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Economia

Banco Central atuou para destravar venda de créditos do Master ao BRB, diz jornal

Segundo o jornal O Globo, a intervenção teria vindo do diretor de Fiscalização da instituição, Ailton Aquino; ele nega as acusações

Fachada do Banco Central do Brasil, em Brasília, em alusão à nota sobre o déficit do setor público
Fachada do Banco Central do Brasil, em Brasília | Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

O Banco Master teria contado com ajuda direta do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, para vender carteiras de crédito consignado ao BRB. A informação é do jornal O Globo.

Mensagens de WhatsApp mostram que Aquino pediu ao então presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, que comprasse os créditos para aliviar a liquidez do Master.

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As conversas ocorreram enquanto o BRB já avaliava suspender as aquisições por risco elevado. Mesmo assim, o conselho autorizou a compra de R$ 270 milhões, depois de um pedido atribuído ao “regulador”.

Pedido do regulador em transação entre Master e BRB

Sede do Banco Master, em São Paulo | Foto: Divulgação/Banco Master
Sede do Banco Master, em São Paulo | Foto: Divulgação/Banco Master

As mensagens de Aquino foram apresentadas por Paulo Henrique Costa durante a reunião do conselho do BRB em 25 de março de 2025. Segundo relatos, o diretor do BC solicitou a compra de R$ 300 milhões em créditos; o BRB disse ter apenas R$ 270 milhões disponíveis.

Houve constrangimento entre conselheiros, mas prevaleceu o entendimento de que se tratava de uma orientação do Banco Central. O conselho aprovou, por unanimidade, um waiver de 15 dias para a operação. As mensagens não constam na ata.

Meses depois, o BC vetou a compra de ações do Master pelo BRB. Em novembro de 2025, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro e outros seis executivos, e o Banco Central liquidou o banco.

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A investigação do BC, da PF e do Ministério Público Federal apontou fraude de R$ 12 bilhões em contratos de crédito consignado vendidos ao BRB. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o banco estatal transferiu R$ 16,7 bilhões ao Master.

Antes da reunião de março, o Banco Central já havia alertado o Master, desde novembro de 2024, sobre risco de sanções por falta de liquidez, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União. Os avisos se estenderam até setembro de 2025.

Mesmo assim, o diretor de Fiscalização do BC pressionou pela continuidade das vendas de crédito, segundo três fontes ouvidas pela coluna. Depois do escândalo, o BC comunicou que o BRB precisará de R$ 4 bilhões em capitalização. O governo do Distrito Federal ainda não informou quando ou como fará o aporte.

O que diz o Banco Central

Em nota, o Banco Central afirmou que Ailton Aquino jamais recomendou a compra de carteiras fraudadas. Confira o pronunciamento na íntegra:

A propósito de notícias relacionadas a cessões de carteiras de crédito do Banco Master para o BRB, o Banco Central informa que, sob o comando do Diretor Ailton de Aquino Santos, a área de Supervisão da Autarquia foi responsável pela identificação de inconsistências nas referidas operações, tendo, de imediato, promovido rigorosas investigações, que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras.

Foi igualmente da área chefiada pelo Diretor Ailton de Aquino a iniciativa de promover a comunicação dos ilícitos criminais ao Ministério Público Federal, acompanhada de documentação comprobatória e criteriosas análises técnicas. Na sequência, com o objetivo de prevenir a prática de novas operações com impactos sobre a liquidez do BRB, a área de Supervisão, sob orientação do mesmo Diretor, aplicou medida prudencial preventiva ao BRB, sendo do próprio Diretor, por fim, a iniciativa de submeter à Diretoria Colegiada do Banco Central a proposta de liquidação extrajudicial das instituições do Conglomerado Master, em razão, inclusive, dos ilícitos nelas perpetrados. 

Portanto, o Diretor Ailton de Aquino afirma que, obviamente, jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas.

O Banco Central tem a obrigação legal de acompanhar permanentemente as condições de liquidez, inclusive aquisições de ativos entre instituições financeiras, visando a assegurar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e resguardar os interesses dos depositantes, investidores e demais credores. No exercício desse mandato, a área de Supervisão do Banco Central, na forma da legislação em vigor, rotineiramente monitora riscos e busca soluções para eventuais problemas de liquidez que venham a ser identificados em toda e qualquer instituição financeira.

Compete a cada instituição financeira, conforme a legislação em vigor, a exclusiva e integral responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos que adquire em mercado, devendo manter os procedimentos e controles internos necessários para o adequado gerenciamento dos riscos de seus negócios. 

Por fim, imbuído de seu compromisso com a transparência e cioso de suas responsabilidades como servidor público e como cidadão, o Diretor Ailton de Aquino coloca à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e dos registros das conversas que realizou com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando, para essa finalidade, ao sigilo sobre elas incidente.

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