Covid-19: comitê do governo de SP está ‘muito distante’ do interior, diz prefeito de São José dos Campos

Felicio Ramuth (PSDB) diz que técnicos do centro de contingência 'ficam no conforto do ar condicionado' e impõem medidas de restrição sem observar a realidade do município
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Felicio Ramuth, prefeito de São José dos Campos, criticou endurecimento do isolamento social determinado pelo governo do Estado
Felicio Ramuth, prefeito de São José dos Campos, criticou endurecimento do isolamento social determinado pelo governo do Estado | Foto: Adenir Brito/PMSJC

Correligionário do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o tucano Felicio Ramuth, prefeito de São José dos Campos (SP), criticou nesta terça-feira, 16, o endurecimento das restrições impostas pelo centro de contingência da covid-19 do governo paulista. Ele foi entrevistado pelo programa Opinião no Ar, da RedeTV!, do qual participam o editor-executivo de Oeste, Silvio Navarro, e Rodrigo Constantino, que integra o time de colunistas da revista.

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Ramuth foi um dos administradores municipais que recorreram à Justiça para manter a cidade que governa em fases menos restritivas do chamado “PlanoSP”, criado pelo governo Doria. Segundo ele, São José dos Campos, “entre as maiores cidades do Estado de São Paulo, tem as menores taxas de óbitos por 100 mil habitantes”.

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“A gente tem discussões pontuais com o governo do Estado. A equipe do comitê de enfrentamento está muito distante do dia a dia das cidades. Estão na capital. Quando pensam em restaurantes, pensam nos restaurantes de São Paulo. Acontece completamente diferente aqui. As realidades são completamente diferentes. Os prefeitos poderiam e deveriam chamar para si a responsabilidade”, afirmou Ramuth. “Vida é saúde e economia. A gente tem que ficar de olho nos dois para que possamos passar por essa pandemia.”

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O prefeito de São José dos Campos lamentou ter de “seguir as determinações dos técnicos que ficam no conforto do ar condicionado”. “Não sou contra qualquer ação para restringir o nível de contaminação, mas isso deve acontecer no momento certo para cada cidade”, afirmou Ramuth. “Defendo que cada cidade possa ter autonomia para determinar o que pode ou não pode abrir. O que a gente viu no mundo [com o endurecimento das restrições] são resultados que não foram bons para a saúde nem para a economia.”

O que é ‘essencial’?

Ramuth questionou também a classificação dos “serviços essenciais”, os únicos autorizados a funcionar na fase atual do PlanoSP. “O que é essencial? Por que o supermercado não poderia abrir às segundas, quartas e sextas, e o comércio dito não essencial às terças, quintas e sábados? As igrejas, que são tão importantes para o conforto espiritual neste momento. Claro, cumprindo os protocolos, com distanciamento. É uma ideia que, infelizmente, não posso colocar em prática porque a lei não me permite”, disse.

O prefeito lembrou que, em janeiro deste ano, impôs maiores restrições ao comércio da cidade, no momento em que as infecções registraram aumento. “Em janeiro, eu fechei a cidade, independentemente de decreto estadual. Falamos que a situação estava grave, talvez a situação que a cidade de São Paulo está vivendo hoje. Eu entrei na Justiça quando os dados já apontavam a fase laranja para São José dos Campos, e o Estado resolveu fechar tudo”, recorda.

“Algumas imposições do governo estadual não aconteceram no momento correto. Sempre defendi que nossa cidade tivesse autonomia para saber o momento de fechar e de abrir.”

Na entrevista, Ramuth defendeu que chegou o momento de “analisar acertos e erros” no combate à pandemia. “Todos erraram e acertaram: governo federal, governo estadual, governos municipais e cada um de nós. Sempre defendi que analisássemos a vida, na verdade, como saúde e economia. Não só um lado ou o outro lado”, disse. “Para os velhos problemas, temos que tentar novas soluções. O que temos visto é que os resultados não são bons, nem para a economia nem para a saúde.”

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