No momento da liquidação, ocorrida em novembro de 2025, o Banco Master possuía apenas R$ 22,9 milhões depositados no Banco Central, valor que correspondia a menos de 1% dos R$ 2,5 bilhões exigidos pela autoridade monetária. A situação se agravou ao longo de 2025, com descumprimentos recorrentes das exigências referentes aos depósitos compulsórios, segundo o Banco Central em relato ao Tribunal de Contas da União (TCU).
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Desde novembro de 2024, o Banco Central identificou episódios sucessivos de insuficiência nesses recolhimentos. Em maio de 2025, o Master solicitou dispensa temporária dos depósitos compulsórios, mas a solicitação foi negada pelo BC por ausência de respaldo legal. O órgão alertou os administradores do conglomerado de Daniel Vorcaro sobre possíveis sanções preventivas para resguardar o sistema financeiro.
Alertas e tentativas de correção no caso Master
A legislação prevê, nesses casos, reuniões formais no Banco Central, registradas em termo de comparecimento, além da apresentação de um plano de ação com prazo máximo de seis meses. Um integrante do BC informou, sob anonimato ao jornal Folha de S.Paulo, que mais de 30 alertas foram emitidos ao Master para corrigir as falhas. A exigência formal ocorreu em novembro de 2024, ainda sob a presidência de Roberto Campos Neto, conforme reportou o jornal O Estado de S. Paulo.
A conduta do grupo Master passou a ser avaliada pela autoridade monetária depois de reclamações sobre a dependência do banco em captações garantidas pelo FGC e ativos baseados em precatórios possivelmente supervalorizados. Uma auditoria externa, promovida a pedido de Campos Neto, não encontrou irregularidades nesses ativos.
Outra linha de apuração do BC, aberta em fevereiro de 2024, concentrou-se nos certificados de recebíveis imobiliários e carteiras de crédito estruturadas pelo banco. O órgão notou operações com empresas até então desconhecidas, e, em setembro de 2024, surgiram os primeiros sinais de possíveis irregularidades nessas transações, de acordo com interlocutores ligados ao processo.
Investigações e suspeitas de fraudes
O aprofundamento das investigações resultou na identificação de supostos desvios de R$ 11,5 bilhões em fundos administrados pela Reag, suspeitos de integrarem operações fraudulentas do Master. Parte do esquema envolvia certificados de ações do extinto Besc, sendo R$ 5 bilhões em CRIs e outros R$ 6 bilhões em operações de crédito. Técnicos do BC obtiveram parte dessas informações por meio de acordo firmado com a CVM, em vigor desde janeiro de 2021, para compartilhamento de dados sobre cotistas de fundos de investimento.
Pela norma, administradores de fundos e instituições financeiras devem enviar mensalmente ao BC informações detalhadas sobre cotistas e fundos. O volume elevado de dados é processado com auxílio de inteligência artificial, embora o convênio tenha limitações e seja direcionado à estabilidade financeira. O BC não identificou as fraudes em 2024, restringindo-se à constatação de insuficiência de capital. Agora, a supervisão do Master está sob análise para avaliar se era possível intervenção anterior.
Em depoimento à Polícia Federal, em dezembro de 2025, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, declarou: “A pergunta central é como alguém que não tinha liquidez poderia gerar tanto crédito nesta magnitude para ceder ao BRB [Banco de Brasília]? […] Isso, obviamente, como supervisores, levanta um alerta”.
O BC informou ao TCU que, no primeiro semestre de 2024, monitorou o risco de liquidez do Master e determinou a adoção de medidas, incluindo a elaboração de um plano de contingência. No segundo semestre, apenas R$ 2 bilhões dos R$ 15 bilhões previstos em captações institucionais foram concretizados, enquanto o banco persistiu em operações de longo prazo e liquidez reduzida.
Tentativas de salvação e liquidação
Depois de novembro de 2024, o Master não conseguiu renovar a totalidade das obrigações vencidas nas plataformas de investimento. Advertido pelo BC, o banco iniciou a cessão de carteiras, suspendeu novas operações corporativas e buscou interessados em possíveis mudanças societárias, considerando a venda de entidades do conglomerado.
Em abril de 2025, o BC comunicou ao Master que as ações tomadas eram insuficientes para mitigar o risco de liquidez e que o banco não conseguia cumprir os depósitos compulsórios. Na semana seguinte, o Master buscou o FGC, obtendo assistência financeira de curto prazo, com captações garantidas de R$ 90,2 milhões até outubro de 2025, além de um suporte de liquidez de R$ 4,3 bilhões do fundo.
Em maio de 2025, iniciaram-se negociações para venda de ativos pessoais de Vorcaro ao BTG, injetando R$ 954 milhões no grupo. Em julho, a venda de ações da seguradora Kovr acrescentou R$ 418,6 milhões. O BC aprovou, em agosto, a transferência do controle do Banco Voiter para Augusto Lima, antigo sócio de Vorcaro, e, em setembro, foi registrado o repasse do Itaminas Fundo de Investimento, por R$ 401 milhões.
No início de setembro, Master e BC assinaram novo termo de comparecimento, em que se determinava a recomposição da liquidez em até dois dias úteis, prazo prorrogado até 30 de setembro depois da entrada de recursos da venda da Kovr e prolongamento da assistência do FGC até outubro. O BC rejeitou, ainda em setembro, a proposta de compra do Master pelo BRB, que envolvia R$ 23 bilhões em ativos, decisão que levou cerca de cinco meses para ser tomada.
O Master apresentou um novo plano, baseado na extensão do apoio do FGC até dezembro de 2026, mas o fundo decidiu prorrogar o suporte apenas para o Will Bank. “A busca de solução de menor custo para a sociedade sempre esteve na pauta de todas as ações do BCB [Banco Central do Brasil], fosse sob a forma de solução negociada de mercado ou de saída organizada, fosse por meio da redução gradual das atividades e da interrupção de captações para prevenir o aumento de prejuízos potenciais aos credores”, justificou o BC ao TCU.
O BC afirmou que as tentativas de solucionar a situação do Master, incluindo negociações com o BRB e vendas de ativos do controlador, não produziram os efeitos esperados. Diante do esgotamento das alternativas, a liquidação do banco foi decretada.
Em fevereiro de 2024, o BC iniciou análise sobre CRIs e carteiras de crédito do Master. Em abril, foi realizada auditoria externa, sem identificação de fraudes. Novembro marcou o compromisso do Master, via termo de comparecimento, de adotar medidas para reorganização societária. Em março de 2025, o BRB anunciou interesse na aquisição do banco, ação sujeita à aprovação do BC.
Em abril, o BC alertou o Master sobre insuficiência das medidas adotadas. No mês seguinte, o banco pediu assistência ao FGC. Em maio e julho, houve venda de ativos ao BTG e da seguradora Kovr. Em agosto, o controle do Banco Voiter foi transferido a Augusto Lima, e em setembro ocorreu a alienação do Itaminas Fundo de Investimento. O mês de setembro também incluiu novo termo de comparecimento e a rejeição da proposta do BRB pelo BC.
Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste





































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