Revista Oeste - Eleições 2022

Oeste Entrevista: Soraya Thronicke fala de suas propostas à Presidência

Candidata se distanciou do chefe do Executivo por criticar a gestão dele durante a pandemia de covid-19
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A senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS) é candidata à Presidência da República | Foto: Reprodução
A senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS) é candidata à Presidência da República | Foto: Reprodução

Natural de Mato Grosso do Sul, a senadora Soraya Thronicke (União Brasil) é candidata à Presidência da República pela primeira vez no pleito deste ano. Em 2018, a parlamentar iniciou sua carreira política em Campo Grande, MS, quando foi eleita senadora pelo PSL (na época, partido do presidente Jair Bolsonaro).

No Senado, Soraya chegou a ser nomeada como vice-líder do governo na Casa Federal. No entanto, se distanciou do chefe do Executivo por criticar a gestão dele durante a pandemia de covid-19. Agora, a parlamentar está na disputa em uma chapa com o ex-secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, como vice.

Soraya Thronicke participa neste domingo, 18, da série de reportagens Oeste Entrevista. A série com os presidenciáveis começou a ser publicada nos dias 3, 10 e 17 de setembro, na seguinte ordem: Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PL) e Simone Tebet (MDB). Os três postulantes ao cargo receberam as mesmas perguntas. O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu o pedido de entrevista de Oeste, e as perguntas foram encaminhadas à sua assessoria. A equipe do petista, contudo, recusou a participação.

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As candidaturas de Soraya Thronicke (União) e de Luiz Felipe D’Ávila (Novo) estão sendo abordadas em reportagens de Oeste, a serem publicadas nos dias 18 e 25 de setembro, respectivamente.  Leia, a seguir, a reportagem com os trechos da entrevista de Soraya Thronicke.

Principais propostas

À Oeste, Soraya Thronicke destacou que sua proposta mais “urgente” é estabelecer um imposto único. Trata-se de uma reforma que vai substituir os 11 impostos e contribuições federais que existem atualmente no Brasil. “Essa mudança trará mais eficiência ao sistema tributário federal, reduzindo a burocracia para as empresas, capturando a parcela de impostos que hoje é desviada por sonegadores e diminuindo a litigância tributária, reduzindo a informalidade das atividades econômicas e distribuindo melhor a carga tributária entre os brasileiros”, disse a candidata.

Para ela, ao longo de décadas os políticos brasileiros discutem, sem avançar essencialmente, as reformas necessárias no complexo sistema tributário do país. “Essa situação só aumenta as desigualdades regionais, prejudica o desenvolvimento nacional e o bem-estar do contribuinte”, explicou.

Desse modo, a concentração da riqueza nos grandes centros urbanos e econômicos resultaria no agravamento dos problemas sociais e na incapacidade de governos estaduais/municipais atenderem dignamente demandas da sociedade. Isso iria favorecer grupos econômicos, que se privilegiam dessas desiguais condições, para aumentar sua riqueza, em detrimento dos reais interesses da sociedade.

“O imposto único traz efeitos imediatos sobre os custos de toda economia, aumentando a competitividade e reduzindo o custo de vida das famílias”, explicou Soraya. “Simultaneamente, ele reduz a inflação e aumenta a disponibilidade de fundos públicos para o financiamento do investimento.” Conforme a senadora, essa medida vai fomentar o investimento privado, tanto nacional quanto estrangeiro. “Uma mudança como essa não pode ficar para depois. Tem que ser feita de forma imediata”, afirmou.

Ao longo das 73 páginas do seu plano de governo, a parlamentar discorre sobre algumas questões estruturais de desenvolvimento, como reavaliar a cadeia produtiva do agronegócio, investimentos em infraestrutura logística, aumento da competitividade da indústria nacional, meio ambiente, conservação, entre outros.

Além disso, propõe a reimplantação do Ministério do Planejamento na gestão financeira da União. Para isso, prevê a criação de conselhos, como Político (ações no executivo), Justiça (segurança jurídica) e Tributário (evitar modificações de impostos).

