, podem desencadear problemas psiquiátricos e piorar os sintomas de doenças mentais já diagnosticadas. “Esse é o caso da esquizofrenia – estima-se que o risco para desenvolvimento da doença seja quatro vezes maior e o uso de cannabis piora o prognóstico da doença”, acentua o posicionamento.

Estudos também demonstram que o uso de cannabis também está associado à “alteração basal de humor, à depressão, ao transtorno bipolar, aos transtornos de ansiedade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e à ideação suicida”.

A ABP defende a continuidade dos estudos sobre os eventuais benefícios do canabidiol, mas as pesquisas sobre os efeitos colaterais e a probabilidade de dependência não devem ser deixadas em segundo plano, mas intensificadas.

A associação também critica a o posicionamento de alguns veículos de comunicação, que “têm endossado estudos sobre os possíveis ‘benefícios’ da cannabis”, o que contribui para “a impressão de que a maconha é um produto totalmente seguro e inofensivo para o consumo, sobretudo pelos mais jovens”. Porém, sustenta a ABP, “essa ‘publicidade’ positiva remete à época em que os cigarros eram comercializados com chancela da mídia e até mesmo de parte da comunidade médica para atender interesses financeiros”.

A Associação Brasileira de Psiquiatria lembra que no Brasil o Conselho Federal de Medicina (CFM) autoriza o uso de canabidiol apenas para crianças e adolescentes com epilepsia de difícil tratamento e, nos Estados Unidos, a Associação Americana de Psiquiatria não endossa o uso da cannabis para fins medicinais. Também lá a associação de psiquiatria diz que “não há evidências científicas atuais de que a cannabis seja benéfica para o tratamento de qualquer transtorno psiquiátrico”

Sem evidências científicas dos benefícios, a ABP alerta que os médicos que receitam o uso da substância “devem ter plena consciência dos riscos e responsabilidades inerentes à prescrição”.

Ao concluir seu posicionamento, a ABP escreve que “após avaliação criteriosa, tendo em vista os diversos prejuízos destacados, no momento, não apoia o uso da cannabis e de seus derivados com fins medicinais na área de psiquiatria, nem apoia seu uso para fins recreativos”. A associação também reforça que “não há nenhum registro em nenhuma agência reguladora internacional de nenhum canabinoide para tratamento de nenhuma doença psiquiátrica”.

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