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Economia

Caso Master: Fictor negociou fatia do BRB, mas aporte não se concretizou

Negociação envolvia recursos prometidos de Dubai, que não chegaram a ser transferidos

Master Executivo da financeira Fictor durante apresentação a investidores | Foto: Divulgação/Fictor
Executivo da financeira Fictor durante apresentação a investidores | Foto: Divulgação/Fictor

Negociações que envolvem o Grupo Fictor e o Banco de Brasília (BRB) ganharam novos contornos em junho de 2024, quando a empresa tentou adquirir uma participação no banco por R$ 324,5 milhões. O objetivo era fortalecer o capital do BRB, possibilitando que a instituição ampliasse a compra de carteiras do Banco Master, segundo documento obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo.

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A transação, porém, não avançou, porque a Fictor não conseguiu trazer ao Brasil os recursos que mantinha em Dubai, Emirados Árabes Unidos. A empresa já havia feito uma oferta para comprar o Banco Master com investidores árabes poucas horas antes da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, em 17 de novembro de 2025. Vorcaro foi detido enquanto tentava embarcar para Dubai, situação entendida pela Polícia Federal como tentativa de fuga, o que ele nega.

Impactos da desistência da Fictor no caso Master e novos acionistas no BRB

Nem representantes da Fictor nem o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, responderam aos pedidos de esclarecimento. A tentativa da Fictor de participar como investidora âncora no aumento de capital do BRB representaria uma nova peça nas movimentações do mercado, dando fôlego à estatal para aquisição de carteiras do Master.

Com a desistência da Fictor, Daniel Vorcaro, o ex-sócio do Master Maurício Quadrado e João Carlos Mansur, fundador da Reag, compraram as ações do BRB por meio de fundos. O ingresso desses acionistas foi noticiado pelo Valor Econômico e confirmado pelo Estadão. Esse reforço de capital permitiria ao BRB elevar sua alavancagem, chegando a uma relação de até dez para um, ou seja, para cada real novo, o banco poderia adquirir até R$ 10 em carteiras do Master.

As compras dessas carteiras, realizadas entre julho e dezembro de 2024, marcaram o início da relação comercial entre BRB e Master. Desde janeiro de 2025, o Master passou a vender carteiras de terceiros, pertencentes à empresa Tirreno, consideradas fraudulentas pelo Banco Central e pela Polícia Federal.

Investigações e auditorias sobre as transações

A Polícia Federal está de posse dessas informações e investiga o Grupo Fictor, que em novembro de 2025 ofertou a compra do Master e, em 1º de fevereiro, entrou com pedido de recuperação judicial para suas subsidiárias Fictor Holding e Fictor Invest.

Uma auditoria externa contratada pelo BRB apontou indícios de falhas na administração anterior, enviando relatório à Polícia Federal para apuração de possível gestão temerária nas negociações com o Master. Antes de tentar ampliar sua participação, a Fictor chegou a deter 2,9 mil ações do BRB, entre maio de 2024 e março de 2025.

A empresa expressou confiança de que o “pessoal do agro” realizaria um aporte significativo no BRB. No entanto, a transação não se concretizou por causa da falta de tempo para repatriar os valores localizados em Dubai, impossibilitando a aquisição das ações planejadas.

Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste

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