publicidade
Economia

Sachsida diz que governo não pode interferir nos preços dos combustíveis

Ministro de Minas e Energia falou sobre a crise com a Petrobras em audiência pública na Câmara dos deputados

Lula imposto combustíveis
O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, durante entrevista coletiva, depois de assumir a pasta - 12/05/2022 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em audiência pública na Câmara dos deputados nesta terça-feira, 21, o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, afirmou que o governo federal não tem como interferir na definição dos preços de combustíveis.

A animosidade na relação entre o governo de Jair Bolsonaro com a Petrobras foi ampliada nos últimos dias, com os novos reajustes nos preços de gasolina e diesel, que deflagrou uma reação política quase imediata contra a administração da empresa. Na última segunda-feira, 20, José Mauro Ferreira Coelho decidiu pedir demissão da estatal, em meio ao cenário de pressões.

Receba nossas atualizações

“Tenho que ser claro: não é possível interferir no preço de combustíveis. Não está no controle do governo e, honestamente, preço é uma decisão da empresa e não do governo”, declarou Adolfo Sachsida.

“Além disso, nós temos marcos legais que impedem intervenções do governo na administração de uma empresa, mesmo o governo sendo o acionista majoritário.”

No entanto, o ministro de Minas e Energia afirmou que o governo considera rever a política de tributos federais, com a intenção de impactar no preço final de combustíveis.

“É um passo que encontra apoio nas principais economias europeias e em vários estados norte-americanos, que diminuem a tributação para diminuir o efeito econômico da guerra da Ucrânia sobre a população mais vulnerável.”

Sobre a agenda de privatização da Petrobras, Sachsida manifestou que “chegou o momento de uma decisão”. O ministro ainda comentou a troca de comando na empresa, com a nomeação interina do diretor de Exploração e Produto, Fernando Borges, até a aprovação de um novo presidente. O indicado do governo é Caio Paes de Andrade, atual secretário de Desburocratização do Ministério da Economia.

“Quero frisar que eu respeito o presidente José Mauro, o ex-presidente da Petrobras. Tão logo assumi como ministro, achei por bem promover uma troca na empresa porque acredito que é um momento de aumentar a competição. Por isso indiquei o Caio Paes de Andrade”, comentou.

“Se o novo presidente satisfaz os requisitos? Sim, pelo melhor do meu conhecimento o novo indicado satisfaz todos os requisitos necessários para estar à frente dessa companhia.”

Aumento de preços

Na última sexta-feira, a Petrobras anunciou o reajuste do litro da gasolina vendido às distribuidoras, que passou de R$ 3,86 para R$ 4,06, em aumento de 5,2%. Por sua vez, o diesel saiu de R$ 4,91 para R$ 5,61, com salto de 14,2%. Os novos valores começaram a valer a partir do sábado.

É o primeiro aumento da gasolina em três meses. O último reajuste havia sido feito em 11 de março. Já o preço do diesel foi modificado em 10 de maio.

O reajuste foi aprovado na quinta-feira pelo Conselho de Administração da Petrobras. A estatal tem praticado no mercado interno preço abaixo do vendido no exterior, em momento de turbulência internacional, em razão dos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia. A defasagem do diesel é de 18%, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). O preço da gasolina, por sua vez, tem defasagem de 14%.

Em maio, o governo Bolsonaro trocou o comando do Ministério de Minas e Energia, com a missão de fazer andar o processo de desestatização da Petrobras. Ex-integrante do Ministério de Economia, Adolfo Sachsida assumiu a pasta e logo preparou ofícios sobre a privatização da estatal e deu início ao trâmite burocrático.

Relacionadas

Leia mais sobre:

3 comentários
  1. Fernando Correia e Silva Júnior
    Fernando Correia e Silva Júnior

    Commodities tem os preços balizados pelo mercado. Oxalá, nosso presidente não entre nessa de baixar preços por meio da “BIC”. Sou representante comercial e estou me adaptando à carestia pontual desse mercado. Privatização da Petrobrás e livre concorrência seriam a melhor forma de minimizar um pouco esse quadro, que só se resolverá, com maior capacidade de refino e o término da guerra Rússia x Ucrânia.

  2. Alberto
    Alberto

    O buraco na Petrobrás é muito mais embaixo.
    Vamos lá: 1-quando o barril de petróleo chegou a 120 dólares e o dólar estava a R$5,13 a companhia aumentou os preços.
    2- Em seguida o preço do barril caiu para 90 dólares e o dólar caiu a R$4,80. A companhia abaixou os preços????
    3- O barril de petróleo chegou novamente a 121 dólares e o dólar chegou a R$5,19. A companhia tornou a subir os preços.
    É mais do que evidente que tem um grupelho dentro da Petrobrás cujo único objetivo é prejudicar o governo. Só não enxerga quem é muito burro ou mal intencionado.

  3. Marco Polo Gerard Bondim
    Marco Polo Gerard Bondim

    Tecnicamente a empresa deve praticar sua composição e formação de preços, se resguardando da manutenção dos lucros, um de seus objetivos.
    Tecnicamente o Governo tem de buscar soluções que barateiem o preço dos combustíveis, mola mestre da economia nacional.
    Dessa situação absolutamente antagônica, só resta liberar a empresa para se tornar privada, abrir o mercado para concorrência e continuar P&D para outras formas de produção e consumo de energia.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.