Bielorússia ameaça cortar gás da Europa para evitar mais sanções

Interrupção de dois gasodutos que passam pela Bielorrússia pode agravar crise energética na Europa
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O presidente Alexandr Lukashenko é um aliado próximo da Rússia e pode cortar gasodutos que alimentam a Europa
O presidente Alexandr Lukashenko é um aliado próximo da Rússia e pode cortar gasodutos que alimentam a Europa | Reprodução/Flickr

O presidente bielorusso Alexandr Lukashenko ameaçou cortar parte do fornecimento de gás natural que a Rússia envia para a Europa interrompendo a operação de gasodutos que passam pela Bielorrússia. A ação visa dissuadir a União Europeia de aplicar novas sanções ao país devido à crise de imigrantes ilegais na fronteira com a Polônia.

A crise diplomática entre Bielorrússia e União Europeia se intensificou nesta semana, quando um grupo formado por ao menos 2.000 imigrantes ilegais da Ásia e do Oriente Médio (muitos do Afeganistão recentemente retomado pelo Talibã) tentou entrar à força na Europa pela fronteira polonesa. 

A União Européia acusou Lukashenko de enganar milhares de imigrantes com falsas promessas de que conseguiriam entrar facilmente nos países do bloco – em uma suposta tentativa de criar uma crise e desestabilizar países europeus.

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O maior grupo de imigrantes foi barrado na fronteira polonesa e vem sendo impedido pelas tropas de Lukashenko de voltar para trás. Já haveria registros de mortes devido ao clima congelante na região.

A ação de Lukashenko teria sido uma resposta a sanções econômicas aplicadas pela Europa depois que seu governo interceptou um avião comercial que passava pelo espaço aéreo do país para prender um opositor em maio.

O Brasil chegou a ser afetado, pois a exportação de fertilizantes bielorrussos (um dos maiores fornecedores mundiais de potássio) foi interrompida.

Com a atual crise dos imigrantes ilegais na fronteira da Polônia, a União Europeia passou a estudar a intensificação das sanções.

Porém, o continente sofre com uma escassez e consequente alta nos preços do gás natural – usado para aquecimento das residências, preparação de alimentos e geração de energia elétrica. Os valores das contas de luz chegaram a triplicar em alguns países.

“E se nós suspendemos o suprimento de gás? Portanto, eu recomendaria que as lideranças da Polônia, da Lituânia e outros cabeças de vento pensem antes de falar”, afirmou Lukashenko, que é um aliado do presidente russo Vladimir Putin.

Dois dos principais gasodutos que alimentam a Europa passam pelo território bielorrusso.

As novas sanções europeias à Bielorrússia eram esperadas para a próxima segunda-feira. Um dos alvos seria o aeroporto da capital Minsk, que poderia sofrer restrições ao recebimento de voos internacionais – para evitar a chegada de mais imigrantes.

Na Polônia, mais de 12 mil militares foram enviados à fronteira em uma escalada armada na região. Em Varsóvia, ativistas aproveitaram o dia da independência para protestar e pedir maior proteção das fronteiras.

Na Europa, lideranças políticas estão acusando Lukashenko de usar os imigrantes como uma espécie de arma contra o bloco. Na Rússia, o governo usa os meios de comunicação para dizer que a Europa está inventando uma crise para impor mais sanções econômicas a aliados de Moscou, segundo informes da BBC Monitoring, o serviço britânico de monitoramento da mídia internacional.

Leia também: “Representante da União Europeia se encontra com Bolsonaro”

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