‘Se pudesse, teria comprado’, diz ex-assessor de Pazuello sobre vacinas

Em depoimento à CPI, Airton Soligo afirma ter atuado pela 'pacificação' das relações entre o Ministério da Saúde e o Butantan
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Airton Soligo era apontado como o 'braço direito' do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello
Airton Soligo era apontado como o 'braço direito' do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello | Foto: Flickr/Senado

Em depoimento à CPI da Covid nesta quinta-feira, 5, o empresário e ex-assessor do Ministério da Saúde Airton Soligo, conhecido como Airton Cascavel e apontado como “braço direito” do ex-ministro Eduardo Pazuello na pasta, afirmou aos parlamentares que, “se pudesse”, teria comprado vacinas contra a covid-19 ainda no ano passado, avançando nas negociações com as farmacêuticas.

Cascavel atuou na Saúde pelo menos por dois meses informalmente, antes de assumir um cargo público, como assessor especial, de junho de 2020 a março de 2021. Ele era considerado uma espécie de “número 2 informal” da pasta durante a gestão de Pazuello.

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Documentos enviados pela Procuradoria da República no Distrito Federal à CPI mostram fotos e referências a Cascavel como “número 2 do Ministério da Saúde”. A suspeita dos parlamentares é a de que o empresário tenha usurpado de função pública — ou seja, atuado como gestor público sem vínculo formal.

“Não fui omisso. Fiz minha parte. Quando falam da vacina, eu chego a dizer o seguinte: se eu tivesse o poder de decisão que muitas pessoas dizem, eu teria comprado, mesmo não podendo comprar como a lei dizia. Se pudesse, eu teria comprado a Pfizer, a Janssen, e estaria aqui hoje respondendo por que comprei”, afirmou o ex-assessor da Saúde.

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CoronaVac

Durante o depoimento, Soligo disse que atuou pela “pacificação” das relações entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan, responsável pelo envase e pela distribuição da vacina chinesa CoronaVac no Brasil. “Toda vacina era necessária. Então, foi essa interlocução que se pacificou. Quero dizer que naquele momento se pacificou essa relação, ela voltou, andou, ficou pactuado entre o Butantan e o ministério”, afirmou.

“Fui mandado para São Paulo na função de interlocutor. Nos reunimos com a equipe do ministério, da Vigilância Sanitária, o setor jurídico, para tratar dessa aproximação necessária, porque era necessário naquele momento”, prosseguiu o empresário. “Nós precisávamos de vacinas e o Butantan tinha 6 milhões de vacinas, Era construir esse diálogo, retornar esse diálogo para que isso viesse a acontecer.”

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Atuação informal

Ainda segundo o ex-assessor do ministério, o então ministro Pazuello não “terceirizou” nenhuma atribuição no comando da pasta. “Nunca houve processo de terceirização de competência”, disse.

Questionado, então, por que atuou durante algum tempo sem vínculo formal com o governo, ele respondeu: “Fui providenciar a documentação, e nos meus documentos faltava a desvinculação do cargo de administrador de uma pequena empresa que tenho. Eu fui solicitar essa mudança. Os cartórios estavam fechados para fazer a mudança. Levou mais uma semana de atraso”, afirmou.

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De acordo com Soligo, no período em que atuou informalmente no ministério, ele trabalhou como um “interlocutor” com o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). “Como tenho relação com Conasems, fui ex-prefeito, fiquei nessa interlocução. Eu fiquei participando dessa interlocução com os prefeitos do nosso país.”

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1 comentário

  1. Deve ter alguma coisa escondida e secreta. Ninguém pergunta para o pessoal da CPI ou de convidados se o Brasil poderia comprar vacinas que exigiam ultrafreezers na época. O Brasil poderia comprar e distribuir para os Estados e conservá-las em freezer comum? Perguntaram onde ele colocaria as vacinas, se recebesse em dezembro/2020, janeiro e fevereiro/2021? Perguntas em respostas.

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