Aluno da USP é constrangido por não usar máscara

Wesley Caíque e Silva, do curso de Gestão e Políticas Públicas, foi retirado de sala de aula por recusar o uso do equipamento
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Um aluno da USP foi constrangido por não usar máscara
Um aluno da USP foi constrangido por não usar máscara | Foto: Divulgação/USP

No último dia 8, um aluno do curso de Gestão e Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP) foi constrangido em sala de aula. A razão: recusou-se a usar uma máscara anticovid-19.

Segundo o governo paulista, o uso do equipamento é obrigatório apenas nos transportes públicos e nas unidades médico-hospitalares. A utilização é opcional em ambientes abertos e fechados, como escritórios, comércios, salas de aula e academias. As orientações valem desde 17 de março.

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Essas regras, contudo, foram desrespeitadas por Alessandro Soares da Silva, professor da disciplina Sociedade e Estado. Durante a aula, o docente intimidou o universitário Wesley Caíque e Silva: “Você não pode ficar sem máscara. Terá de sair do campus”, ressaltou. O universitário rebateu: “Onde está escrito isso?”.

Soares empostou a voz e disse: “Sou servidor público. Você terá de pôr a máscara — ou sair da sala”, afirmou. “Escolha. Há duas opções.” O aluno perguntou quem iria retirá-lo. “A guarda universitária”, respondeu o professor.

Os responsáveis pela segurança da universidade pediram que o aluno pusesse a máscara, a fim de “amenizar” a confusão. O universitário rejeitou a “proposta” e abriu um boletim de ocorrência contra o professor envolvido no caso.

Em resposta, o Centro Acadêmico Herbert de Sousa (CAHS), que diz representar os alunos do curso de Gestão e Políticas Públicas, reuniu assinaturas para abrir um processo interno contra Wesley Caíque e Silva. A reportagem procurou o CAHS, mas não obteve resposta.

Território apartado

Em 20 de março, a USP determinou a obrigatoriedade do uso de máscara por discentes, docentes, servidores técnico-administrativos, prestadores de serviços e visitantes nos ambientes fechados da universidade. Isso inclui as salas de aula, os auditórios, os museus, os laboratórios, as bibliotecas locais de atendimento ao público e os setores administrativos.

Para a deputada estadual Janaina Paschoal (PRTB-SP), que também é advogada, a USP não poderia desobedecer às normas estabelecidas pelo governo paulista. “Sempre questionei a ideia de que a autonomia universitária deveria ser absoluta”, afirmou. “Essa autonomia existe para que não haja interferência política nas questões acadêmicas, mas não para criar um território apartado. Tenho recebido muitas mensagens de pais e alunos, de todas as universidades públicas, reclamando de restrições por força da vacinação.”

A reitoria da USP informou que pretende manter a obrigatoriedade do uso de máscara em salas de aula.

Leia também: “A elite desmascarada”, artigo de Brendan O’Neill publicado na Edição 101 da Revista Oeste

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