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Política

Com habeas corpus, presidente de associação mantém silêncio na CPMI do INSS

Américo Monte Júnior, dirigente da Amar Brasil Clube de Benefícios, não respondeu sobre movimentações suspeitas de mais de R$ 700 milhões

Américo Monte Júnior, presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB),
Américo Monte Júnior, presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), durante depoimento na CPMI do INSS | Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O depoimento de Américo Monte Júnior, presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi marcado pelo silêncio.

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Amparado por um habeas corpus do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), Américo Monte se recusou a responder praticamente todas as perguntas dos parlamentares — limitando-se a confirmar dados pessoais e informações básicas.

O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar | Foto: Carlos Moura/Agência Senado
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar | Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), destacou a trajetória financeira do depoente, que foi beneficiário do auxílio emergencial entre 2020 e 2021. 

Apresentando um gráfico detalhado das conexões entre associações e empresas ligadas ao depoente, o relator afirmou que mais de R$ 700 milhões podem ter circulado de forma fraudulenta por entidades que funcionariam como fachada.

“Sabe qual foi o serviço prestado pela Amar Brasil?”, interpelou Gaspar. “Nenhum. Só o núcleo da Amar Brasil colocou no bolso mais de R$ 20 milhões.”

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Gaspar afirmou que Américo Monte passou a integrar, em apenas quatro anos, um “núcleo milionário” dentro do esquema. Ele citou ainda informações da Polícia Federal que apontam que o investigado possui veículos de luxo em seu nome.

Oposição pressiona depoente na CPMI do INSS

Mesmo diante do silêncio garantido judicialmente, parlamentares continuaram a expor dados das quebras de sigilo e relatórios de investigação. O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) detalhou R$ 316 milhões em descontos de aposentados recebidos pela Amar Brasil, além de R$ 25 milhões destinados à AMJ Serviços Administrativos, empresa de Américo Monte: “O senhor sai daqui com a testa tachada de lavador de dinheiro profissional”.

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O senador Izalci Lucas (PL-DF) reforçou que documentos provenientes da quebra de sigilo mostram que Monte Júnior controlava diversas associações usadas para desviar recursos e repassar valores a empresas de familiares e amigos: “Ou você é referência de sucesso ou é um dos maiores operadores desse esquema”.

Já o senador Rogério Marinho (PL-RN) avaliou que a CPMI tem cumprido papel crucial ao expor “a engrenagem” dos descontos indevidos: “Esta CPMI prestou um serviço extremamente importante à sociedade — e pedagógico”. “Uma série de mentiras foram expostas.”

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