Para o STF, impedir o governo de funcionar é salvar a democracia

"A maioria dos ministros está convencida de que o seu dever principal é ficar contra tudo o que Bolsonaro faz", afirma J.R. Guzzo
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Foto: FÁBIO RODRIGUEZ POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL
Foto: FÁBIO RODRIGUEZ POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL | Foto: FÁBIO RODRIGUEZ POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

“A maioria dos ministros está convencida de que o seu dever principal é ficar contra tudo o que Bolsonaro faz”, afirma J.R. Guzzo

Para o stf
O direito constitucional do cidadão a ser defendido pelo Estado, por meio da polícia, não está em vigor nas favelas cariocas | Foto: FÁBIO RODRIGUEZ POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL

J.R. Guzzo (artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 23/08/2020)

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Por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), baixada pelo ministro Edson Fachin e apoiada por oito dos seus colegas de plenário, a polícia está proibida de fazer voos de helicóptero sobre as favelas do Rio de Janeiro e de montar operações de combate ao crime em torno de escolas e de postos de saúde. Na prática, então, ficamos assim: a partir de agora, os bandidos estão legalmente autorizados a circular nessas áreas, mas os agentes que a população paga para cumprir a lei não podem frequentar o mesmo espaço. É uma aberração, talvez única no mundo. Mas, no Brasil, esse tipo de depravação social vai se tornando cada fez mais comum, em consequência direta da militância política cada vez mais agressiva daquilo que deveria ser a sua suprema corte de Justiça.

A maioria dos ministros do STF está convencida de que o seu dever principal é ficar contra tudo o que o atual governo faz, ou pretende fazer; como o combate ao crime é um dos seus objetivos, o tribunal toma decisões que vão na direção contrária, imaginando com isso formar a “vanguarda da oposição” no Brasil. Pouco lhes importa o preço que a população está pagando por isso. Paciência, dizem eles. Impedir o governo de funcionar, na sua visão de mundo, é salvar a democracia brasileira — e salvar a democracia, o estado de direito, as “instituições”, etc., etc. é “mais importante” que qualquer outra coisa. O resultado são anomalias como a que o STF acaba de criar no Rio de Janeiro. O direito constitucional do cidadão a ser defendido pelo Estado, por meio da polícia, não está em vigor nas favelas cariocas. As únicas garantias constitucionais que o Supremo reconhece ali são as que beneficiam os criminosos.

Leia também: “O Supremo é um partido político”, artigo de J.R. Guzzo publicado na edição n° 22 de Oeste

Não vale a pena perder mais do que 30 segundos avaliando o argumento oficial — a decisão seria para salvar os moradores das favelas dos perigos que existem em operações policiais armadas. É hipocrisia em estado puro. Quem coloca em risco a segurança dos cidadãos são os criminosos, não a polícia. A ideia de que a população das favelas vive em paz e em harmonia com os traficantes de drogas e toda a cadeia de bandidos que vem junto com eles só existe na cabeça dos que não moram lá — intelectuais, artistas de novela, responsáveis por telejornais do horário nobre e agora o STF, por ser de sua conveniência política. Na vida real, o inimigo é a bandidagem. É dali que vêm, todos os dias, a violência, os estupros, a extorsão, o abuso das crianças, o roubo e tantos outros horrores que as famílias têm de pagar pela ausência da autoridade e pelo governo dos criminosos.

O crime, por decisão do STF, tem agora direitos extraterritoriais nas favelas do Rio de Janeiro. Ali não é mais território nacional, sujeito à lei brasileira — como acontece com as embaixadas estrangeiras e as reservas indígenas, a autoridade pública não pode entrar. O que o cidadão comum vai pensar disso? Os ministros não podem ficar reclamando, depois, do fato de estarem hoje entre os homens públicos mais desmoralizados e malquistos do Brasil. Queriam o que, agindo desse jeito? Não podem cobrar respeito, nem “apreço pela democracia”, se o seu comportamento não pode ser respeitado e se a democracia é isso que eles montaram aí. Já era ruim quando o STF funcionava, e continua funcionando, como um escritório de advocacia para corruptos capazes de pagar honorários acima dos R$ 10 milhões. Consegue ficar ainda pior quando age abertamente como facção política.

