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Economia

BRB contrariou práticas prudentes ao distribuir lucros em 2025

Conforme avaliação técnica da Câmara Legislativa do DF, banco deveria ter priorizado retenção de ganhos diante da crise envolvendo o Master

O Banco de Brasília (BRB)
Prédio-sede do Banco de Brasília (BRB) | Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil

Uma avaliação técnica realizada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) sugeriu que o Banco de Brasília (BRB) contrariou práticas prudentes ao distribuir de forma intensa seus lucros em 2025, mesmo diante de negociações problemáticas com o Banco Master, as quais resultaram em prejuízo bilionário.

No período em que tentava adquirir parte da instituição do banqueiro Daniel Vorcaro, o órgão estatal destinou 62,96% do lucro líquido aos acionistas. O número supera em muito a média histórica, de 39,51%. O BRB não apresentou resposta quando questionado sobre essa decisão.

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Especialistas entendem que, em momentos críticos, o banco deveria priorizar a retenção dos lucros para fortalecer suas reservas.

Em depoimento nesta segunda-feira, 2, o presidente do BRB, Nelson de Souza, alertou deputados distritais que o banco pode paralisar suas operações se não receber aporte financeiro do governo do Distrito Federal.

Críticas à gestão do BRB e uso de patrimônio público

Conforme o parecer da CLDF, causa espanto o fato de que o Poder Executivo requeira a urgência na aprovação de um aporte de R$ 6,6 bilhões para evitar sanções do Banco Central (BC), enquanto a própria instituição financeira não adotou, preventivamente, uma política restritiva de dividendos. A solicitação do estudo partiu dos deputados Fábio Félix (Psol), Jorge Vianna (PSD) e Pepa (PP).

O documento analisou o pedido do governo Ibaneis Rocha para aportar recursos no BRB, enviado à CLDF na última semana. Como garantia, foram ofertados nove imóveis, que poderiam ser vendidos, transferidos ao banco ou usados para empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e outros bancos.

O relatório da Consultoria Legislativa afirmou que a direção do BRB “agiu na contramão da cautela exigida, promovendo o esvaziamento de seu próprio capital de absorção de perdas”. “Essa constatação compromete a justificativa técnica para o uso do patrimônio imobiliário do Distrito Federal como tábua de salvação”, completou o documento.

Imóveis e dívidas na berlinda

Autoridades suspeitam que Master e BRB usaram suposta fraude para movimentações recorrentes | Montagem sobre fotos: Rovena Rosa/Joédson Alves/Agência Brasil
Banco Master e BRB | Montagem sobre fotos: Rovena Rosa/Joédson Alves/Agência Brasil

Durante reunião na CLDF, Nelson de Souza apresentou documentos que contestam informações do governador Ibaneis Rocha. Souza afirmou que o Centro Administrativo, um dos imóveis usados na operação, vale R$ 491 milhões, ou seja, R$ 109 milhões a menos do que o valor divulgado pelo governador em dezembro.

De acordo com parecer da Procuradoria-Geral do Distrito Federal de outubro do ano passado, o plano para utilizar imóveis públicos com o objetivo de reforçar o capital do BRB começou um mês antes da liquidação do Master. Na época, o Banco Central já havia vetado a compra do Master pelo BRB, que acumulava déficit depois de adquirir R$ 12,2 bilhões em créditos problemáticos do Master, segundo a Polícia Federal e o BC.

Leia também: “Banco Master: a insustentável leveza de Brasília”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 311 da Revista Oeste

Além dos imóveis como garantia de empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, o BRB solicitou um aporte adicional de até R$ 8,86 bilhões para recompor o capital, em razão de perdas com o Master. Até o dia 31 de março, o Banco de Brasília deve publicar seu balanço e apresentar ao BC uma solução para equilibrar o patrimônio. Caso não cumpra, poderá sofrer restrições, como impedimento de abrir novas agências e expandir atividades.

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