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Economia

CNJ suspeita de indústria de indenizações em programa Minha Casa, Minha Vida

Número de ações por defeitos em construções saltou de 3,3 mil em 2018 para 126 mil até março de 2023

Petições da maioria dos processos do Minha Casa, Minha Vida são idênticas | Foto: Maria Ziegler/Unsplash
Petições da maioria dos processos do Minha Casa, Minha Vida são idênticas | Foto: Maria Ziegler/Unsplash

Nos últimos anos, o número de ações por supostos defeitos nas construções do programa Minha Casa, Minha Vida tem registrado um aumento significativo e chamou atenção do Conselho Nacional da Justiça (CNJ). A apuração é do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o número de novos processos indenizatórios por supostos vícios na construção saltaram de 3,3 mil em 2018 para 28,4 mil em 2021. Para 2023, a projeção era de 35,5 mil ações, mas até março foram ajuizadas 126 mil.

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O CNJ está analisando o tema como parte de seus esforços para reduzir a litigância predatória no Brasil. Além disso, há suspeitas de uma “indústria de indenizações” no programa habitacional.

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“Existe uma litigiosidade muito grande contra o programa Minha Casa, Minha Vida, em que, ao que me informaram e ainda estamos apurando, haveria uma indústria de indenizações por vícios nem sempre existentes na construção, e as ações são ajuizadas contra o fundo da Caixa, que financia os processos”, disse o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ, Luís Roberto Barroso, em entrevista à Folha.

“Há apontamento de vícios como vazamentos, como porta que não está abrindo ou fechando, mas alega-se que os laudos nem sempre são verazes”, acrescentou o ministro. “Não estou afirmando [que todas as suspeitas se confirmam], mas é uma pesquisa que estamos levando a efeito.”

Segundo a reportagem, está em estudo no CNJ uma resolução ou um normativo para tratar do tema da litigância excessiva que, inclui o Minha Casa, Minha Vida.

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À reportagem, Barroso afirmou que pode ser necessária uma solução legislativa ou, ainda, que a questão seja analisada no Judiciário.

Segundo a CBIC, o valor médio das ações contra o programa é de R$ 110 mil, com objetivo meramente financeiro, pois os processos não pedem a correção dos defeitos.

A CBIC identificou cinco advogados com mais de 8 mil ações do tipo, sendo que um deles possui mais de 25 mil casos.

Maioria das petições de processos do Minha Casa, Minha Vida é idêntica

Entre as evidências apontadas pelo CBIC de que ocorre litigância predatória está a apresentação de petições idênticas. Além disso, a causa da ação em 80% dos casos são pedidos genéricos baseados em problemas nas instalações hidráulicas e/ou elétricas.

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Integrantes do governo federal que atuam na área da habitação também disseram à Folha, sob reserva, que estão preocupados com o número excessivo de ações no programa.

O grupo de trabalho do CNJ busca reunir informações sobre ações contra o poder público. Barroso destaca que nenhum país gasta tanto com precatórios quanto o Brasil. Precatórios são requisições de pagamento de dívidas resultantes de ações judiciais.

Barroso disse à reportagem que já conseguiu avançar na redução da litigância em execuções fiscais. Ele considera esse “o maior gargalo da Justiça brasileira”.

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Foi instituída a exigência de prévio protesto desses títulos antes da execução fiscal e extintas execuções fiscais de até R$ 10 mil que estavam paradas.

O próximo passo, segundo o ministro, é reduzir a litigância trabalhista e minimizar reclamações decorrentes de rescisões contratuais.

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