“O STF está sendo utilizado pelos partidos da oposição para fustigar o governo”, disse dias atrás o ministro Marco Aurélio Mello. “Isso não é sadio. Não sei qual será o limite”. Ninguém sabe.

Quer saber sobre as despesas do Supremo? Leia “O dossiê completo dos gastos do STF”, reportagem publicada na edição n° 15 de Oeste

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18 comentários

    1. Esses togados que nem concurso fizeram e foram , em sua maioria , indicados por políticos corruptos e que saquearam nosso País , deveriam criar vergonha na cara por suas decisões políticas contra um governo eleito pelo povo. Eles fazem parte da quadrilha .

  1. Os ministros do STF deveriam ter vergonha na cara, são maus brasileiros que um dia não terão mais a proteção da toga e sentirão na carne o que é ser um cidadão comum, em que pese que ganharão fortunas dando pareceres para a maioria dos bandidos do colarinho branco.

  2. As instituições devem ser preservadas.
    Por isso, os criminosos que atuam debaixo das togas devem ser afastados e condenados.
    O País e a Nação merecem — e exigem — respeito, probidade e patriotismo.

  3. São apenas cargos comissionados de ex-presidentes q foram impichados, presos ou investigados. Os seus donos deveriam estar na cadeia, mas contam com assistência vil dessa latrina chamada STF.

  4. Se não tomarem algum tipo de providência não se sabe onde isso pode parar. Há pouco dias eles destituram o exercíto como poder moderador, dizendo que apenas o STF tem este poder. Olha o tipo de moderação que estamos tendo. Traçaram limites para o cidadão e liberaram território para os bandidos. Quem terá coragem de virar está mesa! É cruedelissimo!

      1. Guzzo a sua análise está perfeita e a conclusão é assustadora. Pobre Bolsonaro que terá que esperar que ao menos seis Ministros deixem o STF. Só acontecerá durante o mandato da sua reeleição

    1. As instituições devem ser preservadas – a começar pelo PCC, CV e outras nobres instituições do crime organizado. É isso que pensam os tão expoentes da DEMOcracia.

      Minha sugestão é que esses senhores – podem deixar as senhoras de fora – sejam colocados num helicóptero (pode ser um cargueiro da FAB, já que helicópteros só estão autorizados o dos traficantes) e despejados de paraquedas sobre um território dos amigos deles em plena madrugada.

  5. Sem sombra de dúvidas.
    São, os atuais ministros do STF, pessoas não preparadas tecnicamente e psicologicamente desajustadas para o cargo que ocupam.
    Passaram por cima de todos e qualquer juiz de fato, concursado, justamente pelos seus respectivos ativismos de militantes políticos, ligados à sindicatos, partidos de esquerda e de facções criminosas, jamais pela sua competência e experiência como magistrados (o que deveria ser ainda mais considerando ser para a Suprema Corte do País).
    Dão sequência, infelizmente no STF, a seus anteriores trabalhos para seus reais patrões; a esquerda/criminalidade!

  6. Excelente, como sempre. Gostaria apenas de fazer um reparo: não é “a maioria” dos ministros, mas todos eles, sem exceção, que se colocam sistematicamente contra o governo do Presidente Bolsonaro. E, quanto à pergunta final: é fácil saber qual será o limite: nenhum. Já estamos sob ditadura do STF.

  7. Em uma instituição, no caso o STF, onde ninguém está lá por mérito, e sim por interesses político-partidários, emerge a incompetência e as vaidades de pessoas que não foram forjadas com ética, capacidade técnica e imparcialidade. São escravos de alma vendida que vivem em uma pocilga chamada Brasília, onde existe um mundo podre, paralelo e alienado. Não presta um!

  8. 30 segundos para analisar é uma vida inteira!! Simplesmente os comedores de lagostas com a proibição da entrada dos representantes do país chamado Brasil, nessa área territorial, decreta que existe um outro país dentro do nosso Brasil ! Nesse caso cabe a pergunta: – Quanto esse outro país irá pagar ao Brasil pelos serviços de infraestrutura prestados? Previdencia, hospitais, Internet, Água, Energia, Transporte, etc. ? Vamos acordar??

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