Criptomoedas como o Real Digital podem enfraquecer os EUA?

Criptomoedas do tipo CBDC, controladas por Bancos Centrais, podem dificultar sanções econômicas de Washington e criar alternativas ao dólar
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Criptomoedas do tipo CBDC podem enfraquecer hegemonia americana no setor financeiro
Criptomoedas do tipo CBDC podem enfraquecer hegemonia americana no setor financeiro | Foto: Reprodução/Pexels

O desenvolvimento de criptomoedas conhecidas como CBDCs (sigla em inglês para Moeda Digital de Banco Central) por ao menos 18 países pode enfraquecer a hegemonia dos Estados Unidos sobre o sistema financeiro internacional. Nesse cenário, o Brasil tenta criar o Real Digital.

Mas, por enquanto, nenhum país de importância econômica significativa conseguiu desenvolver com sucesso uma CBDC. A China está em estado avançado de testes.

Assim, essas moedas virtuais devem ser baseadas na tecnologia de blockchain. Mas, são bem diferentes de criptoativos famosos, como Bitcoin e Ethereum.

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Um sistema descentralizado de administração privada gere criptomoedas como o Bitcoin. Mas, nos CBDCs, a moeda virtual é controlada pelo Estado, em um sistema centralizado. 

O Banco Central do Brasil vem estudando criar o Real Digital, que será uma versão digital do Real em papel moeda.

Assim, a instituição diz que o objetivo é “estimular novos modelos de negócio que aumentem a eficiência do sistema de pagamentos de varejo”.

“A gente vê muito uma retórica sobre as CBDCs, que vão melhorar a vida das pessoas”, disse o pesquisador André Carneiro, da escola de negócios Coppead, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Pode, sim, melhorar, não questiono, mas há alguns fatores que estão por detrás, como por exemplo essas guerras comerciais, um governo contra o outro.”

Real Digital ocorre em cenário de competição geopolítica

O pano de fundo da criação dos CBDCs é uma tentativa de países, alinhados ou não com Washington, de criar uma alternativa ao sistema financeiro global controlado pelos EUA.

Assim, o fluxo de dinheiro entre países acontece principalmente por meio do sistema Swift (sigla em inglês de Sociedade Global de Telecomunicação Financeira Interbancária) e por uma rede de bancos correspondentes de instituições bancárias americanas.

Recentemente, para tentar impedir que a Rússia invada a Ucrânia, Washington ameaçou excluir Moscou do sistema Swift — o que poderia causar, na prática, o isolamento financeiro do país.

Ao criar CBDCs, países podem viabilizar trocas financeiras internacionais sem depender desse sistema.

A ideia da China, por exemplo, é desenvolver o iuane digital e utilizá-lo em plataformas de pagamento gigantes, como Alipay e WeChat.

Em tese, o iuane digital poderia ser imposto pelo governo Xi Jinping como a principal moeda de comércio internacional em alguns países da África, do Oriente Médio e do sudeste asiático.

São áreas onde Pequim faz investimentos pesados em infraestrutura. Alguns desses governos vêm se tornando cada vez mais dependentes da economia chinesa.

Assim, essa possibilidade entra no contexto da guerra comercial entre EUA e China iniciada em 2018.

Segundo Carneiro, o Brasil não tem condições de entrar nessa disputa, mas pode usar sua futura criptomoeda para atender demandas regionais e influenciar países vizinhos.

Leia também: “O que você precisa saber sobre o Real Digital”, reportagem publicada na Edição 91 da Revista Oeste

 

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