A operação da Polícia Federal (PF) contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e um dos aliados mais próximos do presidente Lula, provocou uma mudança de rota dentro do Palácio do Planalto.
Nos bastidores, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, está revisando a estratégia adotada nos últimos meses para lidar com os desdobramentos do caso Banco Master, apurou a coluna.
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Desde que o escândalo ganhou projeção nacional, a comunicação do governo vinha trabalhando para associar o episódio a figuras da oposição, especialmente ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. O áudio divulgado pelo site de esquerda Intercept Brasil tornou-se uma das principais peças exploradas por influenciadores e perfis alinhados ao Planalto nas redes sociais.
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A avaliação de integrantes do governo era que a narrativa permitia manter Lula distante da crise e restringir o desgaste político aos adversários. A operação que alcançou Wagner, porém, alterou esse cenário.
O senador baiano integra o círculo mais próximo do presidente e exerce papel central na articulação política do governo no Congresso. Por isso, sua inclusão no radar das investigações tornou mais difícil sustentar a tese de que o caso Master estaria restrito a personagens da oposição ou do centrão.
Interlocutores do Planalto afirmam que a principal preocupação de Sidônio é impedir que o escândalo passe a ser associado diretamente ao presidente às vésperas da eleição. A ordem agora é concentrar o discurso na situação individual de Wagner e evitar que o episódio seja interpretado como um problema do governo ou do PT. Sidônio estuda ainda como rever a estratégia da esquerda nas plataformas digitais, que focalizam a artilharia em Flávio.
Mudança de estratégia
A mudança de estratégia ocorre porque auxiliares de Lula avaliam que a investigação entrou em uma nova fase. A operação da PF atingiu um dos principais quadros políticos do partido e abriu uma discussão interna sobre a conveniência de manter Wagner na liderança do governo no Senado.
Embora publicamente o governo procure minimizar os efeitos da operação, nos bastidores a avaliação é que o caso Master representa um grande foco de desgaste para o próprio Lula. É justamente esse risco que Sidônio tenta neutralizar ao reorganizar a narrativa oficial do Executivo.
Leia também: “O poder desembarca em Brasília”, reportagem publicada na Edição 325 da Revista Oeste
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