A alucinação dos números do vírus chinês

.@jrguzzofatos: Já se ouviu dizer, e a mídia reproduzir sem uma única manifestação de dúvida, ou cobrança de checagem, que o número de mortos pela epidemia no Brasil pode chegar a 100.000 – embora o Ministério da Saúde espere que não acabemos alcançando realmente tudo isso. De onde sai esse tipo de alucinação?
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SP - COTIDIANO/SAUDE - GERAL - O hospital Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba (SP) registrou nessa quinta-feira (19)  furtos de frascos de álcool gel que foram disponibilizados nos quartos nos últimos dois dias. O hospital está apurando a quantidade para reigstrar o boletim de ocorrência na delegacia e apurar os fatos. Máscara descartável no chão. 19/03/2020 - Foto: CADU ROLIM/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
SP - COTIDIANO/SAUDE - GERAL - O hospital Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba (SP) registrou nessa quinta-feira (19)  furtos de frascos de álcool gel que foram disponibilizados nos quartos nos últimos dois dias. O hospital está apurando a quantidade para reigstrar o boletim de ocorrência na delegacia e apurar os fatos. Máscara descartável no chão. 19/03/2020 - Foto: CADU ROLIM/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
máscara para coronavírus
Foto: CADU ROLIM/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Até o dia de hoje, 6 de abril, informações da Agência Brasileira de Inteligência, dos telejornais do horário “nobre” e até, vejam só, do site The Intercept – aquele das falecidas “gravações que vão derrubar Sérgio Moro” – diziam que haveria no Brasil um pouco mais de “5.500 mortos” pelo coronavírus. Número efetivo, contando aqueles cuja causa mortis foi lançada pelas estatísticas das autoridades como “possíveis” vítimas da epidemia: 507, até as 14 horas da segunda-feira É uma diferença de onze vezes – e cometer um erro desse tamanho é algo que realmente não se consegue todo dia. Já seria um espanto publicar um número duas vezes errado – dobrar a meta, como diria Dilma Rousseff. Errar por três, então, já ia virar uma calamidade na ciência do cálculo de dimensões. E dar um número onze vezes errado, então: seria o que?

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Não é preciso perder tempo imaginando o que seria, pois dá para dizer, perfeitamente, o que é: erros com esse grau de grosseria comprovam que o maior partido político em ação no Brasil de hoje é o que milita, nos discursos dos políticos e na mídia, para convencer o público que a atual epidemia é muito mais horrível do que a imaginação pode alcançar. Seu lema é: “Somos Todos Coronavírus”. Seus heróis são João Doria, Rodrigo Maia e o inspetor de quarteirão. Seu demônio, o homem a abater a qualquer custo, é o governo Bolsonaro, e em especial o presidente da República – pois, pelas “projeções”, “cenários” e “modelos computadorizados” do tipo deste que foi citado nas primeiras linhas do texto, ele planeja o “genocídio” da população brasileira através de um abrandamento na quarentena radical hoje em vigor.

Já se ouviu dizer, e a mídia reproduzir sem uma única manifestação de dúvida, ou cobrança de checagem, que o número de mortos pela epidemia no Brasil pode chegar a 100.000 – embora o Ministério da Saúde espere que não acabemos alcançando realmente tudo isso. De onde sai esse tipo de alucinação? Temos 500 mortos até hoje, mas “talvez” cheguemos aos 100.000 porque cerca de 100 milhões de brasileiros (ou metade da população) “devem contrair” o vírus – e jogando aí o cálculo de que 0,1% das pessoas que são contagiadas morrem, teremos os tais “100.000” das notícias. Mas esse número aí seria uma beleza, comparado com um “estudo” do Imperial College de Londres, que promete mais de “600.000” mortos no Brasil se forem adotadas “regras menos rígidas de isolamento”. Como isso vem de um “College”, ainda por cima imperial, e além disso sediado em Londres, vira coisa séria na hora.

Isso não é ciência, nem estatística, nem chute. É vodu. Mas no país do “Somos Todos Coronavírus” é manchete de jornal, rádio e tevê.

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10 comentários

    1. Certeiro, como sempre. Vivo em Milão e no dia a dia vemos que nenhuma regra é uma sentença. Se aqui as ações foram corretas, só o tempo dirá. As mortes não param nem o contágio. Qual a estrada correta? Ninguém pode dizer. Quem dirá fazer projetar um número…
      Parabéns pela revista! Sou sua fã e do Augusto Nunes.

  1. Texto, sério, isento e brilhante do mestre Guzzo. Só faltou dizer que a hidroxicloroquina pode salvar no mínimo 80% dos que morreriam se administrada segundo o protocolo apresentado pelo Prevent Sênior. O que faria a hecatombe cantada pela militância “esquerdiota”.

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