O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 3, que o grupo terrorista Hamas estaria disposto a buscar um acordo duradouro de paz no Oriente Médio. A declaração ocorreu depois da divulgação de um comunicado do grupo, no qual aceitam a libertação de reféns capturados nos ataques de 7 de outubro, em resposta a uma das exigências do plano norte-americano para um cessar-fogo em Gaza.
Em publicação na rede Truth Social, Trump defendeu a suspensão imediata dos ataques israelenses contra o território palestino. “Israel deve parar imediatamente o bombardeio de Gaza, para que possamos retirar os reféns de forma segura e rápida”, escreveu. Segundo ele, já existem negociações em andamento sobre os detalhes da proposta.
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O republicano também afirmou que a medida não se restringe ao território palestino. “Isso não é apenas sobre Gaza, isso é sobre a tão buscada PAZ no Oriente Médio”, destacou.
Em discurso, Trump agradeceu aos países que colaboraram para a elaboração do plano, como Catar, Turquia, Arábia Saudita, Egito e Jordânia. Ele ressaltou a unidade internacional no processo: “Todos estavam unidos em querer que esta guerra terminasse e em ver a paz no Oriente Médio”, disse. “E estamos muito perto de conseguir isso.”
O presidente classificou o momento como único: “Quero apenas que vocês saibam que este é um dia muito especial, talvez sem precedentes em muitos aspectos”. Ele também manifestou expectativa pela libertação dos reféns. “Estou ansioso para que os reféns voltem para casa com seus pais e que alguns dos reféns, infelizmente, vocês sabem, na condição em que estão, voltem da mesma forma para seus pais.”
O plano de Trump para encerrar a guerra
A concordância do Hamas em libertar os reféns responde a um ultimato feito por Trump, que havia dado prazo até o próximo domingo, 5, para que o grupo aceitasse as condições. Caso contrário, afirmou que os terroristas iriam “enfrentar o inferno”. Apesar do gesto inicial, ainda não há definição sobre outras exigências incluídas no plano.
O documento elaborado pelos EUA, segundo Trump, contém 20 pontos principais. Ele foi redigido com o apoio de assessores especializados na região, liderados por Steve Witkoff. Entre os itens centrais, estão o cessar-fogo permanente e a libertação de todos os reféns ainda mantidos pelo Hamas, vivos ou mortos. Em contrapartida, Israel se comprometeria a libertar prisioneiros palestinos e devolver restos mortais de habitantes de Gaza.
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O texto prevê também que o enclave não será anexado por Israel e que o Hamas não participará do futuro governo. Combatentes que aceitarem se render e abandonar as armas receberiam anistia. Outra medida estabelece a retirada gradual das forças israelenses, acompanhada da desmilitarização total do território, que deve se tornar livre de grupos radicais.
Caso haja acordo, a guerra seria encerrada imediatamente, as tropas israelenses recuariam para posições pré-definidas e cessariam os ataques aéreos e de artilharia até a conclusão da retirada. A devolução de reféns deveria ocorrer em até 72 horas depois da aceitação pública do plano por Israel. Em troca, o governo israelense libertaria 250 presos condenados à prisão perpétua e outros 1,7 mil detidos depois de 7 de outubro de 2023. Para cada corpo de refém israelense entregue, seriam restituídos 15 corpos de palestinos.
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O projeto também prevê a entrada imediata de ajuda humanitária em larga escala, como fornecimento de água, energia, serviços de saúde e reabertura de estradas. A distribuição seria organizada pelas Nações Unidas, pelo Crescente Vermelho e por outras instituições internacionais, sem interferência das partes envolvidas.
No campo político, Gaza passaria a ser administrada temporariamente por um comitê de especialistas palestinos e técnicos internacionais. Esse grupo teria caráter apolítico e seria responsável pela gestão dos serviços públicos, sob supervisão de um novo órgão internacional, o Conselho da Paz, presidido por Trump e com a participação de líderes mundiais, entre eles o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
O objetivo dessa estrutura seria preparar o território até que a Autoridade Palestina concluísse reformas internas e reassumisse o controle. Paralelamente, o plano prevê um programa de desenvolvimento econômico inspirado em cidades modernas do Oriente Médio, como Dubai, com atração de investimentos internacionais, geração de empregos e oferta de novas perspectivas à população local.
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