Educação

O aperfeiçoamento do pacto federativo para uma melhor gestão educacional nos três níveis da administração pública, é a base das propostas de Soraya para a educação. Segundo ela, deve ser estabelecido um plano de ações com governadores e prefeitos com um programa nacional de capacitação pedagógica e tecnológica, a fim de profissionalizar cada docente.

“O primeiro passo é a valorização dos professores”, explicou. “Pretendemos alcançar essa meta isentando de Imposto sobre a Renda todos os professores do país, o que trará para eles um ganho de renda entre 7% e 15%, sem que haja impacto sobre as despesas de municípios e estados ou das empresas privadas do ramo de educação. O segundo passo é ampliar o apoio técnico dado a estados e municípios, seja na formação profissional dos docentes, seja na qualificação de conteúdos.”

Ela também propõe o investimento na implantação das escolas cívico-militares e no ensino técnico com foco nos serviços de tecnologia. Além disso, o aperfeiçoamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, estímulo de parcerias de universidades com instituições de pesquisa e inovação também integram o currículo de propostas para educação.

Saúde 

A candidata também propõe melhorias no sistema de Telessaúde, para que os serviços de amparo cheguem a mais municípios que não possuam acesso à internet. “A saúde, em todas as suas facetas, precisa ser analisada estrategicamente pelo Estado, e a regulação do setor é uma necessidade real para garantir o adequado e justo atendimento à população em suas várias fases da vida”, disse.

Soraya ainda pretende implantar Parcerias Público-Privadas para melhorar a qualidade dos serviços oferecidos para a população e criar um cadastro nacional on-line de todos os pacientes do Brasil. Aqui, a questão sobre imposto único ainda é citada por ela. Isso porque, conforme a senadora, a proposta elimina a contribuição sobre a folha de pagamentos de médicos, enfermeiros, dentistas, farmacêuticos e outros profissionais da saúde que hoje é 20%.

“Com isso, caem os custos do trabalho no setor de saúde, o qual é um setor intensivo em mão de obra, permitindo que mais serviços de saúde sejam prestados com o mesmo montante de recursos que hoje o SUS, os governos estaduais e municipais, as empresas e as famílias gastam com saúde”, afirmou.

Agronegócio

A candidata afirma que o  agronegócio, com a mineração e os serviços, é atualmente um dos setores que fazem a economia crescer e sustentam a ampliação dos empregos e da renda. Assim, ela pretende fortalecer a agricultura familiar de acordo com as “vocações regionais”. Desse modo, o agronegócio brasileiro se tornaria referência internacional em qualidade e capacidade produtiva.

“Se olharmos com atenção, os Estados que mais crescem têm ampliado de maneira consistente as atividades do agronegócio, que envolvem a agropecuária, a indústria extrativa vegetal, a indústria manufatureira, o comércio e os serviços” exemplificou. Soraya ainda deseja fortalecer o trabalho da Embrapa e da Emater em todo o território brasileiro.

Segurança pública 

Conforme Soraya, a segurança pública e a segurança institucional são “coirmãs”. Para isso, ela reforça que as diversas modalidades criminosas estão ligadas com o crime organizado, tráfico de drogas de pessoas e outros.  A fim de solucionar esses problemas, ela propõe uma reestruturação das polícias por meio de uma profissionalização específica, além de melhorar a eficiência da investigação penal, perícia criminal e polícia penitenciária.

A senadora ainda pretende implementar uma política nacional de drogas, melhorar o sistema de controle de fronteiras, ampliar o número de delegacias da mulher e criar uma política que estimule condenados a trabalhar enquanto cumprem pena na prisão.

No que tange o combate à corrupção, as principais propostas de Soraya visam ampliar a autonomia da Polícia Federal (PF) para que ela possa realizar o seu trabalho, sem riscos de interferência imprópria por parte do governo federal; estabelecer mandato fixo de dois anos para o diretor-geral da PF; o fim do foro privilegiado para todas as autoridades; e ampliar a autonomia e independência do Procurador-Geral da República.

Abaixo confira na íntegra o plano de governo de Soraya Thronicke:

 

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