Comandante de Operações Terrestres até novembro de 2023, o agora general da reserva Theophilo Gaspar de Oliveira negou participação no que seria uma tentativa de ruptura institucional. Oliveira é réu no núcleo 3 da suposta trama golpista. O militar foi interrogado no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira, 28.
Ao ser interpelado por sua defesa a respeito de envolvimento em lives com o então presidente Jair Bolsonaro ou na articulação dos planos Punhal Verde e Amarelo e Luneta, respondeu “não”. “Só ouvi falar dessas articulações posteriormente”, disse o militar. “Também não recebi ordem de ninguém para executar o que quer que seja.”
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Por ter ocupado um cargo do Alto-Comando, Oliveira era responsável por dar ordens aos chamados “kids pretos”. O efetivo é treinado em operações de contra-inteligência, insurreição e guerrilha. O grupo seria acionado para prender autoridades durante a tentativa de golpe de Estado, conforme a Polícia Federal (PF). Ainda de acordo com a PF, o ato ocorreria no fim de 2022, antes da posse de Lula.
Apesar de ser o responsável pelos militares de elite, Oliveira disse que eles eram subordinados ao comandante do Exército. “Se eu desse alguma ordem de natureza antidemocrática, ninguém cumpriria”, garantiu o general. “Não existe isso de dar uma determinação assim sem o consentimento do comandante.”
Operação contra Theophilo Gaspar de Oliveira

Com base em diálogos encontrados no celular do tenente-coronel Mauro Cid, delator do “golpe’, Oliveira teria “consentido com a adesão ao golpe de Estado desde que presidente assinasse a medida”.
Segundo as investigações, o consentimento ocorreu durante uma reunião com Bolsonaro no Palácio da Alvorada, em 9 de dezembro de 2022.
Oliveira é natural de Fortaleza (CE), onde comandou a 10ª Região Militar (10ª RM), e vem de uma família com tradição no Exército e na política.
Leia também: “O malabarismo jurídico da PGR”, reportagem publicada na Edição 278 da Revista Oeste
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